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domingo, 15 de junho de 2014
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Discipulado
O Discipulado mais
eficaz é aquele feito por pessoas que são “Testemunhas do Mestre”
E sereis minhas testemunhas (At 1.8b)
E sereis minhas testemunhas (At 1.8b)
Petrópolis, 02 de maio de 2013
Jesus vinha, desde o chamado dos
doze, discipulando pessoas, andando com elas, alimentando-as; ensinando-lhes princípios
dos mais básicos aos mais complexoss sobre o cotidiano da vida e o Reino de
Deus. Esse texto de Atos dos Apóstolos, em concordância com o “Ide, portanto,
fazei discípulos”, expresso em Mateus 28.19 [ e se observarmos com cautela
perceberemos que estão dentro de um mesmo contexto de envio (leia Lc 24.48)], deixa
muito claro qual é a vontade de Deus para nós cristãos – discípulos/as de Jesus:
sermos testemunhas de Jesus Cristo!
Aqui eu gostaria de apontar alguns
elementos práticos sobre o discipulado e o testemunhar a Cristo como Senhor e
Salvador de nossas vidas.
1.
A palavra “testemunhas”, sobre o referido texto
bíblico, no grego é “mártires”. Fiquei ainda mais apaixonado pelo discipulado como
um estilo de vida, quando descobri que na verdade ser testemunha de Cristo
significa estar disposto a morrer por uma causa que transcende o natural, e que
portanto, é sobrenatural. Num mundo onde cada vez mais somos tentados a relativizar
valores essenciais à fé cristã, e pessoas mudam de ideais e alianças assim como
trocam de par de sapatos, descobrir que Cristo nos chamou à morrer por uma
causa específica é tremendo. Ele nos chamou para sermos “mártires d’Ele até os
confins da terra” (Cf.: At 1.8). Se você não está disposto a morrer por Jesus você
ainda não entendeu o discipulado e especificamente o “pregar o Evangelho” (leia
Mc 16.15) como a prioridade do Pai. E se queremos “evangelizar” como Jesus o
fez, somos chamados não somente a lançar sementes, mas acompanhar o desenvolvimento
da mesma; isso é, acolher e andar com pessoas, ensiná-las, capacitá-las e enviá-las
a fazer o mesmo em prol de uma única causa: O Reino de Deus.
2.
De quem somos testemunhas? Somos testemunhas de
Jesus. Isso significa que devemos morrer pelas causas d’Ele e não pelas nossas
causas pessoais. Revelar a face d’Ele em nós, e não usar o evangelho com um
pretexto para autopromoção. Encontro muitas pessoas pelo caminho que se valem
de argumentos bíblicos, abastecidos de versículos fora de contexto, que na
verdade estão tão somente ansiosos por de ter o nome em evidência. Enquanto
muitos morrem por causas pessoais, “em-si-mesmados”, o Senhor Jesus nos
comissiona para uma saída estratégica – abandonar o conforto de um mundo de
conceitos, só nosso, para de fato morrer pelo que vale à pena: O Reino de Deus!
Um Reino que é para todos; à morrer por um Rei que confiou à mim a continuidade
de sua própria vida, para que d’Ele mesmo eu dê testemunho. Amém Senhor, que através da
minha entrega consciente e voluntária, o testemunhar à Cristo culmine em novos
discípulos para Jesus. Mas se o meu eu não for renunciado todos os dias, incorro
constantemente no mesmo erro, testemunhar à mim mesmo e não ao Messias. Minha
oração é que possamos entender o “Ide e fazei discípulos” como um ato de “matar
o eu”, de testemunhar o Senhor Jesus Cristo aos que precisam de vida; é de
fato, morrer para mim mesmo, para que Ele viva através de mim (Gl 2.19-20).
Faça você o mesmo!
3.
Concluindo: tudo o que Jesus fez foi discipular,
testemunhar “O caminho A verdade, A vida”; é o que eu preciso fazer também, certamente
é o que Ele espera de mim. Discipulado não é um ministério isolado na Igreja, e
discipular não é mais uma atividade para disputar espaço na minha agenda
lotada. Discipulado precisa ser algo natural em/para toda Igreja, é o jeito de
ser corpo, é o “Corpo” como um todo recebendo oxigenação do mesmo impulsionador,
o Espírito Santo. Discipulado, tal como o foi na vida de Jesus, é paixão por
vidas, por alcançar os perdidos; é deixar fluir através de mim Boas Novas: em
Cristo há vida abundante e salvação para os que crêem. Discipulado é testemunhar
o que Cristo fez na minha vida, é remar contra as correntezas que insistem em
fazer brilhar o eu, para lutar por um nós – um corpo completo chamado “A Noiva
de Cristo”.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
PRINCÍPIOS DE CAMINHADA ....
Pode ter certeza: eu posso me
arrepender por dar uma segunda, terceira, quarta chance à alguém que talvez
você acredite que não mereça. Eu imagino, é possível que essa pessoa nunca mude
por não se abrir aos princípios de Deus - pois só Deus muda as pessoas. Mas eu
prefiro correr o risco de ser apunhalado pelas costas mais uma vez, e outra vez
traído; pois nunca devemos temer correr riscos, especialmente quando é em favor
de uma pessoa diferente de mim mesmo. Seria muito mais frustrante ainda para
mim, e eu me arrependeria de verdade, se eu olhasse para trás e percebesse essa
pessoa perdida e caída, por eu não ter dado a ela cada uma das oportunidades à
ela dispensada. Concluindo: Pessoas vão se enrolar em suas próprias tramas e cair,
não por me traírem, e sim por não aproveitarem as oportunidades que eu dei a
cada uma delas de se levantarem e se mostrarem seres humanos honrados (Pr. Antônio
Junior).
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Pensamentos: Sobre uma teologia que não cabe no Evangelho; que não aponta para Jesus o Cristo!
Por Rev. Antônio Luiz de
Freitas Junior
Pastor da Igreja Metodista no Alto Independência
Pastor da Igreja Metodista no Alto Independência
Petrópolis,01 de setembro de 2012
Estou cansado do “cristianismo
enlatado” de alguns americanos e europeus divulgado e reproduzido hoje em/por
nossas Igrejas. Mas os importados como verdades absolutas são os que mais me
incomodam enquanto pastor; alguma coisa “de lá” de fato são críticas
edificantes quanto ao atual modelo de ser Igreja, outras me enoja. A impressão
que tenho é que queremos além do idioma, tênis e roupas caras, hipervalorizar
também a teologia de um contexto que não é nem de longe parecido com o contexto
das Igrejas no Brasil. Enaltecendo um e amortizando o outro. Na verdade, estou
cansado de parte do cristianismo divulgado no rádio, na T.V., Internet; etc. Esses
que o povo vai aplaudindo e usando como verdade absoluta e afiada, setas, como indireta
contra seus líderes, seus pastores. Pior ainda é quando os pastores valem-se desse
material para exortar ou apontar situações no seu rebanho. Brasileiros, cristãos,
utilizando-se desses “enlatados [cheio de conservas]” contra seu próprio corpo
[sua própria Igreja].
Um evangelho com “e” minúsculo
que só é de “Boas Novas” para quem “já está salvo”, ou se “consagrando”; que ao
meu ver: é favorecedor da permanência de hipócritas e fariseus no Templo do Altíssimo
– nós mesmos. Para os enfermos, viciados e ladrões, assassinos, prostitutas, etc
(perdidos – verdadeiros alvos de Jesus), em nada acrescenta; antes os empurra
mais rápido ainda ao “abismo de fogo”. Fábrica de crentes seduzidos pela instituição,
mas não gera discípulos apaixonados por Jesus! Nos esquecemos que nas palavras
do próprio Jesus: “Os sãos
não precisam de médico, e sim os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia
quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores [ao
arrependimento]” (Mt 9.12-13;
Mc 2.17; Lc 5.31).
De fato não devemos acolher e incentivar o erro das pessoas, mas é impossível
acolher uma pessoa sem acolher com ela também os seus erros – no início de qualquer
caminhada abraçamos o todo de cada pessoa. Amemos as pessoas, e preguemos o
Evangelho de Cristo, contra o pecado e favoráveis à santidade, que dos erros
delas cuida Deus. Acorda Igreja, estamos confundindo salvação, e santidade, com
o ser Igreja. Coisas ligadas uma à outra, mas distintas entre si! “Igreja”
nunca foi projetada por Deus para ser lugar dos super-santos, e sim dos que
estão em processo de santificação. Se jogamos fora do nosso espaço de
convivência os “fracos”, os pecadores, que sentido teria ser Igreja? Um clube moderno
de pessoas salvas - melhoradas?
Esse evangelho de “por para fora o
inimigo - pessoas” - não é em nada parecido com o Evangelho que Jesus ensinou. É
sim um pseudo-evangelho nascido do gorfo de “nerds”, de “playboysinhos e
patricinhas de Jesus”, ou de “maduros” que pelo menos são bons oradores,
sentados em seus escritórios bancados pelo Papai. Falam sobre “(1) um tipo de evangelismo
ideal”, sobre “a santidade”, sobre “a separação da Igreja com relação ao mundo”,
sobre “casamento”, sobre suas preocupações de que “o mundo está invadindo a Igreja”,
sobre a necessidade de a “Igreja contagiar o mundo”. Fico imaginando esses “evangelistas”
míopes anunciando à Cristo ressuscitado em favelas por exemplo; como seria?
Panfletinhos, Cestas básicas, Alto Falantes? Pregariam contra seus bailes,
contra seus hábitos, ou suas roupas? Seus contextos? Quais seriam seus meios? [Risos]
Chega ser hilário! E se fosse para a “nata da sociedade?” Como seria? Rebuscando
a linguagem? “Livrinhos mais elaborados”, Coffe Breaks? [Risos].
Estratégias ... estratégias ... e
mais estratégias ... Chego à temer por essa disputinha de contextos; porque o
que está por detrás dessa discussão não é de fato Cristo ressuscitado,
perdoador de pecados, amante de sua Criação; nem muito menos o tema da verdadeira
santidade; e sim crítica de modelos; e pior,
tem a ver com a máxima: eu sou bom e santo, você é mau e profano! Modelos tem a
ver com contextos; o problema é que alguns se esquecem que Deus não unge modelos,
Ele reconcilia, busca, unge pessoas!
Nesse sentido, sua teologia, sua
aspiração tem que ser necessariamente, antes de qualquer coisa, apaixonada por alcançar
e contagiar pessoas. Devemos nos reapaixonar por isso! Algo que só acontece quando
caminhamos com elas no contexto delas. Não devemos negociar princípios, isso é
fato e eu mesmo ministro sobre isso; mas Cristo está voltando, e nessa atura do
campeonato você vem falar sobre qual estratégia serve e qual não serve? Sobre qualidade
e quantidade? Sobre qual Igreja é mais santa? Frases do tipo: “Porque eu não
faço aqui, ou porque eu não gosto, ou porque não dá certo para mim, ou o papai e
a mamãe me ensinou que não devo; a estratégia de vocês não é somente errada,
ela é do diabo”. Quer dizer que o que outro faz [diferente de você] – é o
pecado!. Isso limita em muito a ação de Deus na sua própria vida. Leiam o Ap. Paulo
aos Coríntios e aos Colossenses. Esse sim foi exímio evangelista e plantador de
Igrejas.
(1Co 9.19-23) Porque, sendo livre de todos,
fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. Procedi, para com os judeus,
como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob o regime da lei,
como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da lei, embora
não esteja eu debaixo da lei. Aos
sem lei, como se eu mesmo o fosse, não estando sem lei para com Deus, mas
debaixo da lei de Cristo, para ganhar os que vivem fora do regime da lei. Fiz-me fraco para com os
fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim
de, por todos os modos, salvar alguns. Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar
cooperador com ele.
(Col 2.16-23) Ninguém, pois, vos julgue por
causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido
sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo. Ninguém se faça árbitro contra
vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões,
enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal, e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem
vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de
Deus. Se morrestes
com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo,
vos sujeitais a ordenanças: não
manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e
doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm
aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor
ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade.
Reafirmo que princípios nunca
devem ser negociados, e que a mídia deve ser apreciada como mecanismo de evangelização
[eu mesmo me utilizo com certo afinco dessas ferramentas]; no entanto, voltemos
à Bíblia! Raízes Igreja, raízes povo de Deus. Mas especialmente voltemos à
Cristo e aos dois maiores mandamentos deixados por Ele mesmo: “amar à Deus
sobre todas as coisas e ao próximo como eu amo a mim mesmo” (Mc 12.33).
Chega de discussões e eventos sem
paixão e consequentemente sem frutos; chega de ser complacente com a esterilidade
da terra, e naturalmente cúmplices de fariseus que se usam do discurso sedutor e
acusações bem elaboradas como esconderijo de sua falta de frutos, fraquezas, e ausência
de paixão; chega de crítica por crítica; chega de meninices. Porque para seguir
à Cristo o “eu e com ele meus próprios conceitos” têm necessariamente que morrer;
veja:
(Gl 2.20) – “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e
esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me
amou e a si mesmo se entregou por mim”.
E eu? Subindo na cruz
– ou melhor, carregando a minha;
Shalom.
Shalom.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
O Deus forte e a terra exausta
Texto Base: Sl 63.1-4
Por Pastor Antônio
Luiz de Freitas Junior
Petrópolis, 30 de Agosto de 2012
Nesse capítulo, do “Livro dos
Salmos”, a experiência do homem com um Deus real e presente transmite-nos
realidades impactantes; deveria servir como princípio espiritual de caminhada
para cada um de nós (Cf.: Gl 5.25).
Primeiro o salmista declara (v.1) “Ó Deus, tu és o meu Deus forte”. Satanás e seus demônios são incansáveis para
disseminar e implantar na Igreja de Cristo, a visão de um Deus raquítico e
debilitado, que sofre de inanição; um Deus distante do seu povo! Esse não é o
Deus Forte cuja bandeira levantou o salmista. Ao participarmos das aflições citadas
por Cristo (Jo 16.33), se não ajustarmos nossa visão e foco, passamos a adorar um
“deus diminuído”, acreditando que Ele não responde à nossa adoração; tão distante
que não me ouve, tão fraco que nada pode. Cultivar uma visão diminuidora acerca
de Deus - Essa pode ser a batalha da sua mente (Cf.: Tg. 4.1); e isso acaba por
te motivar a buscar em “coisas” e não no Deus da vida a resposta para sua
história.
Lute contra essa atrofia espiritual: Enxergue Deus
no tamanho que Ele é! Se o seu Deus é grande e forte, creia que grandes coisas
Ele fará! A nossa experiência diária com um Deus que é forte modifica nossa
perspectiva de vida e até mesmo nossa visão de mundo. Somos filhos/as desse
Deus, também herdeiros d’Ele e com Ele, então nossos sonhos serão expectativas
reais de excelência.
Por fim; ainda no primeiro versículo.
Surge uma revelação do salmista, como um estrondo nos nossos ouvidos, membros
da Igreja do século XXI; observe as palavras: “como terra árida, exausta e sem
água”. Há alguns princípios espirituais que culmina no “não fruto”. Não
é só a esterilidade, há outro tão desafiador quanto esse primeiro: o princípio da
“exaustão da terra”. Notem que a luta do salmista é contra esse último.
A terra se esgota, quando você se
esgota; quando não há uma correta administração do tempo, de energia vital e de
recursos. O mal do século: o ganhar desenfreado para acumular é o lema! O oposto
do discipulado ensinado por Jesus. Você não cuida das propriedades minerais da
terra para que haja bom fruto; nem contabiliza a possibilidade de colheita;
tudo é arrancado de tudo? Atenção, pois esse é o parto moderno dos homens e mulheres
“esgotados/as”! Pessoas que estão preocupadas somente com a colheita, como princípio
de funcionalidade, utilização e produção; permite que também lhes seja tirado o
máximo de energia até que se esgotem todos os recursos. Não podemos nos
esquecer de um processo completo até que haja colheita (Cf.: Sl. 126.6). Se não
houve planejamento para a terra e para o plantio; se não há estudo da semente, do
fruto e da colheita; para esses/as não haverá uma próxima sega.
Concluindo. Talvez você nunca
tenha sido espiritualmente estéril, mas sua terra está exaurida de recursos
para a frutificação. Para lutar contra essa exaustão e escassez de recursos o
salmista busca incessantemente o Deus que é manancial de águas (Cf.: Jr. 2.13);
n’Ele espera e deposita suas
expectativas(Cf.: Is 40.31). É aqui que o Deus forte vem e renova nele o
cântico nos lábios. Entregue-se como o salmista, alma e corpo fundidos na busca
pelos rios mais profundos do Espírito (v.2).
Pense nisso, o Senhor quer aprofundar suas raízes (Sl. 1.3), trabalhar novas
propriedades em sua terra e a saúde da árvore; é assim que experimentamos com
os olhos abertos a força e a glória de Deus no fruto do nosso trabalho (Cf.:
Is. 53.11).
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Surto Moderno!
Por Pr. Antônio Luiz de Freitas Junior
Petrópolis, 29 de Junho
de 2012
"Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer. Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloé, que há contendas entre vós" (1Co 1.10-11).
Por esses dias andei pensando sobre a capacidade de fazer
perguntas. Confrontei com dados sobre a capacidade de edificar coisas. Percebi que
desde pequenos, na ansiedade de descobrir, somos já impulsionados a perguntar.
A Amanda, minha filha de 3 anos, confesso, sabe fazer perguntas tão bem
elaboradas quanto embaraçosas para quem deve responder; muitas delas sobre
questões cruciais da vida – nada de bobagens; poucas na verdade [Risos].
Entendi então que sem perguntas não há descobertas, ok! Mas
entendi também, e aqui coloco a tônica, que num determinado momento é
fundamental você começar à dar respostas; só assim serás capaz de edificar algo
concreto não sobre “areias”, mas sobre a rocha – isso a Amanda ainda não saberia
fazer sem ajuda. Um indivíduo movido à perguntas, cuja vida é um eterno ponto
de interrogação, é uma pessoa vazia, e por isso amarga e frustrada. Suas
realizações são concretas, mas estão fincadas sobre bases que se apoiam em
areia.
Que me perdoe a boa filosofia, nada contra – Gosto! Até
porque sei que filosofar não é só fazer perguntas. Que me perdoem os que estão
em eterna construção, “em busca de sabedoria”, nada contra – não alcancei tudo
também, sou eterno aluno do Mestre; e sei que fazer perguntas não é a única
maneira de alcançar a sabedoria. Mas agora, tomo a liberdade de dirigir-me aos cristãos
da comunhão da Igreja [pessoas]. Principalmente os que estão na Igreja [pessoas]
na expectativa de ver a face do Pai.
Vamos partir da premissa: Pessoas normais fazem perguntas;
pessoas que fazem a diferença constroem coisas concretas sobre bases
permanentes.
Vai chegar uma hora, na qual você precisará também dar
respostas. Não responder à questionários bem elaborados numa sala de
universidade, ou nas suas crises dentro do seu quarto. Eu já vivi e sobrevivi à
isso [Risos] – questões sem respostas que nos intertem por um bocado de tempo;
nos anestesiam insinuando que vamos alcançar algo profundo demais fazendo boas perguntas.
Ai surge o que eu resolvi chamar de “surto
moderno” - O problema é que muitas vezes o orgulho que temos de sabermos fazer
boas perguntas nos cega com relação à necessidade real que temos de pregar o
Evangelho e fazer discípulos: à tempo e fora de tempo.
E que o Senhor nos ajude!
Amém.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
O cristão e a música secular: breve aprofundamento para estudo
Dentre muitos pontos de vista,
(1) Um ponto de vista pastoral (...)
(1) Um ponto de vista pastoral (...)
Petrópolis, 22 de
outubro de 2011
Considerações iniciais:
fundamentais
Não podemos “usar” a Bíblia “aleatoriamente”, conforme
nossos ânimos; simplesmente para comprovarmos “teorias”, ou dar mais
legitimidade ao nosso discurso. Enquanto Palavra Inspirada por Deus, a Bíblia precisa
falar a nós antes de tudo; se antecipar inclusive aos nossos “achismos”. Devemos
cuidar do nosso ímpeto de coisificá-la e instrumentalizá-la, uma vez que não
podemos fazê-la refém dos nossos maus hábitos.
Quando nos aproximamos da “Palavra de Deus”, precisamos
permitir que o texto inspirado, por si só, nos oriente quanto aos dias de hoje;
e nos oriente sobre qual é a boa,
perfeita e agradável vontade de Deus (leia Rm 12.2). Que o texto exige
interpretação da nossa parte: isso é fato. Buscamos um sentido hermenêutico, no
texto e para o texto, de acordo com nossa realidade e conseqüentemente nossas
experiências e expectativas quanto ao que está por vir da parte de Deus. Nossa
“bagagem” nos aproxima do texto bíblico e o texto bíblico à nós; no entanto,
não podemos perder de vista, que embora instados à interpretar, cada texto tem
um contexto; uma intenção clara e objetiva.
Nesse sentido, discussões que estão fora de um determinado
texto, ou textos que estão fora de determinadas discussões, quando “ligados”
(associados) forçosamente por nós a fim de “verdadeirizarmos” nossas
experiências pessoais, pura e simplesmente, só geram mais dúvidas. Nunca se
poderá concluir objetivamente nada, uma vez que a interpretação vai variar de
acordo com a experiência de cada indivíduo – fica, portanto, subjetivada. É
aqui que vence quem tem mais argumentos, ou maior poder de persuasão; quem já
leu mais livros, quem tem mais experiência e facilidade de falar em público;
etc!
Mas e a essencialidade bíblica? Ficou perdia em meio à
discussão, embaraçada no labirinto de argumentações pessoais das partes que se
digladiam em busca de firmar sua posição pessoal.
Um breve parêntese: é “disso”, um tipo comportamental, que
surge os atuais cultos ao personalismo; das celebridades que disputam com Deus
um lugar no palco, no trono ... tiramos o texto do seu contexto para impormos
nossa pessoalidade como verdade absoluta e universal, nasce o pretexto.
Primeiro. A discussão sobre “o cristão e a música secular”
requer muito cuidado, exatamente para não cairmos no referido erro; não podemos
“torturar o texto bíblico” e fazê-lo assumir aquilo que ele não diz.
Sobre uma fé que
nasce sob as bases do individualismo e subjetivismo
Muitos/as chegam a perder a coerência cristã na vida prática;
uma vez que a ênfase no indivíduo e conseqüentemente uma interpretação subjetiva
e particularizada das escrituras, deixa-nos vulneráveis à distorções; verdadeiros desvios, quanto à experiência do
Evangelho de Jesus Cristo. Soma-se à isso, uma fé pouco dinâmica e “eu-centrada”,
e o ânimo dobre passa a ser uma epidemia moderna (leiam Tg 4.8). Comportamento, que na
composição psíquica do indivíduo, pode vir a ser, no mínimo, favorecedor de
“bipolaridade”, ou “esquizofrenia”.
Vejam como é cada vez mais comum, que sob um mesmo assunto
ou tema, a pessoa, a cada minuto tenha um posicionamento diferenciado; não
porque amadureceu e/ou evoluiu em idéias, mas porque não consegue estabelecer
com coerência um diálogo saudável e objetivo acerca de algo. Muitos não se dão
ao trabalho: pensar! A celebridade, o referencial de sucesso, dita, e a platéia
aplaude separando o dinheiro para simplesmente aderir à tendência.
Para muitos, longe de mim generalizar, da dita idade
moderna, essa esquizofrenia cultural, sócio-econômica, política, religiosa e espiritual,
já é uma realidade. São desnutridas com relação à Verdade que alimenta e sacia
a sede por vida plena (Cf.: Jo 10.10 e Ap 21.6); desprovidas de um mínimo de espasmo
que as faça querer ser profundas e
competentes.
Nossa sociedade parece fabricar pessoas superficiais, que não
adquirem terreno sólido para edificar nada; e notem que os maiores princípios e
valores de sobrevivência, aqueles fundamentais, foram relativizados. Sujeitos
com condições limitadas de discernir o que lhes é bom, ruim, desejado,
necessidade, essencial, básico, trivial; etc. (Cf.: Pv 1.32 e Jn 4.11/ Vale a
pena estudar também o contexto de Lc 12.56).
É por isso que cada “suplemento” bíblico deve ser “ingerido”
a seu tempo, e no seu contexto – só assim proverá nutrição ao corpo: físico e
espiritual.
Outra questão
importante
O cuidado para não reduzirmos o tema a quaisquer dualismos
possível
O uso constante de “dualismos” na vida cristã, “ou-isso-ou-aquilo”, pode ser prejudicial e
inibidor de reflexão. Dualismos praticamente nos privam de experimentar os
frutos advindos de uma discussão mais ampla com relação a determinado tema;
fica cada vez mais complexo estabelecer diálogo sem os devidos aprofundamentos.
Se por um lado facilita na tomada de decisão, uma vez que são duas as opções disponíveis,
ao mesmo tempo dificulta a reflexão com relação à uma escolha, já que as
possibilidades são limitadas em 2 (dois): sim ou não.
Os textos bíblicos registrados em Mateus 5.37, e Tiago 5.12,
muitas vezes utilizados fora dos respectivos contextos, acabam atropelando os
processos que são importantes na nossa vida: maturação e desenvolvimento;
processos de Deus. E acabamos prosseguindo, incompletos, sofrendo os
“bloqueios” de um “sim” ou de um “não” que vieram à nós e/ou através de nós fora
de tempo; como que um pacote lacrado.
Certos dualismos aparecem sim na Bíblia, embora em temas,
muitas vezes, isolados. Isso é possível! Mais cedo ou mais tarde, teremos que
escolher entre “um” e/ou “outro”. No entanto, a própria Bíblia nos permite a
ampliação de possibilidades, e nos incentiva a refletir: favorece o nosso poder
de escolha na tomada de decisão, e aumenta nossas possibilidades de acerto (alguns
exemplos, dentre vários: Pv 19.2; Lc 14.25-32).
Nesse sentido (...)
A pergunta: “é
pecado: sim ou não?”, é um dualismo. Pode nos fazer incorrer, por exemplo,
no erro de Pedro e dos Apóstolos (leiam Atos 10.9 - 11.18). Muitas vezes acreditamos
estar na direção de Deus, mas aí Ele se manifesta e nos constrange à refletir
sobre nossas atitudes e à mudar pelo
menos nosso trajeto – essa é a questão: assim percebemos quando abençoamos o
que Ele amaldiçoa e o risco de amaldiçoarmos o que Ele abençoa (leiam Is
55.8-9).
Deus nos dotou com a capacidade de estabelecer diálogo e com
notável potencial para reflexão; no entanto a pergunta [é pecado: sim ou não?]
não nos deixa outra escolha, se não, responder “sim” ou “não”. Em questão de
segundos tudo estará pronto nos limites da afirmação aprovativa, sim; ou
reprovativa, não. No entanto, nem tudo se resume à isso; e enquanto isso,
muitas perguntas vão ficando sem as devidas respostas; concorda?
Complexo, não é verdade? Lembrem-se dos/as que perdem anos de
suas vidas acreditando fazer o bem e/ou o certo; derrepente são confrontados e convidados
à uma mudança radical, a se converter ao Verdadeiro Caminho (Jo 14.6 e Gl 1.9).
Pessoas que percebem, que mesmo felizes e galgando sucesso, não estavam na rota
de Deus; no trajeto que nos conduz ao centro da vontade do nosso Pai Celeste.
Lembram-se de Saulo quando perseguia os cristãos acreditando
fazer a vontade de Deus? Conforme narrativa de Atos 9 (nove), após uma
experiência profunda e verdadeira com Deus no caminho [o Saulo perseguidor precisou
ir ao chão para que um novo homem, missionário, fosse levantado], ele é chamado
à assumir outra postura; caso quisesse de fato fazer a vontade de Deus.
Mas então, como discutir temas essenciais como esses sem
incorrermos nos dois erros comuns aos cristãos? Ambos gravíssimos, primeiro: o de
nos “abrir, enquanto Igreja, ao secularismo e aderirmos ao mundanismo
desenfreado perdendo o poder de fazer a diferença (leiam Ez 22.26 e Ml 3.18; Mt
5.13)”; segundo, o contrário, nos “fecharmos nos nossos guetos e tribos, sem um
mínimo de coerência cristã nos relacionamentos interpessoais em termos de
postura frente a elementos profundos e da vida secular”.
Fico mexido com a
afirmativa de Paulo, e na minha concepção ela tem valor inestimável frente
à questões impostas aos cristãos na dita “idade pós-moderna”; observem :
Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas,
mas nem todas edificam. Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de
outrem (1Co 10.23-24).
Vejam que fantástica a estratégia de Paulo, um grande
plantador e consolidador de Igrejas. Nesse sentido bíblico, a pergunta
coerente, seria: ouvir música secular convêm e/ou edifica? É aqui que a
discussão se expande de maneira saudável, longe da mordaça do “sim” e/ou do
“não”.
O cristão e a música secular: é uma questão de conveniência e de
edificação, e não de pecado
Trabalhar no âmbito do que convém e do que edifica é
trabalhar diretamente a comunhão entre partes diferentes; é onde o plural se
manifesta. Ao passo que discutir sobre o que é pecado ou não o é, nos
transporta naturalmente à realidade onde as discussões ficam restritas à foros
íntimos – de manifestação singular, e portanto em muitos casos unilateral. Entra
agora a responsabilidade humana diante das outras pessoas; isso é o Evangelho
de Boas Novas deixado por Jesus (Leiam 1Co 10.23-33).
O discurso paulino muda o eixo da discussão; faz-nos repensar
nossa caminhada enquanto pessoas chamadas à fazer a diferença; convida-nos a
mudar o nosso foco, a fazer de Cristo nossa aspiração (Fp 3.12-14).
Percebam que ele ataca algumas bases do secularismo atual que
intentam contra a Igreja de Cristo: o egocentrismo (subjetivismo); o que
desmascara o culto à personalidade; e a redução de temas importantes à
dualismos frágeis. A resposta não é mais “sim” ou “não”, antes: convém?
edifica? E o critério para minha tomada de decisão não sou “eu mesmo”; não é o
que eu penso e/ou desejo, e muito menos o que eu
classifico como “bom”; o
critério agora é “o outro” (o diferente de mim).
O outro é o parâmetro para minha resposta e postura frente à
vida.
Leiamos os seguintes
textos bíblicos: 1Co 10.15; Tt 2.6; 1Pe 4.7; Gl 5.25 e Filipenses 1.22; Tg
4.4; 1Co 6.19; Gl 2.20 e Fil 1.21; Rm 11.36; Mt 12.33; Tg 3.12; (monte um grupo
de estudo e discussão onde todos/as leiam esses textos propostos; cada um/a ode
sinalizar o que entendeu que o texto ajuda na reflexão sobre o tema: o cristão
e a música secular).
Aprofundamentos: Sobre
a relação entre cristão e música secular
Não estamos discutindo o perigo de sofrer “influências
mundanistas”; seria mais uma vez minimizador de reflexão. Concordo que coisas
desprovidas da graça de Deus podem ser encontradas também dentro da Igreja (não
vou aprofundar essa discussão aqui pois fugiríamos do tema e o espaço não é
suficiente); e que coisas de valor podem ser achadas também fora dela! Mas a questão
não é essa; a discussão é: com quais valores quero me comprometer? E sob quais
alicerces, enquanto empreendedor do Reino, me lanço à edificação de casas e
lares? (leiam Mt 7.24-27).
Alicerces originais e profundos, ou os plágios e aqueles superficiais?
Onde busco meus referenciais para experimentar a vida abundante? De qual fonte
me aproximo para saciar minha sede? Valores sedimentados no Reino de Deus; ou
valores infinitamente variados, muitos subversivos nascidos em berço de
revoltas, os relativizados que na essência nada têm à ver com determinada lógica
e sequência de Deus para minha vida?
O alicerce de uma casa determina a altura à que posso levar
a estrutura! Se quero Deus, preciso buscar as coisas que trazem em si valores eternos,
não é isso o que a Bíblia nos sinaliza como parâmetro? (Cf.: Mt 6.21 e 2Co 4.18).
Olhar diretamente
para a fonte ou buscar em meio à enxurrada de porcarias algo que me pareça ter
valor?
Certamente preciso ir à fonte! (leiam Tg 3.12).
Nossa fonte é Jesus, sempre. A base da nossa inspiração ... Não
nos esqueçamos que o nosso Deus é Senhor de coisas originais.
Muitos dizem ter critérios bem claros para selecionar a
música secular que vão ouvir! Aquelas que falam de amor; de carinho; de belos
valores. Outros dizem que ouvem porque o grupo de convivência e identificação o
faz; mesmo sendo um escândalo para sua família ou irmãos/ãs do contexto
religioso, continua a praticar para não se sentir “um peixe fora do aquário”. Não
podemos perder de vista, que tudo isso pode ser um plágio barato do original do
Deus criador. Um discurso frágil e enganoso, bem elaborado, acrescido de
elementos atraentes, mas que muitas vezes não passam de iscas no anzol!
Responda você mesmo/a: Quantas vezes entramos em desavença
com nossos pais, pastores, amigos/as, namorados/as, por temermos fazer a
diferença no nosso espaço de convivência? E escandalizamos aqueles/as que
buscam em nós um referencial para suas vidas vazias. A verdade é que precisamos
nos comprometer com os valores do Evangelho de Jesus Cristo; à ponto de Cristo
aparecer em cada um de nossos atos (Cf.: Gl 2.20; leiam 2Co 3.2).
[Meditem em 2Co 10]
Concordo, que os parâmetros humanos são insuficientes para classificarmos
o que é bom ou ruim! Mas Deus em Jesus, o Cristo, nos orientou muito bem sobre quais
devem ser nossos parâmetros e crivos; alguns deles, dentre muitos, Paulo deixa
relatado em Fp 4.8 e Gl 5.16-26 (leiam).
Não podemos perder de vista que o ser humano é
essencialmente dotado de atributos espirituais, e que traz em sua composição o
DNA de Deus [somos criação d’Ele]; é portanto um ser religioso. Nesse caso, a
busca espiritual, o louvor e a adoração, a oração, a contemplação, a caridade, dentre
outros; são elementos inerentes à nossa natureza, e isso independente da nossa
escolha denominacional. Ao abandonarmos ou ignorarmos essa realidade, e quando
começamos à negociar esses valores, entramos numa crise existencial profunda; especialmente
porque passamos a não discernir, na luta entre carne e espírito, o que é
inerente a um e outro (Cf.: Gl 5.16-26): é onde “as naturezas” se misturam e se
confundem, e de fato, nutrir fé, esperança e amor [pilares da nossa existência]
perde todo sentido (1Co 13.13). A vida perde o sentido.
Entramos em crise e depressão [o mal do século],
principalmente quando deixamos de ser referencial de vida para nós mesmos e
para o próximo; mas quando perdemos do cerne da existência humana, a vontade de
nutrir os pilares da existência, a vida não só fica restringida à um corpo
mortal [temporal e limitado], mas se encurta num amedrontador labirinto do eu
mesmo.
Uma questão de lógica:
simples, mas longe de ser simplista (...)
Se eu deixo de ouvir tais músicas como atitude, alguns podem
não entender; mas tendem, ou pelo menos devem, respeitar minha decisão; aliás é
uma opção clara de abster-me em favor de outros/as![não quero ser fator de escândalo
e muito menos pedra de tropeço para ninguém (Mt 18.7 e 2Co 6.3)]. No entanto, se
eu ouço, posso sim escandalizar àqueles/as que fazem a opção de não ouvir;
independente de seus motivos.
Há certas coisas, que é mais saudável e coerente de minha
parte que eu me abstenha! Não só julgando se quero ou não quero, mas sim se
será bom para os/as que estão ao meu redor. Outra grande característica da
essência humana, em termos de potencial à que fomos dotados quando na criação,
é a necessidade de busca de coletividade para interação e conseqüente
desenvolvimento. No entanto, esses laços e relacionamentos, precisam ser
preservados de maneira tal que “o corpo” cresça e se desenvolva de maneira
saudável.
Algumas situações fazem dessa relação interpessoal um
desafio; uma convivência pouco saudável: o álcool, o tabaco; a fofoca, a
mentira; o palavrão, o “consumismo”, a apropriação desordenada; dentre outros (...).
É possível que sejam coisas que nunca vão matar; mas e quanto aos outros, uma
vez que temos a rodearnos tão grande nuvem de testemunhas? (Leiam Hb 12.1).
Pessoas às quais precisamos testemunhar o amor de Cristo (Cf.: At 1.8)? Qual
tem sido nossa atitude para com o próximo? De compromisso? De zelo ou
desmazelo?
A música secular é um desses elementos que pode intensificar
muito mais os níveis de limitação num relacionamento, descartando toda, ou
parcelas, da potencialidade de interação.
A conclusão foi-se
deixando evidenciar na própria dinâmica de desenvolvimento do texto; no
entanto, os próximos pequenos parágrafos, podem ser visto como a síntese do exposto
até então
Essa discussão é profundamente complexa, e o tema um
desafio, mas não podemos deixar de trabalhá-lo. Não deve ser discutido restritamente
sob parâmetros morais e/ou éticos, e muito menos em termos de “pecado”. A
questão sobre “o cristão e a música secular” precisa ser discutida sob o crivo
do Evangelho; no sentido do que eu faço com a minha vida, e como eu interajo,
uma vez que as pessoas estão olhando para mim em busca de um referencial de ânimo
[do latim animu = alma, espírito,
mente].
Nesse sentido, as perguntas: Convém? Edifica? São fundamentais, pois preciso
cuidar para que minha vocação e interação não venha a ser motivo de escândalo e
pedra de tropeço à ninguém (Mt 16.23 e 1Pe 2.8).
Precisamos permanecer ligados à videira, frutificando (leiam
Jo 15).
Pr. Antônio Luiz de Freitas Junior
Pastor responsável pela
Congregação da Igreja Metodista no Alto Independência
Igreja Metodista Central em Petrópolis/RJ
Igreja Metodista Central em Petrópolis/RJ
domingo, 25 de setembro de 2011
O Rock In Rio 2011 como uma expressão coletiva do mais variado nível de miséria do povo brasileiro
Não aos crentes, mas aos cristãos e às pessoas de bem do nosso Brasil – [1]
Uma vez que os próprios demônios crêem e tremem (Tg. 2.19b)
Por Pastor Antônio Luiz de Freitas Junior
"E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Rm 12.2)
Como se não bastasse a tanta violência às quais somos submetidos/as no cotidiano, muitas delas televisionadas pro mundo; outras com as quais, infelizmente, surpreendidos, nos encontramos; agora mais essa: o Rio de Janeiro palco desse evento grotesco e maligno; completamente desprovido da Graça de Deus. Porque não dizer, um desrespeito, e uma afronta aos cidadãos de bem do Brasil!
Não me incomoda um monte de levianos, embriagados e atolados em seus muitos vazios, buscar refúgio nesses guetos, e cavernas; era de se esperar que a esses/as fosse destinado o lixo da humanidade, como uma pequena filial que levanta a bandeira da marca de grandes restaurantes requintados que servem hoje alguns de nossos políticos corruptos. No entanto, o que me preocupa é a busca crescente e desenfreada por esses tipos de excrementos, por pessoas que deveriam na verdade lutar contra esse atraso intelectual, cronicamente digressivo.
Deixamos-nos distrair por muito pouco! Sem querer generalizar ...
Enquanto há alunos/as e professores/as, mestres/as e discípulos/as, se privando um/a do/a outro/a, abrindo mão do processo de educar e de serem educados; pais e filhos se matam, pessoas se retaliam; a saúde é precária – o acesso à cultura limitado. A miséria, em suas mais variadas formas, está instalada em todas as instâncias sociais e políticas, e no coração de cada brasileiro/a lamentavelmente como algo comum e rotineiro: Em níveis variados, mas está! Muitos/as estavam lá, no show, diante do palco para esquecer – igual a muitos que “bebem”: para esquecer!
São homens e mulheres domesticados/as que preferem se calar; adolescentes, jovens e adultos que fazem a opção de não encarar os fatos; que se acovardam diante do levante do gigante, na Bíblia chamado de “Golias” (ver 1Sm 17.23), que nesse texto eu chamo de: realidade brasileira – o mesmo que “escravos em cativeiro egípcio” (ver Ex 2.23, 3.10). Enquanto isso, os/as universitários/as que poderiam liderar os progressos, preferem financiar e se abestalhar nas festinhas da faculdade, “apaziguam” seus neurônios em crise com um copo de cerveja e/ou baseado; os fones de ouvidos no volume máximo os faz cantarolar ... “eu sou brasileiro, não desisto nunca”; com os olhos vidrados na nudez de um/a colega de sala – e a vida vai se esvaindo paulatinamente literalmente pelos dedos. Somado a um IDEB (índice do desenvolvimento da educação básica) criado e mascarado pelo próprio governo, ou por entidades e/ou pessoas ligadas ao sistema; tudo parece contribuir para que eu compre os meus ingressos. Tudo é NORMAL, não tem nada a ver mesmo! O cenário está montado para que o show seja “um sucesso”.
Deixamo-nos distrair por muito pouco! Sem querer generalizar ...
Diante do futebol, do samba, do Big Brother, da cerveja, uma mulher ou um homem nu, do Rock in Rio, dentre outros; muitos/as de nós se prostram em sinal de respeito e/ou devoção - reverência. Literalmente paramos nossas vidas quando compramos “os ingressos para esse estilo de vida”, estacionamos e deixamos de progredir, embasbacados/as com a grandeza de uma estrutura favorecedora de morte. É por isso que “assistimos”, com os olhos bem abertos, as constantes falências múltiplas no corpo humano, em nível pessoal e consequenetemente coletivo, ou vice-versa: do pudor, do respeito, da moral e da ética, dos bons costumes, da comunhão. Coisas pequenas diante do sepultamento das famílias, do ensino de qualidade nas Escolas, o declínio constante da Igreja, e a ascensão das mídias áudio-visuais como uma tremenda ferramenta de manutenção desse sistema iníquo; que faz tudo parecer “inerente ao ser sujeito homem ou mulher”, tudo parece ser normal.
O câncer não está só nos detentores do poder do Império que ainda não foi derribado – e nem é uma metástase que começou com esses. Está também no povo simples, e através dele também se propaga; que não faz nada a respeito, não se incomoda mais com os sinais de morte que fadiga e retalia nosso corpo comum, que se alimenta de nós. Prostituimos nossa fé, devemos admitir que ela está abalada e que à colocamos à venda. Adulteramos a ordem original dada por Deus; nos aliançamos com a imoralidade nos muitos motéis da vida, nos “postos de parada, para dar uma relaxada”, abertos com as quinas da modernidade. Na cama e na hidromassagem extasiados, alimentando nossa luxúria e ânsia de consumo, impulsivos, compulsivos, ingênuos/as, contamos nossos segredos à Dalila que nos entregou ao nosso maior inimigo (ver Jz 16.19): o Caos.
Não me desvio do fato já qualificado para todos/as, que muitos que se dizem cristãos, não só buscam esses espaços de presença decaída como fuga de suas frustrações pessoais, e aos shows, e as drogas, como um meio de resignificar suas vidas; mas também a imoralidade como compensação da crise moderna introjetada e assimilada: de angústia, depressão, corrupção, violência, valores empobrecidos, simplismo, anarquismo, individualismo; e o capitalismo com sua lógica de lucro e acúmulo; dentre outros. Os fatores que movem cada pessoa são variados, os motivos nem se fala; mas o palco é sempre o mesmo, e o nome do espetáculo também: assistindo a morte dançar!
Embora nossa história não possa ser descrita e/ou pintada linearmente, pois acontece em processos paralelos, tudo isso que nós vivemos hoje está ligado a um único fio condutor: O afastamento opcional do ser humano de Deus; muitos/as perderam o referencial e decaíram na ordem natural do próprio Criador: “fomos criados à imagem e semelhança de Deus” (Cf.: Gn 1.27; e ver seguintes textos - Rm 1; Gl 5.4; ). Já não é mais “o encantador” que, com uma flauta, domina a serpente do balaio de palha numa feira livre - para chamar a atenção de um grupo de curiosos/as distraídos/as. Entramos no balaio e estamos em transe bem no meio da feira, encantados/as; o animal vem dominando. Somos fregueses da cobra que nos põe para dançar, sermos empurrados pela vida - O bicho sobrepuja o racional, o instinto assassina qualquer capacidade de estabelecermos com um mínimo de coerência o que devemos aceitar e/ou o que devemos rejeitar.
Deixamo-nos distrair pelo Rock In Rio? Sem querer generalizar ...
No primeiro dia [imagine os seguintes com os ânimos alterados], com aproximadamente 100.000 (cem mil) pessoas, enquanto a platéia pedia delirantemente sua anestesia contra a realidade, no palco do Rock In Rio duas mulheres se beijam na boca, para o mundo; outra, com todos os requintes de “mais uma atração internacional”, diga-se lixo importado, se esfrega no “homem-fã” que já está sem camisa; no palco ou na platéia, todos/as se drogando! Quando não com drogas lícitas e/ou ilícitas, com a substância cerebral liberada quando estamos diante do proibido; com adrenalina liberada pelo cérebro despertado pelo poder fascinante do “estou no espetáculo”. Só que esse é a exaltação do banal e do ridículo, acabamos dependentes disso. Depois da ressaca, a chegada do boleto do cartão de crédito, ou quando nos damos conta o quanto gastamos do nosso salário, das perdas na saúde e/ou na família, danos pessoais e/ou coletivos, não é difícil perceber como foi tolo optar por participar de tais ambientes.
Estamos viciados/as, frustrados/as sim, mas querendo saber quando e onde vai acontecer o próximo – descontrolados/as, queremos sempre mais. Não é esse o mesmo comportamento inerente a um bando de cães, alguns bem cuidados outros maltrapilhos, quando sentem de longe que uma cadela entrou no cio? (ver Provérbios 26.11). Ao meu ver, alcançamos nossos limites, para cima e para baixo, só nos resta agora “voltar” dessa overdose, acordar desse sono, e nos orientar para A Luz; porque na Luz não há tropeços (Jo 11.9).
Nós cristãos principalmente, precisamos resgatar o amor por contagiar pessoas pelo bom testemunho, enquanto despenseiros da multiforme graça de Deus (Cf.: 1 Pe 4.10). Especialmente, nesse contexto, entender que há coisas que não convém aos/às filhos/as de Deus (leiam Mt 18.7; 1Co 10.23). Precisamos dar vazão ao Espírito Santo, para que flua em nós e através de nós o genuíno amor de Deus; aí poderemos impactar a vida de pessoas que estão ao nosso redor com as marcas de Cristo (Cf.: Gl 6.17). Precisamos cuidar para que as marcas em nós sejam verdadeiramente conforme as do ministério de Paulo; um missionário plantador de Igrejas que deixou como exemplo as marcas de sujeição à Deus, e do serviço na edificação do Reino (Cf.: Rm 6.12; 1Co 6.20).
Precisamos fazer a diferença (Cf.: Mt 11.12 ): um protesto claro contra o Rock In Rio!
Muitos/as podem rotular o presente texto como “um compêndio de moralismo”, frágil e/ou apologético; ou até mesmo proselitista. Outros/as achá-lo descabido por se tratar de “efeitos” e não de “causas reais” que nos movem à uma diferença efetiva; “uma leitura pessoal pessimista, que surge de uma percepção isolada”; dentre outros.
Sem nenhuma intenção de vitimização, existe hoje, como já foi sinalizado por alguns/mas colegas, uma tendência de sermos contaminados por algumas fobias: “pastor-fobia”, “eclesio-fobia” (ou igreja-fobia), bíblia-fobia [me perdoe tantos neologismos]. O que leva muitos/as a desconsiderarem a razão e a coerência no discurso do Evangelho de Boas Novas apregoado por Jesus Cristo; a esperança possível n’Ele como Único e Eterno salvador de toda vida. O Caminho possível a ser tomado para que possamos anular de fato os sinais de morte, que hoje, e cada vez mais intensamente, afligem a Criação de Deus (ver Gn 1.2; Jo 14.6).
Gostaria de fazer um apelo aos cristãos, e às pessoas de bem. Que lutemos por resgatar a dignidade da vida humana do povo brasileiro. Precisamos deixar de ser contados como mero “ibope” nessas “programações mundanistas” (festas que não só não alimentam a carne, como degenera essa mesma); platéia inerte de uma vida que vai embora ao ritmo dos bumbos da mediocridade. Pode não resolver o todo da discussão em voga, mas é um começo, outras atitudes coerentes serão necessárias; no entanto, subindo um degrau de cada vez, creio que por meio de Jesus Cristo, através d’Ele, poderemos alcançar o topo na escalada.
Precisamos lutar pelo direito comum à vida plena; pela boa, perfeita e agradável vontade de Deus seja manifesta ao mundo. Só é possível quando não há conformação com a realidade, mediante a renovação da nossa mente (Cf.: Rm 12.2). Vamos fazer a diferença quando nos pronunciarmos e reagirmos efetivamente contra o sistema opressor; engajar-nos de fato numa luta favorável à vida abundante (Jo 10.10b), de equidade, para que a manifestação real do amor de Deus, bem como a salvação em Jesus Cristo, seja uma realidade a todos/as.
Pr. Antônio Luiz de Freitas Junior
Pastor da Congregação da Igreja Metodista
Alto Independência - Petrópolis/RJ
Uma vez que os próprios demônios crêem e tremem (Tg. 2.19b)
Por Pastor Antônio Luiz de Freitas Junior
"E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Rm 12.2)
Como se não bastasse a tanta violência às quais somos submetidos/as no cotidiano, muitas delas televisionadas pro mundo; outras com as quais, infelizmente, surpreendidos, nos encontramos; agora mais essa: o Rio de Janeiro palco desse evento grotesco e maligno; completamente desprovido da Graça de Deus. Porque não dizer, um desrespeito, e uma afronta aos cidadãos de bem do Brasil!
Não me incomoda um monte de levianos, embriagados e atolados em seus muitos vazios, buscar refúgio nesses guetos, e cavernas; era de se esperar que a esses/as fosse destinado o lixo da humanidade, como uma pequena filial que levanta a bandeira da marca de grandes restaurantes requintados que servem hoje alguns de nossos políticos corruptos. No entanto, o que me preocupa é a busca crescente e desenfreada por esses tipos de excrementos, por pessoas que deveriam na verdade lutar contra esse atraso intelectual, cronicamente digressivo.
Deixamos-nos distrair por muito pouco! Sem querer generalizar ...
Enquanto há alunos/as e professores/as, mestres/as e discípulos/as, se privando um/a do/a outro/a, abrindo mão do processo de educar e de serem educados; pais e filhos se matam, pessoas se retaliam; a saúde é precária – o acesso à cultura limitado. A miséria, em suas mais variadas formas, está instalada em todas as instâncias sociais e políticas, e no coração de cada brasileiro/a lamentavelmente como algo comum e rotineiro: Em níveis variados, mas está! Muitos/as estavam lá, no show, diante do palco para esquecer – igual a muitos que “bebem”: para esquecer!
São homens e mulheres domesticados/as que preferem se calar; adolescentes, jovens e adultos que fazem a opção de não encarar os fatos; que se acovardam diante do levante do gigante, na Bíblia chamado de “Golias” (ver 1Sm 17.23), que nesse texto eu chamo de: realidade brasileira – o mesmo que “escravos em cativeiro egípcio” (ver Ex 2.23, 3.10). Enquanto isso, os/as universitários/as que poderiam liderar os progressos, preferem financiar e se abestalhar nas festinhas da faculdade, “apaziguam” seus neurônios em crise com um copo de cerveja e/ou baseado; os fones de ouvidos no volume máximo os faz cantarolar ... “eu sou brasileiro, não desisto nunca”; com os olhos vidrados na nudez de um/a colega de sala – e a vida vai se esvaindo paulatinamente literalmente pelos dedos. Somado a um IDEB (índice do desenvolvimento da educação básica) criado e mascarado pelo próprio governo, ou por entidades e/ou pessoas ligadas ao sistema; tudo parece contribuir para que eu compre os meus ingressos. Tudo é NORMAL, não tem nada a ver mesmo! O cenário está montado para que o show seja “um sucesso”.
Deixamo-nos distrair por muito pouco! Sem querer generalizar ...
Diante do futebol, do samba, do Big Brother, da cerveja, uma mulher ou um homem nu, do Rock in Rio, dentre outros; muitos/as de nós se prostram em sinal de respeito e/ou devoção - reverência. Literalmente paramos nossas vidas quando compramos “os ingressos para esse estilo de vida”, estacionamos e deixamos de progredir, embasbacados/as com a grandeza de uma estrutura favorecedora de morte. É por isso que “assistimos”, com os olhos bem abertos, as constantes falências múltiplas no corpo humano, em nível pessoal e consequenetemente coletivo, ou vice-versa: do pudor, do respeito, da moral e da ética, dos bons costumes, da comunhão. Coisas pequenas diante do sepultamento das famílias, do ensino de qualidade nas Escolas, o declínio constante da Igreja, e a ascensão das mídias áudio-visuais como uma tremenda ferramenta de manutenção desse sistema iníquo; que faz tudo parecer “inerente ao ser sujeito homem ou mulher”, tudo parece ser normal.
O câncer não está só nos detentores do poder do Império que ainda não foi derribado – e nem é uma metástase que começou com esses. Está também no povo simples, e através dele também se propaga; que não faz nada a respeito, não se incomoda mais com os sinais de morte que fadiga e retalia nosso corpo comum, que se alimenta de nós. Prostituimos nossa fé, devemos admitir que ela está abalada e que à colocamos à venda. Adulteramos a ordem original dada por Deus; nos aliançamos com a imoralidade nos muitos motéis da vida, nos “postos de parada, para dar uma relaxada”, abertos com as quinas da modernidade. Na cama e na hidromassagem extasiados, alimentando nossa luxúria e ânsia de consumo, impulsivos, compulsivos, ingênuos/as, contamos nossos segredos à Dalila que nos entregou ao nosso maior inimigo (ver Jz 16.19): o Caos.
Não me desvio do fato já qualificado para todos/as, que muitos que se dizem cristãos, não só buscam esses espaços de presença decaída como fuga de suas frustrações pessoais, e aos shows, e as drogas, como um meio de resignificar suas vidas; mas também a imoralidade como compensação da crise moderna introjetada e assimilada: de angústia, depressão, corrupção, violência, valores empobrecidos, simplismo, anarquismo, individualismo; e o capitalismo com sua lógica de lucro e acúmulo; dentre outros. Os fatores que movem cada pessoa são variados, os motivos nem se fala; mas o palco é sempre o mesmo, e o nome do espetáculo também: assistindo a morte dançar!
Embora nossa história não possa ser descrita e/ou pintada linearmente, pois acontece em processos paralelos, tudo isso que nós vivemos hoje está ligado a um único fio condutor: O afastamento opcional do ser humano de Deus; muitos/as perderam o referencial e decaíram na ordem natural do próprio Criador: “fomos criados à imagem e semelhança de Deus” (Cf.: Gn 1.27; e ver seguintes textos - Rm 1; Gl 5.4; ). Já não é mais “o encantador” que, com uma flauta, domina a serpente do balaio de palha numa feira livre - para chamar a atenção de um grupo de curiosos/as distraídos/as. Entramos no balaio e estamos em transe bem no meio da feira, encantados/as; o animal vem dominando. Somos fregueses da cobra que nos põe para dançar, sermos empurrados pela vida - O bicho sobrepuja o racional, o instinto assassina qualquer capacidade de estabelecermos com um mínimo de coerência o que devemos aceitar e/ou o que devemos rejeitar.
Deixamo-nos distrair pelo Rock In Rio? Sem querer generalizar ...
No primeiro dia [imagine os seguintes com os ânimos alterados], com aproximadamente 100.000 (cem mil) pessoas, enquanto a platéia pedia delirantemente sua anestesia contra a realidade, no palco do Rock In Rio duas mulheres se beijam na boca, para o mundo; outra, com todos os requintes de “mais uma atração internacional”, diga-se lixo importado, se esfrega no “homem-fã” que já está sem camisa; no palco ou na platéia, todos/as se drogando! Quando não com drogas lícitas e/ou ilícitas, com a substância cerebral liberada quando estamos diante do proibido; com adrenalina liberada pelo cérebro despertado pelo poder fascinante do “estou no espetáculo”. Só que esse é a exaltação do banal e do ridículo, acabamos dependentes disso. Depois da ressaca, a chegada do boleto do cartão de crédito, ou quando nos damos conta o quanto gastamos do nosso salário, das perdas na saúde e/ou na família, danos pessoais e/ou coletivos, não é difícil perceber como foi tolo optar por participar de tais ambientes.
Estamos viciados/as, frustrados/as sim, mas querendo saber quando e onde vai acontecer o próximo – descontrolados/as, queremos sempre mais. Não é esse o mesmo comportamento inerente a um bando de cães, alguns bem cuidados outros maltrapilhos, quando sentem de longe que uma cadela entrou no cio? (ver Provérbios 26.11). Ao meu ver, alcançamos nossos limites, para cima e para baixo, só nos resta agora “voltar” dessa overdose, acordar desse sono, e nos orientar para A Luz; porque na Luz não há tropeços (Jo 11.9).
Nós cristãos principalmente, precisamos resgatar o amor por contagiar pessoas pelo bom testemunho, enquanto despenseiros da multiforme graça de Deus (Cf.: 1 Pe 4.10). Especialmente, nesse contexto, entender que há coisas que não convém aos/às filhos/as de Deus (leiam Mt 18.7; 1Co 10.23). Precisamos dar vazão ao Espírito Santo, para que flua em nós e através de nós o genuíno amor de Deus; aí poderemos impactar a vida de pessoas que estão ao nosso redor com as marcas de Cristo (Cf.: Gl 6.17). Precisamos cuidar para que as marcas em nós sejam verdadeiramente conforme as do ministério de Paulo; um missionário plantador de Igrejas que deixou como exemplo as marcas de sujeição à Deus, e do serviço na edificação do Reino (Cf.: Rm 6.12; 1Co 6.20).
Precisamos fazer a diferença (Cf.: Mt 11.12 ): um protesto claro contra o Rock In Rio!
Muitos/as podem rotular o presente texto como “um compêndio de moralismo”, frágil e/ou apologético; ou até mesmo proselitista. Outros/as achá-lo descabido por se tratar de “efeitos” e não de “causas reais” que nos movem à uma diferença efetiva; “uma leitura pessoal pessimista, que surge de uma percepção isolada”; dentre outros.
Sem nenhuma intenção de vitimização, existe hoje, como já foi sinalizado por alguns/mas colegas, uma tendência de sermos contaminados por algumas fobias: “pastor-fobia”, “eclesio-fobia” (ou igreja-fobia), bíblia-fobia [me perdoe tantos neologismos]. O que leva muitos/as a desconsiderarem a razão e a coerência no discurso do Evangelho de Boas Novas apregoado por Jesus Cristo; a esperança possível n’Ele como Único e Eterno salvador de toda vida. O Caminho possível a ser tomado para que possamos anular de fato os sinais de morte, que hoje, e cada vez mais intensamente, afligem a Criação de Deus (ver Gn 1.2; Jo 14.6).
Gostaria de fazer um apelo aos cristãos, e às pessoas de bem. Que lutemos por resgatar a dignidade da vida humana do povo brasileiro. Precisamos deixar de ser contados como mero “ibope” nessas “programações mundanistas” (festas que não só não alimentam a carne, como degenera essa mesma); platéia inerte de uma vida que vai embora ao ritmo dos bumbos da mediocridade. Pode não resolver o todo da discussão em voga, mas é um começo, outras atitudes coerentes serão necessárias; no entanto, subindo um degrau de cada vez, creio que por meio de Jesus Cristo, através d’Ele, poderemos alcançar o topo na escalada.
Precisamos lutar pelo direito comum à vida plena; pela boa, perfeita e agradável vontade de Deus seja manifesta ao mundo. Só é possível quando não há conformação com a realidade, mediante a renovação da nossa mente (Cf.: Rm 12.2). Vamos fazer a diferença quando nos pronunciarmos e reagirmos efetivamente contra o sistema opressor; engajar-nos de fato numa luta favorável à vida abundante (Jo 10.10b), de equidade, para que a manifestação real do amor de Deus, bem como a salvação em Jesus Cristo, seja uma realidade a todos/as.
Pr. Antônio Luiz de Freitas Junior
Pastor da Congregação da Igreja Metodista
Alto Independência - Petrópolis/RJ
terça-feira, 30 de agosto de 2011
ESTAMOS CARENTES DE COISAS ESSENCIALMENTE BOAS
“Estamos carentes de coisas, essencialmente, boas!” – Ressoa do púlpito minha primeira frase do sermão de domingo à noite; diante dos olhares atentos, e agora espantados, da congregação, que imaginava estar servida de tantas coisas boas pela sociedade moderna que o fato de ouvir o contrário é tido como loucura aos seus ouvidos. Afinal, basta ligar a TV para ser inundado de propostas mais que boas, excelentes e imperdíveis, que insistem para nos dar a sensação de que tudo que adquirirmos é bom, enquanto tudo que temos pode, e deve ser substituído.
Noutro dia, eu me metia a dar conselhos nutricionais a um amigo que gostava muito de beber refrigerantes, porém lutava contra a obesidade e, por decorrência desta, de pressão alta. Disse a ele, na minha ignorância inocente, que uma boa solução seria, então, beber refrigerantes diet, pois os mesmos não possuem açúcar.
Ainda não lhes falei, mas minha esposa é nutricionista e pesquisadora da área da saúde humana. Então, cheguei até ela e contei a contribuição que eu havia dado para a vida de meu amigo. Fiquei surpreso com a resposta de minha esposa que disse que o refrigerante diet realmente não possui açúcar, entretanto possui quase o dobro de sódio e isto seria terrível para a pressão arterial de meu amigo.
Com este caso aprendi duas grandes lições. A primeira foi a de não me meter a falar sobre aquilo que não estou preparado. A segunda foi que estamos carentes de coisas essencialmente boas!
Nem mesmo os nossos vegetais são mais confiáveis. A terra não está falhando, porém o homem, em sua necessidade de produzir tanto a mais, multiplica os agrotóxicos ao ponto de ao comermos um tomate não sabermos se suas boas vitaminas ainda resistem frente aos venenos que são depositados sobre os mesmos.
A tecnologia é boa, mas por causa dela muitas pessoas perderam seus empregos e ficaram impossibilitadas de sustentarem suas famílias. As indústrias são tão boas que nos permitem vivermos diversos benefícios e confortos, em troca disso poluem nosso ar, contaminam nosso solo e não sabemos se os avanços que nos proporcionaram equivalem aos prejuízos causados para nossa própria saúde.
Hoje vemos um fenômeno tão triste, que tem se tornado cada vez mais comum, de homens e mulheres que trabalham sua vida inteira, ganham muito ou pouco dinheiro, e ao se aposentarem gastam tudo que ganharam com tratamentos médicos, com remédios, para curar as doenças adquiridas durante toda a vida em seus próprios locais de trabalho.
Estamos carentes de coisas que nos sarem completamente e não de remédios que curem uma doença e adoeçam outra parte do corpo. Precisamos de valores que façam um bem perene à nossa alma e não destes que nos satisfazem momentaneamente e nos envergonham eternamente.
Necessitamos de atitudes que façam a vida evoluir por inteiro. Chega de tecnologia que avança as comunicações, o transporte, a medicina, mas retrocede, ao mesmo tempo, a moral, a ética, a saúde e a dignidade humana. Chega também de ações que são boas apenas para alguns seres humanos e crescem em função da miséria de outros seres humanos.
Como alguém que segue o caminho de formação de um teólogo, quero apresentar um valor e propor um modo de vida essencialmente bom. E para isto recorro à minha regra de fé, a qual considero como manual de instrução de todo ser humano: a Bíblia.
A Bíblia, o manual da vida, assim como o manual de instrução de tantos eletrodomésticos, muitas vezes é deixado de lado e recorre-se a ele apenas quando há algum problema de funcionamento. Pois bem, a mim parece-me ser este o momento. Algo está errado, recorramos ao nosso manual, deixando claro que se já estivéssemos sob suas recomendações, muitos problemas já poderiam ter sido evitados.
O Salmo 133 nos fala de um princípio bom em nível profundo, em sua essência. Viver em união com os irmãos é essencialmente bom. E esta é uma proposta de vida que vai de encontro à nossa atual formação ideológica. Cada vez mais individual e sectário, o homem e a mulher moderna precisam se esforçar para ter uma vida de união com outra pessoa.
Já percebeu como os seres humanos tem estado cada vez mais isolados uns dos outros? A comunicação criada para aproximar as pessoas tem possibilitado a ilusão de que estamos sempre pertos uns dos outros, embora a distância real seja, na verdade, enorme. Sempre dizemos que a qualquer momento podemos pegar um avião ou um ônibus e irmos nos encontrar com nossos amigos e familiares. Porém, nosso ativismo e nossa agenda, sempre apertada nunca nos permite tirar um tempo para sentirmos o toque daqueles (que um dia foram) realmente próximos.
Vivemos em busca de ser bem-sucedido. Mas que sucesso é este que quando alcançado muitos se vêem completamente sozinhos. O problema está no fato de pensarmos que ser bem-sucedido está ligado apenas à área financeira. E ao buscarmos esse sucesso capitalista precisamos abrir mão de muitos valores, sem os quais não somos plenamente felizes.
Ouvi uma frase que dizia que “filho bem-sucedido é uma faca de dois gumes”, ao mesmo tempo que se está feliz por seu sucesso você se vê sem ele, pois neste mundo globalizado, onde o longe finge que é perto, muitas vezes eles vão para bem longe para alcançar o sucesso e os pais se separam dos filhos para serem bem-sucedidos.
Mas este preço precisa ser pago? Isto é realmente bom? O preço do sucesso é este? Preciso abrir mão da companhia de meus amigos e familiares para ser bem-sucedido? Sou a favor do equilíbrio, quero crescer em minha profissão, mas equilibrado, sem abrir mão dos valores éticos e morais que valorizam a vida e a comunhão com meus irmãos.
Outra proposta essencialmente boa está na carta de S. Paulo aos Romanos 12.2. Neste texto o apóstolo nos fala da vontade de Deus que é boa, perfeita e agradável. E que para podermos experimentá-la precisamos nos transformar pela renovação da nossa mente e sem ganhar a forma do mundo. Forma esta que é capitalista, individualista e todo relativo. O único absoluto da sociedade moderna é que tudo é relativo. Mas não posso tomar esta forma do mundo. Preciso, por vezes, nadar contra a correnteza deste rio que cresce cada vez mais e luta por afogar todos que não estão indo contra a sua forma.
Eu quero aquilo que é realmente bom. Eu quero a vontade de Deus para minha vida, vivendo em comunhão com meus irmãos! Que aquele que morreu na cruz, mas ressuscitou ao terceiro dia, Jesus, nos dê força e entendimento da sua vontade que é perfeita, agradável e boa para minha e para tua vida!
Hugo Gonçalves de Freitas
Sem. da Igreja Metodista -
Faculdade de Teologia da Igreja Metodista de São Paulo (UMESP)
Noutro dia, eu me metia a dar conselhos nutricionais a um amigo que gostava muito de beber refrigerantes, porém lutava contra a obesidade e, por decorrência desta, de pressão alta. Disse a ele, na minha ignorância inocente, que uma boa solução seria, então, beber refrigerantes diet, pois os mesmos não possuem açúcar.
Ainda não lhes falei, mas minha esposa é nutricionista e pesquisadora da área da saúde humana. Então, cheguei até ela e contei a contribuição que eu havia dado para a vida de meu amigo. Fiquei surpreso com a resposta de minha esposa que disse que o refrigerante diet realmente não possui açúcar, entretanto possui quase o dobro de sódio e isto seria terrível para a pressão arterial de meu amigo.
Com este caso aprendi duas grandes lições. A primeira foi a de não me meter a falar sobre aquilo que não estou preparado. A segunda foi que estamos carentes de coisas essencialmente boas!
Nem mesmo os nossos vegetais são mais confiáveis. A terra não está falhando, porém o homem, em sua necessidade de produzir tanto a mais, multiplica os agrotóxicos ao ponto de ao comermos um tomate não sabermos se suas boas vitaminas ainda resistem frente aos venenos que são depositados sobre os mesmos.
A tecnologia é boa, mas por causa dela muitas pessoas perderam seus empregos e ficaram impossibilitadas de sustentarem suas famílias. As indústrias são tão boas que nos permitem vivermos diversos benefícios e confortos, em troca disso poluem nosso ar, contaminam nosso solo e não sabemos se os avanços que nos proporcionaram equivalem aos prejuízos causados para nossa própria saúde.
Hoje vemos um fenômeno tão triste, que tem se tornado cada vez mais comum, de homens e mulheres que trabalham sua vida inteira, ganham muito ou pouco dinheiro, e ao se aposentarem gastam tudo que ganharam com tratamentos médicos, com remédios, para curar as doenças adquiridas durante toda a vida em seus próprios locais de trabalho.
Estamos carentes de coisas que nos sarem completamente e não de remédios que curem uma doença e adoeçam outra parte do corpo. Precisamos de valores que façam um bem perene à nossa alma e não destes que nos satisfazem momentaneamente e nos envergonham eternamente.
Necessitamos de atitudes que façam a vida evoluir por inteiro. Chega de tecnologia que avança as comunicações, o transporte, a medicina, mas retrocede, ao mesmo tempo, a moral, a ética, a saúde e a dignidade humana. Chega também de ações que são boas apenas para alguns seres humanos e crescem em função da miséria de outros seres humanos.
Como alguém que segue o caminho de formação de um teólogo, quero apresentar um valor e propor um modo de vida essencialmente bom. E para isto recorro à minha regra de fé, a qual considero como manual de instrução de todo ser humano: a Bíblia.
A Bíblia, o manual da vida, assim como o manual de instrução de tantos eletrodomésticos, muitas vezes é deixado de lado e recorre-se a ele apenas quando há algum problema de funcionamento. Pois bem, a mim parece-me ser este o momento. Algo está errado, recorramos ao nosso manual, deixando claro que se já estivéssemos sob suas recomendações, muitos problemas já poderiam ter sido evitados.
O Salmo 133 nos fala de um princípio bom em nível profundo, em sua essência. Viver em união com os irmãos é essencialmente bom. E esta é uma proposta de vida que vai de encontro à nossa atual formação ideológica. Cada vez mais individual e sectário, o homem e a mulher moderna precisam se esforçar para ter uma vida de união com outra pessoa.
Já percebeu como os seres humanos tem estado cada vez mais isolados uns dos outros? A comunicação criada para aproximar as pessoas tem possibilitado a ilusão de que estamos sempre pertos uns dos outros, embora a distância real seja, na verdade, enorme. Sempre dizemos que a qualquer momento podemos pegar um avião ou um ônibus e irmos nos encontrar com nossos amigos e familiares. Porém, nosso ativismo e nossa agenda, sempre apertada nunca nos permite tirar um tempo para sentirmos o toque daqueles (que um dia foram) realmente próximos.
Vivemos em busca de ser bem-sucedido. Mas que sucesso é este que quando alcançado muitos se vêem completamente sozinhos. O problema está no fato de pensarmos que ser bem-sucedido está ligado apenas à área financeira. E ao buscarmos esse sucesso capitalista precisamos abrir mão de muitos valores, sem os quais não somos plenamente felizes.
Ouvi uma frase que dizia que “filho bem-sucedido é uma faca de dois gumes”, ao mesmo tempo que se está feliz por seu sucesso você se vê sem ele, pois neste mundo globalizado, onde o longe finge que é perto, muitas vezes eles vão para bem longe para alcançar o sucesso e os pais se separam dos filhos para serem bem-sucedidos.
Mas este preço precisa ser pago? Isto é realmente bom? O preço do sucesso é este? Preciso abrir mão da companhia de meus amigos e familiares para ser bem-sucedido? Sou a favor do equilíbrio, quero crescer em minha profissão, mas equilibrado, sem abrir mão dos valores éticos e morais que valorizam a vida e a comunhão com meus irmãos.
Outra proposta essencialmente boa está na carta de S. Paulo aos Romanos 12.2. Neste texto o apóstolo nos fala da vontade de Deus que é boa, perfeita e agradável. E que para podermos experimentá-la precisamos nos transformar pela renovação da nossa mente e sem ganhar a forma do mundo. Forma esta que é capitalista, individualista e todo relativo. O único absoluto da sociedade moderna é que tudo é relativo. Mas não posso tomar esta forma do mundo. Preciso, por vezes, nadar contra a correnteza deste rio que cresce cada vez mais e luta por afogar todos que não estão indo contra a sua forma.
Eu quero aquilo que é realmente bom. Eu quero a vontade de Deus para minha vida, vivendo em comunhão com meus irmãos! Que aquele que morreu na cruz, mas ressuscitou ao terceiro dia, Jesus, nos dê força e entendimento da sua vontade que é perfeita, agradável e boa para minha e para tua vida!
Hugo Gonçalves de Freitas
Sem. da Igreja Metodista -
Faculdade de Teologia da Igreja Metodista de São Paulo (UMESP)
terça-feira, 28 de junho de 2011
Semente da Vida
Texto para reflexão - Mateus 13.1-8
Sobre a Parábola do Semeador
Naquele mesmo dia, saindo Jesus de casa, assentou-se à beira-mar; e grandes multidões se reuniram perto dele, de modo que entrou num barco e se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia. E de muitas coisas lhes falou por parábolas e dizia: Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram. Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se. Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram. Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um. Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça.
Neste texto tão rico de detalhes, já perdi a conta dos ensinamentos que acrescentei à minha caminhada cristã ao meditar nestas sábias palavras de Jesus. Mostrando mais uma vez a vitalidade da Palavra de Deus, vemos a proposta de geração de Vida que o texto nos faz.
Imaginemos que Jesus é o Senhor da seara e que nós, seus discípulos, somos seus colaboradores, na expansão do reino de Deus. A semente é o evangelho – do grego euangelion quer dizer nova notícia – que semeamos nos corações daqueles que não conhecem a boa notícia da salvação, de graça, em Jesus Cristo.
O texto de Mateus 13.1-8 mostra-nos que a semente bem sucedida foi aquela que germinou e gerou frutos, os quais representam a continuidade e a vida daquela pequena semente. Assim, evangelho bem sucedido é aquele que gera vida e se prolonga na vida de outras pessoas.
Percebe-se que a semente foi a mesma lançada em cada tipo de solo, que Jesus diz ser o coração das pessoas, todavia cada semente obteve uma recepção diferente em cada solo específico.
Vivemos dias em que se prega que o evangelho bem sucedido é aquele que enche as igrejas. Porém as ações de muitas pessoas que lotam os templos são como daqueles que recebendo a semente permitiram que as aves do céu a comessem e a semente não gerou vida neles. Jesus diz no verso 19, que o maligno vem e arranca a semente, arranca a possibilidade de nova Vida deste que a recebeu.
Caminhamos ainda sobre um terreno onde há muita alegria dentro do mundo gospel. O evangelho traz alegria, sem dúvida. Mas o evangelho de Jesus não dá alegria com o fim em si mesma, a alegria de Cristo é resultante da Vida nova que o evangelho nos proporciona. Assim é a pessoa descrita nos versículos 20 e 21 que cultiva mal a semente e assim ela não consegue criar uma raiz forte que lhe seja capaz de dar Vida que vai além da alegria.
Há ainda homens e mulheres que recebem o evangelho, mas estão de tal maneira envolvidos com seu objetivo de cultivarem muitos frutos deste mundo, que se esquecem de cultivar a semente que gera Vida e que, quando germinada como prioridade em nossos corações, acrescenta todos as outras virtudes. Como Jesus nos ensina em Mateus 6.33: “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.
Mas há também em nosso meio aqueles que recebem a semente da Vida do evangelho e, com muito cuidado, enriquecem o solo, espantam as aves que querem comê-la, regam para que suas raízes sejam profundas e então vêem a vida, os frutos, brotarem em uma proporção sempre muito maior àquela pequena semente original.
Evangelho é Vida que gera Vida nova, Vida plena e abundante no coração daqueles que estão dispostos a trabalhar pela manutenção da semente no solo de sua existência. Vida que vai além da alegria e das emoções e abrange toda nossa força, todo nosso entendimento e todo nosso coração.
Jesus Cristo, o Senhor da seara, está sempre perto, pronto a nos ajudar neste desafio e a nos oferecer novas sementes de Vida para semearmos nos corações do mundo. Que estejamos dispostos a trabalhar nesta boa obra, cultivando o solo de nosso próprio ser para honra e glória do Senhor da seara e salvação de nossa alma.
Sobre a Parábola do Semeador
Naquele mesmo dia, saindo Jesus de casa, assentou-se à beira-mar; e grandes multidões se reuniram perto dele, de modo que entrou num barco e se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia. E de muitas coisas lhes falou por parábolas e dizia: Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram. Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se. Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram. Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um. Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça.
Neste texto tão rico de detalhes, já perdi a conta dos ensinamentos que acrescentei à minha caminhada cristã ao meditar nestas sábias palavras de Jesus. Mostrando mais uma vez a vitalidade da Palavra de Deus, vemos a proposta de geração de Vida que o texto nos faz.
Imaginemos que Jesus é o Senhor da seara e que nós, seus discípulos, somos seus colaboradores, na expansão do reino de Deus. A semente é o evangelho – do grego euangelion quer dizer nova notícia – que semeamos nos corações daqueles que não conhecem a boa notícia da salvação, de graça, em Jesus Cristo.
O texto de Mateus 13.1-8 mostra-nos que a semente bem sucedida foi aquela que germinou e gerou frutos, os quais representam a continuidade e a vida daquela pequena semente. Assim, evangelho bem sucedido é aquele que gera vida e se prolonga na vida de outras pessoas.
Percebe-se que a semente foi a mesma lançada em cada tipo de solo, que Jesus diz ser o coração das pessoas, todavia cada semente obteve uma recepção diferente em cada solo específico.
Vivemos dias em que se prega que o evangelho bem sucedido é aquele que enche as igrejas. Porém as ações de muitas pessoas que lotam os templos são como daqueles que recebendo a semente permitiram que as aves do céu a comessem e a semente não gerou vida neles. Jesus diz no verso 19, que o maligno vem e arranca a semente, arranca a possibilidade de nova Vida deste que a recebeu.
Caminhamos ainda sobre um terreno onde há muita alegria dentro do mundo gospel. O evangelho traz alegria, sem dúvida. Mas o evangelho de Jesus não dá alegria com o fim em si mesma, a alegria de Cristo é resultante da Vida nova que o evangelho nos proporciona. Assim é a pessoa descrita nos versículos 20 e 21 que cultiva mal a semente e assim ela não consegue criar uma raiz forte que lhe seja capaz de dar Vida que vai além da alegria.
Há ainda homens e mulheres que recebem o evangelho, mas estão de tal maneira envolvidos com seu objetivo de cultivarem muitos frutos deste mundo, que se esquecem de cultivar a semente que gera Vida e que, quando germinada como prioridade em nossos corações, acrescenta todos as outras virtudes. Como Jesus nos ensina em Mateus 6.33: “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.
Mas há também em nosso meio aqueles que recebem a semente da Vida do evangelho e, com muito cuidado, enriquecem o solo, espantam as aves que querem comê-la, regam para que suas raízes sejam profundas e então vêem a vida, os frutos, brotarem em uma proporção sempre muito maior àquela pequena semente original.
Evangelho é Vida que gera Vida nova, Vida plena e abundante no coração daqueles que estão dispostos a trabalhar pela manutenção da semente no solo de sua existência. Vida que vai além da alegria e das emoções e abrange toda nossa força, todo nosso entendimento e todo nosso coração.
Jesus Cristo, o Senhor da seara, está sempre perto, pronto a nos ajudar neste desafio e a nos oferecer novas sementes de Vida para semearmos nos corações do mundo. Que estejamos dispostos a trabalhar nesta boa obra, cultivando o solo de nosso próprio ser para honra e glória do Senhor da seara e salvação de nossa alma.
Hugo Gonçalves de Freitas
Aluno do 1° Ano da Faculdade de Teologia -
Igreja Metodista
Igreja Metodista
sábado, 21 de maio de 2011
Não andeis ansiosos (...)
Texto base: Mateus 6.25-34
Existem maneiras distintas de definir “a ansiedade” e/ou seus níveis de influência em determinada pessoa. Atualmente, a questão vem sendo muito estudada e debatida por estudiosos, por ser um dos maiores males da nossa época. Concorda-se que a ansiedade envolve e afeta o ser humano como um todo: cérebro, comprometendo os estímulos; influencia nossas emoções, sentimentos e sensações; nosso corpo físico (somatização). A ansiedade implica também diretamente na vida espiritual da pessoa; todos/as temos um corpo espiritual (Cf.: 1Co 15.44). Precisamos cuidar dele (Cf.: 2Co 4.16 e 1Pe 3.4). Fico maravilhado ao ver que Jesus, em seu ministério, precisou tratar a ansiedade de seus discípulos e seguidores – a Bíblia registra o momento em que Ele o faz. Em suas palavras Jesus nos adverte que a vida de uma pessoa ansiosa pode ser afetada (Cf.: Lc 9.57-62 e Lc 10.4); ao ponto de bloquear e impedir de fluir em nós a vida plena e abundante que Ele pode e quer nos dar (Jo 10.10b).
A pessoa ansiosa, além de “amarga”, é impulsiva e descontrolada; pois cultiva medo e insegurança no coração por expectativas intensas sobre o futuro. Acaba escrava do sentimento de vazio por não poder antever o amanhã; é amante do poder de controlar tudo e todos à sua volta pensando poder se “precaver” com relação ao dia seguinte. Uma pessoa ansiosa toma decisões quase sempre precipitadas e prejudiciais; é serva e escrava do dinheiro. Notem que esse é o tema da discussão de Jesus antes de Ele tratar o problema da ansiedade em si (Mt 6.24). Esses são os degraus de uma escada que só desce; que te conduz para o porão da vida: necessidade de ter poder – para exercer controle – que induz o apego ao dinheiro – e gera maior ansiedade.
O Apóstolo Paulo (Cf.: Fp 3.12-16) nos adverte sobre a necessidade de andarmos segundo aquilo que já alcançamos (v.16); guardando o sentimento, a paixão, de prosseguir sim, mas em direção à Cristo que já está bem diante de nós (v.13). Qualquer desvio com relação a esse caminho de Boas Novas (Cf.: Is 40.9 e Jo 14.6-7) precisamos parar e rever nossa postura na caminhada (Gl 1.6-9). E buscar o equilíbrio que Pedro obteve em seu ministério já depois de amadurecido, uma experiência profunda com um Deus que cuida (Cf.: 1Pe 5.7).
No texto base, v. 27, Jesus nos orienta sobre a banalidade da ansiedade; não acrescenta nada em nossas vidas. Precisamos sim, crer que temos um Pai zeloso (Dt 4.24 e Jl 2.18) e que cuida de nós (Sl 40.17). Confiar no Deus misericordioso e provedor (Sl 103.8), que nos traz como acréscimo: bênçãos incontáveis (v.33).
É tempo de nos aquietar! Entregues à presença do Senhor nosso Deus, crendo que somos mais do que vencedores sobre todas as coisas que poderiam gerar afastamento e vazios (Rm 8.37). Só após rompermos com as cadeias da ansiedade seremos abençoados/as; suficientemente livres para viver o mais de Deus; o melhor do Reino. Amém!
Que o Senhor Deus continue nos abençoando! Do amigo e pastor, Pr. Antônio Luiz de Freitas Junior
O Nosso exemplo é Cristo: Funcionalidades do grupo de discipulado/ parte 1
Texto Base: Mc 3.13-15
Favoravelmente ao Reino de Deus, Jesus, sendo Ele mesmo Deus, partilhava seus ensinamentos de maneira tal que as pessoas pudessem entendê-los em toda sua profundidade. Dos que seguiam o ministério de Jesus, alguns eram meros expectadores ou ouvintes (Cf.: Mt 21.8-9 e Mc 9.25), outros se tornavam seguidores fiéis e apaixonados - verdadeiros discípulos (Cf.: Mt 9.36-37); e como percebemos no texto bíblico que é referência para o nosso estudo, foi dos discípulos que Jesus escolheu os doze que seriam a base do ministério apostólico (Cf.: Mt 10.1-2). Conforme a própria Bíblia nos relata a tradição cristã do ministério apostólico permaneceu mesmo após a morte de Jesus (ver.: At 1.25-26; 14.14 e Rm 1.1-5). Ser discípulo é ser aprendiz, aluno comprometido com o mestre; e apostolo é o título que o discípulo recebe quando é comissionado e enviado como mensageiro do mestre – nesse caso, mensageiro de Deus. A missão bíblica de um apóstolo era anunciar o evangelho e lançar as bases da Igreja (Cf.: At 4.33 e Ef 2.20).
Jesus não trabalha com a lógica dos preferenciais para fazer a escolha daqueles que seriam “os apóstolos”; mesmo porque Ele não faz acepção de pessoas (Cf.: At 10.34; Rm 2.11 e Ef 6.9). Embora a Bíblia nos declare que Jesus escolheu os que Ele quis para o apostolado, o intuito de Jesus não era montar uma “tropa de elite”, nem mesmo indicar “um grupo dos bons”, ou de “preferidos” (ver.: Mt 20.20-28; Mc 9.33-35; 10.35-45). Medite nisso: em nenhuma circunstância bíblica teríamos condições de fazer a afirmação de que Deus tem os/as seus/suas preferidos/as. A lógica do Reino de Deus e conseqüentemente a de Jesus sempre foi tratar a pessoa no seu todo, discipular, preparando-as para a atitude mais poderosa do Reino: servir o outro; o diferente de mim mesmo (Mc 9.35, 10.44).
Lembremo-nos, que para falar à multidões que o seguia por onde quer que Ele fosse (Cf.: Mc 3.8), e sem microfone, o mestre da comunicação precisou usar de estratégias naturais para ser ouvido e compreendido. Sabemos que Jesus usava o vento favorável e sua posição relativa às fendas nas montanhas (aproveitamento do eco e prolongamento do som) para transmitir seus ensinamentos aos que estavam com Ele (ver.: Mt 5.1 e Mc 4.33). No entanto, há uma estratégia específica, e que talvez seja uma das mais importantes que Ele nos deixou como exemplo: suas atividades em grupos com número reduzido de pessoas. Podemos perceber isso na escolha dos doze, mas também em outras situações: com dois (Cf.: Lc 24.13), três (Cf.: Mc 9.2), setenta (Cf.: Lc 10); e assim sucessivamente.
Além das estratégias de comunicação que a Bíblia nos relata, essas atividades que Ele praticava em/com grupos pequenos é fundamental para a melhor compreensão e assimilação da mensagem inovadora; a mensagem das Boas Novas era confrontante para a época de governo que estava sob a égide do Império Romano. Esse espaço valorizado por Jesus, posteriormente, com a destruição do Templo, não foi somente uma estratégia, e sim fundamental para a permanência e disseminação do cristianismo - a Igreja Primitiva utilizou o espaço das casas para a pregação da mensagem de Jesus Cristo.
• Com relação à esses espaços, considere os seguintes fatores:
1. Valorização da unidade e melhor aprofundamento de relacionamento inter-pessoal (Cf.: At 12.12; 1Co 16.19);
2. A possibilidade de compreensão dos ensinamentos fica ainda mais facilitada (Cf.: Mc 9.28; At 5.42);
3. Melhor espaço de discussão para os temas propostos: polêmicos ou não (Mc 9.28);
4. Há uma abertura muito rica para a criação de vínculos mais familiares (At 16.34);
5. Por ser esse um espaço diferenciado: Algumas pessoas com dificuldade de ir ao templo e unir-se à Igreja, por inúmeros motivos, e algumas até por não saber à fundo o que é um culto, agora podem participar (C.f.: At 11);
6. Existe um mistério de Deus que envolve as casas onde aconteciam os cultos no N.T. Há uma bênção do Senhor ordenada nos ensinamentos da casa; para as ministrações nos lares (C.f.: Mt 2.11, 7.24, 10.13; At 2.2; Hb 3.4);
• Qual é nosso objetivo com os grupos pequeno enquanto Igreja Metodista?
Além de seguirmos o modelo de Cristo, considerando e abraçando fortemente todos os pontos acima citados, estamos também buscando nessa visão de grupos de discipulados, um meio saudável e natural (sem imposições) para consolidar aqueles/as que já conhecem à Cristo; também abrir um espaço de pregação da Palavra de Deus, de forma tal que aqueles/as que ainda não conhecem à Jesus ouçam o Evangelho das Boas Novas do Cristo e O aceitem como único e eterno salvador de suas vidas – nossa maior missão enquanto cristãos (Cf.: 2Tm 4.2).
Num segundo momento, precisamos gerar no coração dessas pessoas que freqüentam o grupo de discipulado, o desejo de estarem reunidos com a Igreja (Igreja não é o templo e sim a família maior reunida para cultuar ao Senhor Deus). Muitos acreditam que isso é uma estratégia para acréscimo numérico na instituição, mas não é assim que discutimos o desejo despertado nessas pessoas para que estejam reunidas com a Igreja. Considere que:
1. É na família maior (Igreja – entre irmãos/ãs) que somos confrontados em processo de convivência com o todo – um processo muito mais rico e complexo. E isso é muito importante, especialmente considerando que num determinado momento fica bastante cômodo participar de uma reunião de discipulado – ao ponto de muitas coisas permanecerem ainda ocultas e portanto sem tratamento – é possível que somente no contato com o todo exista maior abertura da parte dessa pessoa para que haja tratamento completo da parte de Deus;
2. Não que “grupos pequenos” não sejam “a Igreja”, mas o são “em parte”. Lembremo-nos que quando Jesus voltar Ele vai arrebatar “a Igreja do todo e mais ainda”; vai arrebatar um povo inteiro! Isso nos estimula a ensinar, enquanto Discipuladores, que é fundamental estarmos agregados à uma família de fé;
3. Muitas pessoas hoje têm dificuldades de estabelecer compromisso fixo. Estar ajustado aos compromissos da Igreja faz com que as pessoas percebam o compromisso como uma fidelidade necessária para alcançarem o mais de Deus (Mt 25.21);
4. Muitas pessoas hoje têm dificuldades de se submeter à autoridades; inclusive a pastoral. Mas isso é necessário para a ovelha. Muitos se escondem atrás de argumentos como: - “não gostei do culto”, “não gosto dessa Igreja”, “não levo jeito para isso”, “isso é coisa de instituição”; mas na verdade estão se escondendo do fato de não saberem obedecer; não se sentem bem se submetendo a uma autoridade, seja ela pastoral, ou de qualquer outro nível de liderança. Isso é maligno e gera “poda do tempo vital do homem/mulher” (Cf.: 2 Co 10.6; Rm 13.1-7 e Hb 12.9). Trazê-la ao templo para freqüentar a Igreja jogaria por terra tais argumentos de satanás.
5. Possibilita, que todos/as quanto queiram imitar à Cristo, sejam Discipuladores/as de pessoas. Sejam líderes, homens e mulheres, responsáveis por dar suporte em amor ao outro; verdadeiros cuidadores/as (Cf.: Ef 4.2).
• Consequências imediatas dessas atividades na estrutura da Igreja como um todo:
1. Plano de sólido de caminhada dentro da estrutura da Igreja: não só para os membros mais antigos, mas também para os recém convertidos – uma vez que o foco está na no cuidado e na ministração da Palavra;
2. Melhor aproveitamento e assimilação da Palavra;
3. Aprofundamento nos conhecimentos de textos bíblicos, e seus contextos;
4. Melhor aproveitamento da presença pastoral;
5. Valorização da figura pastoral;
6. Valorização da pessoa do pastor;
7. Valorização do líder;
8. Todos/as podem vir a ser líderes valorizados/as – Reflitam sobre o “sacerdócio universal de todos os crentes” (do Reformador Martinho Lutero);
9. Melhor desempenho pastoral como um todo;
10. Um povo sarado que multiplica esse estado de saúde e contagia com a paz do Senhor Jesus;
11. Uma Igreja consolidada;
12. Crescimento no nível qualitativo e quantitativo da Igreja;
13. Expansão do Reino de Deus.
Pense nisso e permita que o Senhor Deus, por meio do Espírito Santo, trabalhe essas questões em você, primeiro no seu coração e mente; só assim terás a paixão necessária para passar essa mesma visão àqueles/as que o Senhor tem confiado à você para o exercício do carinho e do cuidado.
Que o Senhor continue te abençoando, à cada dia mais.
Do seu amigo e pastor: Pr. Antônio Luiz de Freitas Junior.
Favoravelmente ao Reino de Deus, Jesus, sendo Ele mesmo Deus, partilhava seus ensinamentos de maneira tal que as pessoas pudessem entendê-los em toda sua profundidade. Dos que seguiam o ministério de Jesus, alguns eram meros expectadores ou ouvintes (Cf.: Mt 21.8-9 e Mc 9.25), outros se tornavam seguidores fiéis e apaixonados - verdadeiros discípulos (Cf.: Mt 9.36-37); e como percebemos no texto bíblico que é referência para o nosso estudo, foi dos discípulos que Jesus escolheu os doze que seriam a base do ministério apostólico (Cf.: Mt 10.1-2). Conforme a própria Bíblia nos relata a tradição cristã do ministério apostólico permaneceu mesmo após a morte de Jesus (ver.: At 1.25-26; 14.14 e Rm 1.1-5). Ser discípulo é ser aprendiz, aluno comprometido com o mestre; e apostolo é o título que o discípulo recebe quando é comissionado e enviado como mensageiro do mestre – nesse caso, mensageiro de Deus. A missão bíblica de um apóstolo era anunciar o evangelho e lançar as bases da Igreja (Cf.: At 4.33 e Ef 2.20).
Jesus não trabalha com a lógica dos preferenciais para fazer a escolha daqueles que seriam “os apóstolos”; mesmo porque Ele não faz acepção de pessoas (Cf.: At 10.34; Rm 2.11 e Ef 6.9). Embora a Bíblia nos declare que Jesus escolheu os que Ele quis para o apostolado, o intuito de Jesus não era montar uma “tropa de elite”, nem mesmo indicar “um grupo dos bons”, ou de “preferidos” (ver.: Mt 20.20-28; Mc 9.33-35; 10.35-45). Medite nisso: em nenhuma circunstância bíblica teríamos condições de fazer a afirmação de que Deus tem os/as seus/suas preferidos/as. A lógica do Reino de Deus e conseqüentemente a de Jesus sempre foi tratar a pessoa no seu todo, discipular, preparando-as para a atitude mais poderosa do Reino: servir o outro; o diferente de mim mesmo (Mc 9.35, 10.44).
Lembremo-nos, que para falar à multidões que o seguia por onde quer que Ele fosse (Cf.: Mc 3.8), e sem microfone, o mestre da comunicação precisou usar de estratégias naturais para ser ouvido e compreendido. Sabemos que Jesus usava o vento favorável e sua posição relativa às fendas nas montanhas (aproveitamento do eco e prolongamento do som) para transmitir seus ensinamentos aos que estavam com Ele (ver.: Mt 5.1 e Mc 4.33). No entanto, há uma estratégia específica, e que talvez seja uma das mais importantes que Ele nos deixou como exemplo: suas atividades em grupos com número reduzido de pessoas. Podemos perceber isso na escolha dos doze, mas também em outras situações: com dois (Cf.: Lc 24.13), três (Cf.: Mc 9.2), setenta (Cf.: Lc 10); e assim sucessivamente.
Além das estratégias de comunicação que a Bíblia nos relata, essas atividades que Ele praticava em/com grupos pequenos é fundamental para a melhor compreensão e assimilação da mensagem inovadora; a mensagem das Boas Novas era confrontante para a época de governo que estava sob a égide do Império Romano. Esse espaço valorizado por Jesus, posteriormente, com a destruição do Templo, não foi somente uma estratégia, e sim fundamental para a permanência e disseminação do cristianismo - a Igreja Primitiva utilizou o espaço das casas para a pregação da mensagem de Jesus Cristo.
• Com relação à esses espaços, considere os seguintes fatores:
1. Valorização da unidade e melhor aprofundamento de relacionamento inter-pessoal (Cf.: At 12.12; 1Co 16.19);
2. A possibilidade de compreensão dos ensinamentos fica ainda mais facilitada (Cf.: Mc 9.28; At 5.42);
3. Melhor espaço de discussão para os temas propostos: polêmicos ou não (Mc 9.28);
4. Há uma abertura muito rica para a criação de vínculos mais familiares (At 16.34);
5. Por ser esse um espaço diferenciado: Algumas pessoas com dificuldade de ir ao templo e unir-se à Igreja, por inúmeros motivos, e algumas até por não saber à fundo o que é um culto, agora podem participar (C.f.: At 11);
6. Existe um mistério de Deus que envolve as casas onde aconteciam os cultos no N.T. Há uma bênção do Senhor ordenada nos ensinamentos da casa; para as ministrações nos lares (C.f.: Mt 2.11, 7.24, 10.13; At 2.2; Hb 3.4);
• Qual é nosso objetivo com os grupos pequeno enquanto Igreja Metodista?
Além de seguirmos o modelo de Cristo, considerando e abraçando fortemente todos os pontos acima citados, estamos também buscando nessa visão de grupos de discipulados, um meio saudável e natural (sem imposições) para consolidar aqueles/as que já conhecem à Cristo; também abrir um espaço de pregação da Palavra de Deus, de forma tal que aqueles/as que ainda não conhecem à Jesus ouçam o Evangelho das Boas Novas do Cristo e O aceitem como único e eterno salvador de suas vidas – nossa maior missão enquanto cristãos (Cf.: 2Tm 4.2).
Num segundo momento, precisamos gerar no coração dessas pessoas que freqüentam o grupo de discipulado, o desejo de estarem reunidos com a Igreja (Igreja não é o templo e sim a família maior reunida para cultuar ao Senhor Deus). Muitos acreditam que isso é uma estratégia para acréscimo numérico na instituição, mas não é assim que discutimos o desejo despertado nessas pessoas para que estejam reunidas com a Igreja. Considere que:
1. É na família maior (Igreja – entre irmãos/ãs) que somos confrontados em processo de convivência com o todo – um processo muito mais rico e complexo. E isso é muito importante, especialmente considerando que num determinado momento fica bastante cômodo participar de uma reunião de discipulado – ao ponto de muitas coisas permanecerem ainda ocultas e portanto sem tratamento – é possível que somente no contato com o todo exista maior abertura da parte dessa pessoa para que haja tratamento completo da parte de Deus;
2. Não que “grupos pequenos” não sejam “a Igreja”, mas o são “em parte”. Lembremo-nos que quando Jesus voltar Ele vai arrebatar “a Igreja do todo e mais ainda”; vai arrebatar um povo inteiro! Isso nos estimula a ensinar, enquanto Discipuladores, que é fundamental estarmos agregados à uma família de fé;
3. Muitas pessoas hoje têm dificuldades de estabelecer compromisso fixo. Estar ajustado aos compromissos da Igreja faz com que as pessoas percebam o compromisso como uma fidelidade necessária para alcançarem o mais de Deus (Mt 25.21);
4. Muitas pessoas hoje têm dificuldades de se submeter à autoridades; inclusive a pastoral. Mas isso é necessário para a ovelha. Muitos se escondem atrás de argumentos como: - “não gostei do culto”, “não gosto dessa Igreja”, “não levo jeito para isso”, “isso é coisa de instituição”; mas na verdade estão se escondendo do fato de não saberem obedecer; não se sentem bem se submetendo a uma autoridade, seja ela pastoral, ou de qualquer outro nível de liderança. Isso é maligno e gera “poda do tempo vital do homem/mulher” (Cf.: 2 Co 10.6; Rm 13.1-7 e Hb 12.9). Trazê-la ao templo para freqüentar a Igreja jogaria por terra tais argumentos de satanás.
5. Possibilita, que todos/as quanto queiram imitar à Cristo, sejam Discipuladores/as de pessoas. Sejam líderes, homens e mulheres, responsáveis por dar suporte em amor ao outro; verdadeiros cuidadores/as (Cf.: Ef 4.2).
• Consequências imediatas dessas atividades na estrutura da Igreja como um todo:
1. Plano de sólido de caminhada dentro da estrutura da Igreja: não só para os membros mais antigos, mas também para os recém convertidos – uma vez que o foco está na no cuidado e na ministração da Palavra;
2. Melhor aproveitamento e assimilação da Palavra;
3. Aprofundamento nos conhecimentos de textos bíblicos, e seus contextos;
4. Melhor aproveitamento da presença pastoral;
5. Valorização da figura pastoral;
6. Valorização da pessoa do pastor;
7. Valorização do líder;
8. Todos/as podem vir a ser líderes valorizados/as – Reflitam sobre o “sacerdócio universal de todos os crentes” (do Reformador Martinho Lutero);
9. Melhor desempenho pastoral como um todo;
10. Um povo sarado que multiplica esse estado de saúde e contagia com a paz do Senhor Jesus;
11. Uma Igreja consolidada;
12. Crescimento no nível qualitativo e quantitativo da Igreja;
13. Expansão do Reino de Deus.
Pense nisso e permita que o Senhor Deus, por meio do Espírito Santo, trabalhe essas questões em você, primeiro no seu coração e mente; só assim terás a paixão necessária para passar essa mesma visão àqueles/as que o Senhor tem confiado à você para o exercício do carinho e do cuidado.
Que o Senhor continue te abençoando, à cada dia mais.
Do seu amigo e pastor: Pr. Antônio Luiz de Freitas Junior.
terça-feira, 17 de maio de 2011
RASGUE A SUA AGENDA
"Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos,
nem os vossos caminhos os meus caminhos,
diz o SENHOR" (Isaías 55.8)
No início de cada ano corremos às papelarias em busca de uma nova agenda. Não dá pra viver sem uma. Nela anotamos nossos compromissos, o que é “urgente”, o que não podemos esquecer, e para quem telefonar. Consta dela também os nomes das pessoas que são importantes para nós – e quem deixou de ser, no ano seguinte não fará mais parte dela.
Agenda é pessoal e íntima porque diz respeito a nós, e a ninguém mais. A partir dela é até possível conhecer um pouco de seus donos: seus projetos, seus gostos pessoais, e o que tem importância para eles.
Permita-me falar um pouco sobre a sua agenda, mas não daquela “caderneta” de anotações e recados, mas de sua agenda de compromissos com a vida e com Deus.
Vemos cada vez mais cristãos comprometidos com uma agenda repleta de motivações distantes das coisas do Reino, visando apenas suas realizações e bem-estar pessoal. Embora isso aparentemente não seja condenável aos olhos da maioria das pessoas, sob a perspectiva divina, entretanto, esse interesse revela-se parcial, unilateral, e até mesmo egoísta. Se a sua agenda não contempla mais ninguém além de si mesmo e sua prole ela em nada o diferencia do restante da humanidade que não está “nem aí” com Deus: “se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os gentios também o mesmo?” (Mt 5.46).
Então, muitos, para dar uma aparência de legitimidade à sua agenda pessoal, tentarão inserir Deus nela, para dizer que Ele está no “negócio”. Se você é desses que pensam dessa forma, sinto lhe dizer, mas não é assim: Deus tem a agenda Dele e quer que você faça parte dela – e não o contrário.
Alguns que imaginam conhecer um pouco a bíblia irão afirmar que estou enganado, pois o Eterno está sempre disposto a atender aos nossos desejos mais sinceros. E para isso se amparam na seguinte promessa divina: “Agrada-te do Senhor e ele satisfará os desejos do teu coração” (Salmo 37.4).
Talvez não haja verso mais mal interpretado das Escrituras. Ele parece dar vazão a toda sorte de sonhos, aspirações, e até caprichos pessoais. Na verdade, quem se agrada do Senhor possui um coração diferente, um coração dominado por Cristo, e naturalmente os seus desejos foram regenerados, transformados e serão aqueles que o Espírito colocou ali. Alguém tocado pelos interesses do Pai, com certeza não tem um coração voltado para um Rolex, nem os olhos desejosos duma reluzente pickup 4X4 off-road, nem pedirá para acertar sozinho na MegaSena.
Deus tem uma agenda para os seus filhos, e quem deseja andar com Ele, precisa aceitar os seus termos. A possibilidade de Deus andar junto com o homem, só pode se tornar real se “houver entre eles acordo” (Amós 3.3). Obviamente o mundo não deseja participar dessa aliança porque não pretende submeter-se aos interesses do Pai. Por isso Ele procura no mundo aqueles que queiram.
Embora seja Todo-Poderoso, Deus nada impõe, mas faz um convite para que participemos de sua agenda: “Vinde, pois e arrazoemos, diz o Senhor” (Is 1.18), ou seja, “venha, vamos conversar, tenho algo interessante a lhe propor.... aprenda a cuidar dos Meus interesses no mundo... olhe ao seu redor com os meus olhos... enxergue as pessoas da maneira que Eu as vejo.... entregue-me sua agenda, permita-me participar efetivamente de sua vida....”.
Tenho de confessar que os erros dos quais mais me arrependo foram aqueles por eu ter seguido a minha própria agenda, o “meu” tempo, os “meus” propósitos, e não exatamente os de Deus. Felizmente Ele foi paciencioso e permitiu que eu mantivesse uma agenda própria de santidade, até que eu descobri que isso não pode dar certo. Somente então Ele me ensinou: “Filho, os meus propósitos não são os seus, o meu tempo pode parecer mais demorado que você gostaria, e a maneira que Eu trabalho difere totalmente da sua”.
Creio que a maior prova de amor e confiança que podemos demonstrar para com Deus é permitir que ele rasgue a nossa agenda. Rasgar a agenda significa caminhar para um saudável desprendimento: não mais eu, mas Ele. Não mais minhas prioridades, mas as do Pai. Não mais meu benefício próprio, mas do Reino. Não mais meus métodos, nem minhas “armas carnais”, mas aquelas poderosas em Deus para destruir fortalezas e anular sofismas (2Co 10.4).
Sinceramente, você seria capaz disso? Permitiria que Ele riscasse de sua agenda tudo aquilo que não nasceu Dele e nem foi submetido a Ele? Não continue adiando isso por muito tempo, pois tão logo você decidir entregar a sua agenda a Deus, vai perceber claramente que a Agenda Dele é infinitamente melhor.
Pr. Daniel Rocha
dadaro@uol.com.br
nem os vossos caminhos os meus caminhos,
diz o SENHOR" (Isaías 55.8)
No início de cada ano corremos às papelarias em busca de uma nova agenda. Não dá pra viver sem uma. Nela anotamos nossos compromissos, o que é “urgente”, o que não podemos esquecer, e para quem telefonar. Consta dela também os nomes das pessoas que são importantes para nós – e quem deixou de ser, no ano seguinte não fará mais parte dela.
Agenda é pessoal e íntima porque diz respeito a nós, e a ninguém mais. A partir dela é até possível conhecer um pouco de seus donos: seus projetos, seus gostos pessoais, e o que tem importância para eles.
Permita-me falar um pouco sobre a sua agenda, mas não daquela “caderneta” de anotações e recados, mas de sua agenda de compromissos com a vida e com Deus.
Vemos cada vez mais cristãos comprometidos com uma agenda repleta de motivações distantes das coisas do Reino, visando apenas suas realizações e bem-estar pessoal. Embora isso aparentemente não seja condenável aos olhos da maioria das pessoas, sob a perspectiva divina, entretanto, esse interesse revela-se parcial, unilateral, e até mesmo egoísta. Se a sua agenda não contempla mais ninguém além de si mesmo e sua prole ela em nada o diferencia do restante da humanidade que não está “nem aí” com Deus: “se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os gentios também o mesmo?” (Mt 5.46).
Então, muitos, para dar uma aparência de legitimidade à sua agenda pessoal, tentarão inserir Deus nela, para dizer que Ele está no “negócio”. Se você é desses que pensam dessa forma, sinto lhe dizer, mas não é assim: Deus tem a agenda Dele e quer que você faça parte dela – e não o contrário.
Alguns que imaginam conhecer um pouco a bíblia irão afirmar que estou enganado, pois o Eterno está sempre disposto a atender aos nossos desejos mais sinceros. E para isso se amparam na seguinte promessa divina: “Agrada-te do Senhor e ele satisfará os desejos do teu coração” (Salmo 37.4).
Talvez não haja verso mais mal interpretado das Escrituras. Ele parece dar vazão a toda sorte de sonhos, aspirações, e até caprichos pessoais. Na verdade, quem se agrada do Senhor possui um coração diferente, um coração dominado por Cristo, e naturalmente os seus desejos foram regenerados, transformados e serão aqueles que o Espírito colocou ali. Alguém tocado pelos interesses do Pai, com certeza não tem um coração voltado para um Rolex, nem os olhos desejosos duma reluzente pickup 4X4 off-road, nem pedirá para acertar sozinho na MegaSena.
Deus tem uma agenda para os seus filhos, e quem deseja andar com Ele, precisa aceitar os seus termos. A possibilidade de Deus andar junto com o homem, só pode se tornar real se “houver entre eles acordo” (Amós 3.3). Obviamente o mundo não deseja participar dessa aliança porque não pretende submeter-se aos interesses do Pai. Por isso Ele procura no mundo aqueles que queiram.
Embora seja Todo-Poderoso, Deus nada impõe, mas faz um convite para que participemos de sua agenda: “Vinde, pois e arrazoemos, diz o Senhor” (Is 1.18), ou seja, “venha, vamos conversar, tenho algo interessante a lhe propor.... aprenda a cuidar dos Meus interesses no mundo... olhe ao seu redor com os meus olhos... enxergue as pessoas da maneira que Eu as vejo.... entregue-me sua agenda, permita-me participar efetivamente de sua vida....”.
Tenho de confessar que os erros dos quais mais me arrependo foram aqueles por eu ter seguido a minha própria agenda, o “meu” tempo, os “meus” propósitos, e não exatamente os de Deus. Felizmente Ele foi paciencioso e permitiu que eu mantivesse uma agenda própria de santidade, até que eu descobri que isso não pode dar certo. Somente então Ele me ensinou: “Filho, os meus propósitos não são os seus, o meu tempo pode parecer mais demorado que você gostaria, e a maneira que Eu trabalho difere totalmente da sua”.
Creio que a maior prova de amor e confiança que podemos demonstrar para com Deus é permitir que ele rasgue a nossa agenda. Rasgar a agenda significa caminhar para um saudável desprendimento: não mais eu, mas Ele. Não mais minhas prioridades, mas as do Pai. Não mais meu benefício próprio, mas do Reino. Não mais meus métodos, nem minhas “armas carnais”, mas aquelas poderosas em Deus para destruir fortalezas e anular sofismas (2Co 10.4).
Sinceramente, você seria capaz disso? Permitiria que Ele riscasse de sua agenda tudo aquilo que não nasceu Dele e nem foi submetido a Ele? Não continue adiando isso por muito tempo, pois tão logo você decidir entregar a sua agenda a Deus, vai perceber claramente que a Agenda Dele é infinitamente melhor.
Pr. Daniel Rocha
dadaro@uol.com.br
segunda-feira, 25 de abril de 2011
O convite de Jesus à Pedro ainda é muito atual: guardar as armas e não reagir impulsivamente
Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão (Mt 26.52)
Quantas vezes passamos por situações desafiadoras que exigem de nós respostas rápidas? Nessas horas, pressionados, cedemos aos impulsos; reagimos por instinto e não por capacidade racional.
Augusto Cury, afirma com outros eruditos das ciências psicológicas, que em situações adversas e confrontantes, se paramos para refletir sobre as alternativas no leque das possibilidades, ficamos menos vulneráveis aos nossos desejos impulsivos. Conscientes, a possibilidade de decisão acertada aumenta. Tenho entendido que o impulso é uma das muitas facetas humanas que o Espírito Santo quer trabalhar em cada um de nós.
Pedro é quase sempre lido como um dos discípulos mais impulsivos de Jesus. No versículo acima, após Pedro cortar impulsivamente, por puro instinto, a orelha de Malco, Jesus adverte que seus seguidores não devem reagir a algo ou alguém sem prévia reflexão. Atitudes impulsivas denotam imaturidade, são o oposto da revelação de Deus; fazem-nos caminhar no sentido contrário à lógica do Evangelho das Boas Novas do Reino.
Jesus orienta a Pedro que ele não use a espada. Nossas armas não são espadas, estamos cada vez “mais modernos”. Quantos de nós, reagindo impulsivamente, agressivos, usamos armas que aprendemos a manipular desde nossa infância, tão nocivas quanto a espada de Pedro.
É nesse contexto que Jesus nos convida para uma caminhada; andar por caminhos de intimidade e de amadurecimento; que favoreça a tomada consciente de decisão. O próprio Pedro, já amadurecido, nos deixa uma lição de excelência sobre a necessidade de agirmos arrazoadamente (1Pe 3.13-22).
Quando situações ou pessoas exigir respostas rápidas, “prontas”, não haja impulsivamente! Faça como Moisés quando com o povo no deserto; pare por alguns segundos, aproxime-se de Deus em oração, busque a revelação de Deus. Permita-se ficar um tempo à sós com Deus para refletir, em tempos de turbulência ou bonança. O tempo é fundamental para a concretização da revelação de Deus; especialmente quando você quer ter a atitude certa.
Que o Senhor nos dê a graça, de nas nossas devocionais, experimentarmos a cura advinda da reflexão e introspecção. Vamos refletir mais sobre a lógica do Reino antes de simplesmente reagir a tudo e todos!
Amém.
Quantas vezes passamos por situações desafiadoras que exigem de nós respostas rápidas? Nessas horas, pressionados, cedemos aos impulsos; reagimos por instinto e não por capacidade racional.
Augusto Cury, afirma com outros eruditos das ciências psicológicas, que em situações adversas e confrontantes, se paramos para refletir sobre as alternativas no leque das possibilidades, ficamos menos vulneráveis aos nossos desejos impulsivos. Conscientes, a possibilidade de decisão acertada aumenta. Tenho entendido que o impulso é uma das muitas facetas humanas que o Espírito Santo quer trabalhar em cada um de nós.
Pedro é quase sempre lido como um dos discípulos mais impulsivos de Jesus. No versículo acima, após Pedro cortar impulsivamente, por puro instinto, a orelha de Malco, Jesus adverte que seus seguidores não devem reagir a algo ou alguém sem prévia reflexão. Atitudes impulsivas denotam imaturidade, são o oposto da revelação de Deus; fazem-nos caminhar no sentido contrário à lógica do Evangelho das Boas Novas do Reino.
Jesus orienta a Pedro que ele não use a espada. Nossas armas não são espadas, estamos cada vez “mais modernos”. Quantos de nós, reagindo impulsivamente, agressivos, usamos armas que aprendemos a manipular desde nossa infância, tão nocivas quanto a espada de Pedro.
É nesse contexto que Jesus nos convida para uma caminhada; andar por caminhos de intimidade e de amadurecimento; que favoreça a tomada consciente de decisão. O próprio Pedro, já amadurecido, nos deixa uma lição de excelência sobre a necessidade de agirmos arrazoadamente (1Pe 3.13-22).
Quando situações ou pessoas exigir respostas rápidas, “prontas”, não haja impulsivamente! Faça como Moisés quando com o povo no deserto; pare por alguns segundos, aproxime-se de Deus em oração, busque a revelação de Deus. Permita-se ficar um tempo à sós com Deus para refletir, em tempos de turbulência ou bonança. O tempo é fundamental para a concretização da revelação de Deus; especialmente quando você quer ter a atitude certa.
Que o Senhor nos dê a graça, de nas nossas devocionais, experimentarmos a cura advinda da reflexão e introspecção. Vamos refletir mais sobre a lógica do Reino antes de simplesmente reagir a tudo e todos!
Amém.
Será que nós temos escolhido a melhor parte: Marta ou Maria?
Texto base para nossa reflexão: Lucas 10.38-42
A narração de Lucas, acerca da presença de Jesus na casa das irmãs Marta e Maria, é rica em detalhes e faz muito sentido para nossa Igreja hoje; para nossa postura quando com a família, e com relação às mais variadas decisões que devemos tomar no dia a dia.
No texto partilhado, Jesus nos chama à experimentarmos a vida, não pelo viés do tão secularizado “serviço”, ou da produtividade – somos cada vez mais avaliados pelo quanto somos “funcionais”, e não pela capacidade de estabelecermos relacionamentos saudáveis. É um convite claro do próprio Deus, num período onde quase tudo funciona 24 horas, à reservarmos um tempo necessário para estarmos com “a melhor parte”: aos seus pés, aprendendo com Ele sobre a vida. Isso é o que Jesus chama no texto lido do “pouco que é necessário”, e a “uma só coisa necessária que ninguém nos poderá tirar” (v.42). Parar tudo por alguns instantes para ficar com Ele, só com Ele – prostrados/as, em devocional nos consagrando, bebendo do manancial de águas vivas (Jr.2.13).
Por mais que as Martas sejam uma realidade, uma vez que o serviço é necessário, Deus não precisa de mais “crentes”, o próprio diabo já creu; o mundo não precisa de mais crentes, e sim de mais homens e mulheres que escolham aprofundar seu relacionamento com Ele; na Igreja muitos crêem, mas poucos são íntimos – os que escolhem a melhor parte. Deus nos ajude a entendermos esse processo de intimidade em nossas vidas e o quanto ele é fundamental; amém!
A narração de Lucas, acerca da presença de Jesus na casa das irmãs Marta e Maria, é rica em detalhes e faz muito sentido para nossa Igreja hoje; para nossa postura quando com a família, e com relação às mais variadas decisões que devemos tomar no dia a dia.
No texto partilhado, Jesus nos chama à experimentarmos a vida, não pelo viés do tão secularizado “serviço”, ou da produtividade – somos cada vez mais avaliados pelo quanto somos “funcionais”, e não pela capacidade de estabelecermos relacionamentos saudáveis. É um convite claro do próprio Deus, num período onde quase tudo funciona 24 horas, à reservarmos um tempo necessário para estarmos com “a melhor parte”: aos seus pés, aprendendo com Ele sobre a vida. Isso é o que Jesus chama no texto lido do “pouco que é necessário”, e a “uma só coisa necessária que ninguém nos poderá tirar” (v.42). Parar tudo por alguns instantes para ficar com Ele, só com Ele – prostrados/as, em devocional nos consagrando, bebendo do manancial de águas vivas (Jr.2.13).
Por mais que as Martas sejam uma realidade, uma vez que o serviço é necessário, Deus não precisa de mais “crentes”, o próprio diabo já creu; o mundo não precisa de mais crentes, e sim de mais homens e mulheres que escolham aprofundar seu relacionamento com Ele; na Igreja muitos crêem, mas poucos são íntimos – os que escolhem a melhor parte. Deus nos ajude a entendermos esse processo de intimidade em nossas vidas e o quanto ele é fundamental; amém!
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