segunda-feira, 23 de março de 2009

O filão religioso


Por Ricardo Gondim.


As Casas Bahia disputam o mesmo mercado que a Magazine Luiza. As duas lojas se engalfinham para abocanhar o filão dos eletrodomésticos, guarda-roupas de madeira aglomerada e camas de esponja fina. Buscam conquistar assalariados, serralheiros, aposentados e garis. Em seus comercias, o preço da geladeira aparece em caracteres pequenos, enquanto o valor da prestação explode gigante na tela da televisão. A patuléia calcula. Não importa o número de meses, se couber no orçamento, uma das duas, Bahia ou Luiza, fecha o negócio - o juro embutido deve ser um dos maiores do mundo.


Toda noite, entre oito e dez horas, a mesma lengalenga se repete nos programas evangélicos. Pelo menos quatro “ministérios” concorrem em outro mercado: o religioso. Todos caçam clientes que sustentem, em ordem de prioridade, os empreendimentos expansionistas, as ilusões messiânicas e o estilo de vida nababesco dos líderes. Assim, cada programa oferece milagres e todos calçam suas promessas com testemunhos de gente que jura ter sido brindada pelo divino. Deus lhes teria abençoado com uma vida sem sufoco. Infelizmente, o preço do produto religioso nunca é explicitado. Alardeia-se apenas a espetacular maravilha.


Considerando que a rádio também divulga prodígios a granel, como um cliente religioso pode optar? Para preferir uma igreja, precisa distinguir sobre qual missionário, apóstolo, pastor ou evangelista, Deus apontou o dedo. E se tiver uma filha com leucemia aguda, não pode errar. Ao apelar para uma igreja com pouco poder, perde a filha. O correto seria freqüentar todas. Mas como? Em nenhuma dessas igrejas televisivas o milagre é gratuito ou instantâneo. As letrinhas, que não aparecem na parte de baixo do vídeo, afirmariam que, por mais “ungido” que for o missionário, um monte de exigência vem embutida na promessa da bênção. É preciso ser constante nos cultos por várias semanas, contribuir financeiramente para que a obra de Deus continue e, ainda, manter-se corretíssimo. Um deslize mínimo impede o Todo Poderoso de operar; qualquer dúvida é considerada uma falta de fé, que mata a possibilidade do milagre.
Lojas de eletrodoméstico vendem eletrodoméstico, óbvio. Igrejas evangélicas comercializam a idéia de que agenciam o favor divino com exclusividade. E por esse serviço, cobram caro, muito caro. Afinal de contas, um produto celestial não pode ser considerado de quarta categoria. A "Brastemp" espiritual que os teleevangelistas oferecem vem do céu. O acesso ao milagre se complica, porque todos mercadejam o mesmo produto. Os critérios de escolha se reduzem a prazo de entrega, conforto e garantia. Opa, quase esqueci! As lojas, em conformidade com o Código do Consumidor, são obrigadas a dar garantia, mas as igrejas evangélicas não dão garantia alguma. O cliente nunca tem razão. Quando a filha morrer de leucemia, o pai, além de enlutado, será responsabilizado pela perda. Vai ter que escutar que a menina morreu porque ele “deu brecha” para o diabo, não foi fiel ou não teve fé.


Mercadologicamente, Casas Bahia e Magazine Luiza estão bem à frente das igrejas. Melhor assim, geladeira nova é bem mais útil do que a ilusão do milagre.


Soli Deo Gloria.
Acesso dia 23 de março de 2009, disponpivel em <http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=65&sg=0&id=2136>.

domingo, 22 de março de 2009

Panorama exegético de 1 Co 1.


Leia o texto biblico, para enteder o texto que segue.
Era provável que Cloé fosse efésia e não coríntia. Não se sabe nem mesmo se ela era cristã, embora isso seja provável[1]. “Os de Cloé”, portadores da notícia a Paulo, conforme nos registra o texto bíblico, provavelmente são cristãos que trabalham como escravos libertos para essa “mulher de negócios”. A casa de Cloé poderia ser tanto em Éfeso quanto em Corinto, entretanto é certo que, nesse trânsito de negócios, Paulo recebe a notícia. Os de Cloé podem representar o setor de menor status social na congregação[2].

Em Corinto, no período em que Paulo escreve a carta, estava surgindo um culto às personalidades centralizado em três figuras importantes da Igreja primitiva. No entanto, é provável que tais cultos não contavam com o apoio desses pregadores. Os possíveis motivos dos conflitos, considerando os temas que aparecem na carta de Paulo, são o tema do batismo e divergências quanto à compreensão do Cristo da Fé e o Jesus Histórico. Também para Gottfried Brakemeier, a origem desses grupos de Corinto deve ser vista em conexão com determinada compreensão do batismo, e ele acrescenta: provavelmente, a comunidade de Corinto entende o batismo como rito de iniciação das religiões de mistério, em que passa a existir forte relação entre o batizando e o batizado, o que constituía forte laço entre um e outro[3]. Nesse processo, é interessante notarmos que Paulo não tenta reprimir a diversidade de opiniões, no entanto, sua crítica é ao partidarismo – rivalidade entre grupos fechados em si mesmos. Para David Prior, Paulo preferia a harmonia e não o uníssono[4].

Segundo concepção de Irene Foulkes, a congregação de Corinto, na verdade, evidencia a influência de seu contexto social - multicultural; e as contendas na congregação vão tomando a forma de grupos rivais. Ou seja, o que era uma contenda se torna uma rivalidade. Os seguidores de Apolo se inclinariam pela sabedoria filosófica, visto que esse eloquente pregador era de tradição Alexandrina. Paulo não vê Apolo como rival, antes o estima como colega (1Co 3.5-9; 4.6; 16.12). Cefas provavelmente reflita o apego à tradição judia; já o grupo de Cristo, em contraste com os grupos anteriores, prefere ficar fora desse debate, prescindindo de determinar uma linha teológica nos moldes idealistas. Para eles, uma relação direta com Cristo é que determina os horizontes de compreensão[5].

Cada grupo tinha o seu próprio lema. Segundo David Prior[6]:

a) Paulo – 1 Co 4.15 – Pessoas seguiam Paulo por se sentirem geradas por ele. Ele as havia levado à fé – estando em dívida eterna para com ele. É quase certo que o partido de Paulo surgiu em reação aos outros grupos formados em Corinto em torno das outras pessoas mencionadas aqui. É provável que antes de Apolo e Cefas todos apoiassem Paulo.

b) Apolo – At 18.24-19.7 - Apolo era de Alexandria (Egito) – cidade universitária muito respeitada e criativa do mediterrâneo. Quando Apolo chega a Corinto com sua capacidade intelectual, sua eloquência, sua capacidade de expor as escrituras do AT, seus ensinamentos sobre Jesus, seu entusiasmo fervoroso e sua poderosa confrontação pública com os judeus, sem dúvida começou a atrair discípulos para si. Alguns acham que Apolo foi involuntariamente responsável pela criação de uma espécie de elite intelectual na Igreja de Corinto. Paulo não tinha tanta eloquência quanto Apolo.

c) O partido de Pedro/Cefas - representa o cristianismo mais judaico. Talvez Cefas tivesse visitado Corinto, o que explicaria a origem de tal movimento; ou quem sabe algum de seus seguidores. Outra possibilidade é a aceitação por parte da comunidade cristã da figura de Cefas, em Jerusalém, como um dos grandes líderes da igreja. Os desse partido eram de tendências legalistas.

d) O partido de Cristo – “todo culto aos heróis é anátema. Ninguém precisa de um líder, a menos que esse líder seja Cristo”. Esse grupo representa o que hoje caracterizaria experiências fortes e subjetivas. Quem sabe esse grupo um dos prováveis fomentadores do que posteriormente se transformou no movimento gnóstico do final do primeiro século. Era uma elite super espiritual na Igreja cristã. Sugere-se que esse grupo é um reflexo das religiões de mistério de Corinto. Para Gottfried Brakemeier, o grupo de Cristo viu no evangelho “uma sabedoria” e não uma proclamação do Cristo crucificado[7].


Para Irene Foulkes, os dados bíblicos e históricos registrados nos mostram que o próprio Paulo não goza de plena aceitação na Igreja que havia fundado.


[1] MORRIS, Leon. I Coríntios: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1981. 31p.

[2] FOULKES, Irene. Problemas Pastorales em Corinto: Comentário exegético-pastoral a 1 Coríntios. Costa Rica:DEI, 1996.p.71.

[3] BRAKEMEIER, Gottfried. A primeira carta do apóstolo Paulo à comunidade de Corinto: um comentário exegético-teológico. São Leopoldo: Sinodal: EST, 2008. 25-28pp.

[4] PRIOR, David. A mensagem de 1 Corintios: a vida na Igreja local. Tradução de Yolanda Mirdsa Krievin. 2. ed. São Paulo: ABU, 2001.29-36pp.

[5] FOULKES, Irene. Problemas Pastorales em Corinto: Comentário exegético-pastoral a 1 Coríntios. Costa Rica:DEI, 1996. 78-79pp.

[6] PRIOR, David. A mensagem de 1 Corintios: a vida na Igreja local. Tradução de Yolanda Mirdsa Krievin. 2. ed. São Paulo: ABU, 2001.29-36pp.

[7] BRAKEMEIER, Gottfried. A primeira carta do apóstolo Paulo à comunidade de Corinto: um comentário exegético-teológico. São Leopoldo: Sinodal: EST, 2008.25-28pp.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Simplesmente Extravagante


Como eu postei um artigo sobre "extravagância", segue mais esse, talvez com uma perspectiva um pouco diferente por parte da autora. Vale considerarmos a reflexão para nossas tantas sínteses



Texto Lucas 7.36-50

Jesus estava em Naim. E, um dado interessante é que os fariseus apesar de não reconhecer Jesus como o verdadeiro Messias, Simão, que era um fariseu chamou(Kaleo) Jesus com um propósito. A Bíblia não nos relata qual era esse propósito. A mulher a quem o texto se reporta é uma “gune”: referindo-se a qualquer mulher adulta. Os poucos dados que o texto nos fornece sobre a identidade dela: ela era da cidade e era pecadora.

Essa mulher nos deixou um dado dobre o “estar com o Mestre”.

Gostaria de esclarecer que a ênfase do texto pode ser histórico-social, no sentido de enfatizar a tensão entre Jesus e os fariseus, dentre outras. Mas o texto nos relata, e eu não posso deixar de avaliar, o significado da atitude daquela mulher que compõe “o quadro geral”. Essa mulher é o símbolo do “estar aos pés do Mestre”, e parece que, o texto nos revela uma forma um tanto quanto extravagante. O que o texto nos mostra é uma atitude intensa, e praticada de forma singela, simples. Tudo quanto ela fazia, fazia com tanta intensidade e verdade que chocou os fariseus presente na casa de Simão, e nos choca hoje. Fico imaginando uma cena assim bem no altar de nossas Igrejas, e como desdobramento o agir dos fariseus.

● Dados no texto que devem ser considerados:

a. A mulher “levou” (Komizo/ raiz de Komeo – Guardou para trazer) o alabastro. Alabastro é o nome de uma pedra – uma espécie de mármore branco de um belo polido. Os antigos consideravam que o alabastro era o melhor material para se preservar seus ungüentos. Provavelmente o ungüento era mirra (cheiro forte, amargo – seco - extraída da madeira).

b. Estava por detrás – ela não queria ser vista, o próprio verbo no original, tem a ver com enxergar. Ela provavelmente não se achava digna de estar diante de Jesus Cristo. Não queria ser enxergada. Estar aos pés de Jesus, conforme tradição do Oriente, pode significar que ela estava dizendo que queria ser uma discípula – no sentido de ouvir uma instrução de seu mestre; ou ainda, que estava “derrotada” diante do seu senhor – precisando de urgente auxílio;

● Enfatizando as atitudes da mulher:

1) “Chorava” - provavelmente enlutada por algum trauma sofrido (klaio) – chorava em voz alta; chorava como uma criança; A expressão usada no original é que ela “comia” os pés de Jesus com seus cabelos para enxugá-los. Talvez isso denote a intensidade do ato daquela mulher;

2) “Beijava” várias vezes (kataphileo) - ternamente, com respeito, e gostando do que estava fazendo;

3) “Ungia” (aleipho) uma palavra comum, mundana para ungir. Em atitude simples. Diferente de chrio – palavra sagrada e religiosa para ungir.

Hoje parece que vivemos na sociedade da exacerbações, quase tudo é muito intenso – nossas emoções estão quase sempre à flor da pele, não é verdade!? Isso reflete diretamente dentro da Igreja. Os jovens, ou para os de quaisquer que seja a idade, mas especialmente eles, acabam optando por um “estilo extravagante de estar com o Mestre” – por vários motivos. Nossa postura é quase sempre de crítica aos excessos. E eu acho que devemos ensinar mesmo, de verdade! Pastorear os que se orientam de forma incoerente. Mas a verdade é que precisamos experimentar também o que essa mulher experimentou – o perdão de seus pecados. Não existe uma “via-de-regra”, um padrão a ser seguido.

Não existe uma fórmula certa para “estar com Deus”, mas algumas indicações bíblicas, especialmente essa nos esclarece que: diante de Jesus precisamos nos entregar por inteiro, por completo, inclusive nossas formalidades. Diante de Deus devemos transcender nossos conceitos de certo e errado, feio e bonito, doutrinal e não-doutrinal - e nos entregarmos a ele, e somente a ele.

Marla
Teóloga Feminista
SP

segunda-feira, 16 de março de 2009

VIDA EXTRAVAGANTE

Esta é uma geração de cristãos que tem buscado novas formas de espiritualidade, novos modelos de culto e se preocupado em descobrir novas maneiras de adorar ao Eterno. Nessa busca, surgiu há alguns anos um movimento que ficou conhecido como “adoração extravagante”, uma tendência que abandona os padrões formais, e busca maior liberdade e espontaneidade.

Confesso que nunca experimentei nada novo em matéria de adoração, nunca me esparramei pelo chão, não tive arrebatamentos que me levassem ao terceiro céu, e não consigo repetir dezenas de vezes o mesmo refrão de um cântico. Mas eu sei que para Deus, adoração, antes de mais nada, é vida, e dela não pode estar separada.

Numa recente entrevista, o pastor e escritor na área de vida cristã, Eugene Peterson, disse que as pessoas que mais o incomodam são aquelas que chegam e perguntam o que elas têm de fazer para ser “mais espirituais”. E ele lhes responde: - “Esqueça esse negócio de ser espiritual. Que tal amar seu marido? Isso é um bom começo”. Porém, ele conclui desalentado: “Mas ninguém quer ouvir isso. Ninguém quer pensar em aprender a amar os filhos e aceitá-los do jeito que são”.

Espiritualidade no sentido bíblico nada tem a ver com uma forma diferente de orar, nem em ser batizado com a água de um determinado rio, nem ouvir o sonido do “shofar”, buscar êxtases, ou ser um asceta no mundo.

Desejas realmente agradar ao Único Senhor em tudo, e partilhar de Sua verdade aos homens? Buscas de fato uma “espiritualidade” que agrade profundamente ao Rei de toda a Terra? Anseias por alcançar aquilo que é chamado por muitos, de intimidade com Deus? Eis aqui alguns apontamentos que podem ser úteis nesse propósito:

Em primeiro lugar, ama extravagantemente. Ama sem esperar reciprocidade. Ainda que tenhas dons extraordinários, nunca te esqueças que é pelo amor e através do amor que o mundo olhará para ti como um autêntico discípulo de Jesus.

Perdoa sem reservas. Lembra-te que um dia fostes um devedor que não tinha como saldar uma dívida impagável, mas Jesus foi e a rasgou na cruz. E ainda o recebeu com teus defeitos e pecados.

Confessa-te pecador! Reconheça que em ti não reside bem algum, e se porventura enxergarem algo bom em sua vida, declare sem pestanejar que isso é integralmente obra do Espírito Santo.

Delicia-te com o fato de, mesmo pobre e desprezível aos olhos do mundo, ser possuidor da maior honraria que uma pessoa pode receber: ser chamada de filho de Deus.

Apazigua o teu coração na maravilhosa Graça divina, pois através dela não há nada que você possa fazer para ser mais amado pelo Eterno, e mesmo diante dos teus erros Ele continua a amá-lo de igual modo.

Lambuza-te com a Palavra, coma-a prazerosamente e sem prevenção. Digira em tuas entranhas esse santo maná e deixa-a manifestar-se nos teus membros na forma de uma vida em tudo agradável a Deus.

Conspira tenazmente contra toda forma de injustiça. Não te submetas aos dominadores, e não te cales diante dos poderosos.

Oferta generosamente! Não porque tema que “gafanhotos” saltarão das páginas do Antigo Testamento para assombrar tua vida, mas porque possuis em ti o espírito do Evangelho que considera tudo pertencente ao Pai. Por isso, ofereça a Deus, despojadamente, tudo o que és.

Rejeita qualquer forma de discriminação. Pratica o amor inclusivo de Jesus e seja como o servo que sai pelas ruas e becos da cidade trazendo os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos” (Lc 14.21) para que a Casa do Pai fique cheia. E Ele se alegrará em ti.

Confronta destemidamente os pregadores da prosperidade, os enganadores dos simples, e os que pensam ser alguma coisa, e nada são. Desmascara-os publicamente e não temas se disserem: “não toqueis o ungido do Senhor”. Lembra-te: és tu que verdadeiramente tem a unção do Alto, não eles.

Depois de tudo isso, (e somente depois), já não importará mais a forma da tua adoração, não importará se ajoelhas, se levanta as mãos, se entoa canções audíveis ou apenas balbucia trechos bíblicos quase inaudíveis, se balanças suavemente o teu corpo ao ritmo da música, ou se permaneces imóvel como que vendo o Invisível... sim, vá em paz, o Eterno já aceitou a adoração da tua vida, antes mesmo que adentrasses o templo do Senhor.


Pr. Daniel Rocha
dadaro@uol.com.br

quarta-feira, 11 de março de 2009

Gênesis ...


O problema surge, portanto, quando se pretende dar ao "mito" do Gênesis um significado singular, histórico, a fim de jusificar a expiação e estabelecer, assim, um paraleleo entre a queda mítica da humanidade e a sua "restauração" histórica. Para Jung, o mito exprime a consciência coletiva da raça humana; essa experiência é ancestral e presente na história grupal; por isso memso o mito não pode ser tratado como simples fato histórico.


KEELING, Michael. Fundamentos da Ética Cristã. Tradução de Aharon Sapsezian.176p.