terça-feira, 5 de janeiro de 2010

OS ESTRANHOS MÉTODOS DE DEUS

“Estas são as nações que o Senhor deixou ficar para, por meio delas, provar a Israel, a todos os que não haviam experimentado nenhuma das guerras de Canaã; tão-somente para que as gerações dos filhos de Israel delas aprendessem a guerra, pelo menos os que dantes não tinham aprendido. Estas nações eram: cinco chefes dos filisteus, todos os cananeus, os sidônios, e os heveus que habitavam no monte Líbano, desde o monte Baal-Hermom até a entrada de Hamate. Estes, pois, deixou ficar, a fim de por eles provar os filhos de Israel, para saber se dariam ouvidos aos mandamentos do Senhor, que ele tinha ordenado a seus pais por intermédio de Moisés. Habitando, pois, os filhos de Israel entre os cananeus, os heteus, os amorreus, os perizeus, os heveus e os jebuseus. tomaram por mulheres as filhas deles, e deram as suas filhas aos filhos dos mesmos, e serviram aos seus deuses. Assim os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor, esquecendo-se do Senhor seu Deus e servindo aos baalins e às aserotes” (Jz 3. 1-7 BRC).

Deus criou todos os seres vivos dotados de características e atributos que lhes são peculiares pelos quais os identificamos. Ex.: girafa; peixe; leão; árvore; homem, mulher, (...), etc. Dentre todas as características que envolvem os seres vivos há uma que é comum em todos eles e é a que mais me impressiona: A capacidade de adaptação ao meio! Esta característica pode se tornar mais ou menos forte de acordo com a necessidade de cada ser vivente. Ex.: Camaleão, sapo, etc. Esta capacidade, porém, ao ser desenvolvida gera as conseqüências que irão influenciar a qualidade de vida deste ser. É um processo quase inconsciente, porém, dinâmico. Que coisa apaixonante, não?

Não sou muito amante da televisão por conta da pobreza de conteúdo – salvo raríssimas exceções - exibida em suas programações, porém, esta semana repassando os canais detive-me no “TV Escola” que exibia um documentário sobre os primatas, mais especificamente sobre os gorilas e os chipanzés mostrando como eles foram modificando ao longo do tempo seus hábitos alimentares e seus relacionamentos em grupo conforme a necessidade imposta pelo habitat, a custo de sua sobrevivência. Eles apresentavam comportamento diferenciado dos outros da mesma espécie que habitavam noutros pontos. Este fato levou-me a repensar sobre os propósitos de Deus para minha vida.

Fico impressionado com os meios utilizados por Deus para manter a integridade do seu povo. No texto supra Ele preserva um remanescente dos inimigos de seu povo para ser o termômetro de sua obediência e fidelidade. E mais, os filhos de Israel haveriam de aprender com estes inimigos a guerrear! (Cf. V. 2). Parece paradoxal, mas é isso mesmo: Aprendendo e aperfeiçoando com os inimigos...

Já fui surpreendido com muitas perguntas capciosas, porém, uma delas ainda soa muito forte em meus ouvidos: “Se Deus é bom e é a Fonte de Todo bem, por que Ele permite a existência do mal (mau?)?”. Creio que o texto acima nos sugere uma boa resposta para esta pergunta: “Para nos treinar a sermos santos!”.

Erroneamente temos o costume de pensar que é impossível nos mantermos santos e fiéis em meio às provações e às adversidades, mas elas fazem parte do processo. José foi provado no Egito; Daniel foi provado na Babilônia, Paulo foi tentado a reter para si a glória em Filipos (Cf. At 16. 16-19), mas eles tinham claro diante de si seus verdadeiros valores e onde queriam chegar.
Se você teve a paciência de ler até aqui, talvez possa considerar que neste ponto tornou-se dúbia minha interpretação do texto, mas posso explicar melhor. A verdade é que as mudanças e adaptações só ocorrem em função daquilo que são para os seres vivos seus verdadeiros valores. Só lutamos por aquilo que nos parece valer a pena lutar. Só acontece uma mudança quando nossos valores vitais estão em risco.

A maior prova desta verdade pode ser conferida na saudação do final da Epístola ao Filipenses: “Todos os santos vos saúdam, especialmente os que são da casa de César” (Cf. Fp 4. 22). Para se ter uma idéia do que esta simples frase representa precisamos conhecer o contexto dos palácios dos “Césares”; dos chamados “Cultos ao Imperador”, onde se praticavam toda sorte de coisas abomináveis a Deus. Mas havia santos lá dispostos a pagar o preço de sua fidelidade a Deus porque seus valores transcendiam ao lúdico e ao efêmero, portanto, qualquer outra coisa só poderia produzir neles um desejo ainda maior em perseverar em fidelidade ao seu propósito, a santidade.

Estou certo de que o Senhor se utiliza também das coisas que menos imaginamos em nossos dias para nos manter atentos à disciplina e obediência à sua Palavra, logo, você pode ser fiel a Deus onde você mora, trabalha ou estuda, a despeito das coisas com as quais você convive, mas não comunga. Elas podem estar a serviço de Deus para medir nosso grau de fidelidade a Ele e aprendermos com elas como ser santos; por que não?

Pense nisto: Sua fidelidade a Jesus não pode depender de facilidades!

Que o Senhor nos ajude!

Rev. Antônio Luiz de Freitas
04/01/2010

Obs.: Este texto foi inspirado no sermão que preguei no culto de domingo, com ministração da Ceia do Senhor, dia 04 de janeiro de 2010. Espero mesmo que ele possa ser canal de bênção para você como foi para mim.

Pela graça e misericórdia daquele que nos chama, capacita e envia; o menor de todos os seus conservos, sou,

Pr. Antônio Luiz