sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Reformar e Revolucionar X Escatologia e Apocalíptica ((?))

Em diálogo com "A Reforma é Anti-bíblica" postado por Roger no site "Teologia Livre"/ [http://teologialivre.blogspot.com"].


Não podemos falar numa suposta "revolução", ou total transformação radical de qualquer coisa que seja, sem antes considerarmos a "reforma" dessa mesma coisa. Na minha opinião, "revolução" deve ser precedida por "reforma", caso contrário, num dado momento ela se torna estéril e irrelevantemente violência, e nada mais que isso: Incapaz de gerar bons frutos. O mesmo acontece se "reformamos" sem pensar em "revolução" - ou subversão do "normismo" - da "nomia viciada" - imposta pelo braço dominador. Tão estéril quanto.
Tenho trabalhado com a tese de que os dois conceitos: "reforma" e "revolução", devem ser trabalhados juntos e sempre nessa ordem: de forma tal que a "reforma" preceda a "revolução".
Reforma pressupõe o "não ignorar o passado", a história, e um olhar constante para o presente. É um olhar para o passado onde cabe relembrar "aquilo que pode gerar esperança". Em termos de "conservar", a reforma não torna o "feito até agora", de tudo, "uma perda de tempo". "Revolução", diferentemente de "reforma", rompe com "o feito até agora", e quase pressupõe que tudo instituído até então não passou de um grande erro. Nesses termos, revolução fala de futuro, e o que passa a ser "o determinante" reside no "daqui por diante". Por isso é fundamental Reformar sim, porém, nunca sem esquecer o dever que temos enquanto Igreja de Cristo e voz profrética à nação, de revolucionar.
E a Bíblia, tem um posicionamento sobre isso? Sim, eu diria. O povo semita, resolve os seus problemas relembrando a ação de Deus no passado. Essa é a esperança do povo de Israel quando em cativeiro, e em vários outros momentos de sua história nas narrativas bíblicas - relembrar dos feitos de Javé para ter esperança de que sua Tsedaká (justiça) não tardará. Nessa mesma lógica está a fórmula de invocação do povo semita ao: "Deus de Abraão, Deus de Isaque e Deus de Jacó".

Mas, e no Novo Testamento? Talvez, aqui sim, encontremos uma lógica mais "revolucionária", com movimentos que indiquem uma certa orientação para o futuro. Fruto do helenismo, das influências gnósticas do final do I século, dentre outros. E Jesus? Jesus foi um "reformador revolucionário" ! Acho que não preciso discorrer com maior detalhe sobre as obras de Jesus, bem como em que contexto histórico se deu o ministério do nazareno - fundamental para sentendermos as "questões" de Jesus com os fariseus por exemplo. Jesus não rompeu com o judeu-fariseu, nem muito menos com a cultura semita em si, ele é crítico severo da salvação condicionada à observância da lei farisaica, "(des)-orientados" pela lei de moisés ["Judaísmo formativo" + Ralaká + Ragadá] = Uma lei que é atraente mas que gera a exclusão da sinagoga, e conseqüentemente miséria para o excluído (a sinagoga possuía poderes econômicos e políticos, além de gozar do reconhecimento romano de "religião lícita" - ser excluído da sinagoga significava estar condicionado às margens). São coisas diferentes: Jesus prega contra a lógica farisaica da observância da lei, mas não rompe com a cultura de sua época, a não ser quando pensamos na exploração que Roma e seus imperadores impigia no mundo siro-palestinense e mediterrâneo. Nesse sentido sim, Jesus foi um revolucionário que levou às últimas conseqëncias (até á cruz) seu compromisso com o "Reino de Deus".
Eu iria discorrer sobre a "Reforma" enquando estimulada por um ideal-imaginário que abraça a escatologia e por isso não a apocalíptica. E a possível relação que existe entre revolução e ideal-imagináro apocalíptico. Nesse sentido, pensar escatologia seria falar em reforma, e falar em apocalíptica, seria falar em revolução. Mas, por temer ser enfadonho aos caros leitores/as, não o farei agora, quem sabe na próxima postagem.
Existe um ideal? Por isso eu defendo a tese do "casamento" dos dois termos, pois tanto a reforma-escatologia, quanto a revolução-apocalípitca, têm papel fundamental para nossa teologia, para nossas vidas.
Abraços amigo.




















































































domingo, 19 de outubro de 2008

Acordei com vontade de te dizer isso ...

Hoje, o dia amanheceu mais cedofoi mágico olhar em volta e te perceber tão perto – ofegante de sono, de tão dócil inspirava versos.

À você minha esposa, mulher dos meus sonhos e força que me desperta os mais intensos desejos: todo o amor do mundo.

Se eu conseguisse contar acertadamente o quanto de amor que tu mereces, eu o buscaria, ainda que me custasse todo o tempo de minha vida. Não me arrisco contar nem muito menos buscar, porque sei, nem mesmo se eu conseguisse quantificar toda beleza no mundo que exprime a ternura do amor, ainda assim te seria insuficiente, não porque és exigente, mas porque nada nunca será tão profundo quanto o que você significa para mim.

Vou vivendo, vou aprendendo a te dar valor, na esperança de que um dia eu consiga te fazer a mulher mais feliz e realizada do mundo. Não é mera ambição - tolice, mas utopia no sentido mais ingênuo e saudável da palavra – sonhos de um jovem que cresce e ama cada dia que vive ao lado de uma mulher tão especial.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O ser humano é: essencialmente desejo

Primeiramente um esclarecimento: resolvi publicar o material abaixo por querer elucidar o(a) querido(a) leitor(a) sobre o que pensava Freud e os pensadores que influenciaram suas teorias psicanalíticas. Tenho visitado alguns sites, principalmente em alguns blogs, que falam sobre "repressão sexual na concepção freudiana" sem um mínimo de conhecimento sobre o que ele pensava sobre a temática e a teoria que ele desenvolveu. O texto abaixo não foi citado com a pretesão de abastar o(a) leitor(a), mas acrescentar conteúdo aos que apreciam tal discursão e quem sabe promover reflexão, esse útlimo tem sido um dos meus objetivos mais perseguidos nas publicações presentes nesse blog.

Abraço a todos(as).


A psicanálise

"Os sonhos são uma pintura muda, em que a imaginação a portas fechadas, e às escuras, retrata a vida e a alma de cada um, com as cores das suas ações, dos seus propósitos e dos seus desejos". Padre Vieira, no Sermão de São Francisco Xavier Dormindo

Cabe um esclarecimento inicial ao leitor: procurei montar esta página com o pensamento original de Freud, apesar de estar consciente de que vários dos postulados originais da psicanálise foram revisados e modificados, - vários deles considerados ultrapassados pelo próprio Freud em seus últimos anos. Também não abordarei aqui a doutrina freudiana em toda a sua extensão e implicações. Por isso, aconselho o leitor a procurar um psicanalista licenciado que possa orientá-lo corretamente nessa matéria.

A Psicanálise é ao mesmo tempo um modo particular de tratamento de desequilíbrio mental e uma teoria psicológica que se ocupa dos processos mentais inconscientes; uma teoria da estrutura e funcionamento da mente humana e um método de análise dos motivos do comportamento; uma doutrina filosófica e um método terapêutico de doenças de natureza psicológica supostamente sem motivação orgânica.. Originou-se na prática clínica do médico e fisiologista Josef Breuer, devendo-se a Sigmund Freud (1856-1939) a valorização e aperfeiçoamento da técnica e a formulação dos conceitos nos desdobramentos posteriores do método e da doutrina, o que ele fez valendo-se do pensamento de alguns filósofos e de sua própria experiência profissional.

Sua formulação representou basicamente a consolidação em um corpo doutrinário de conhecimentos existentes, como a estrutura tripartite da mente, suas funções e correspondentes tipos de personalidade, a teoria do inconsciente, o método terapêutico da catarse, e toda a filosofia pessimista da natureza humana difundida à época em que foi concebida. Além de alicerçar-se, como método terapêutico, nas descobertas do médico austríaco Josef Breuer, como doutrina tem em seus fundamentos muito do pensamento filosófico de Platão e do filósofo alemão Arthur Schopenhauer.

No entanto, ao serem esses conhecimentos incorporados na Psicanálise, foi aberto o caminho para um número grande de conceitos subordinados que eram novos, como os de atos sintomáticos, sublimação, perversão, tipos de personalidade, recalque, transferência, narcisismo, projeção, introjeção, etc. A psicanálise constituiu-se, por isso, em um modo novo de abordar as condições psíquicas correspondentes a estados de infelicidade e a comportamentos anti-sociais, e deu nascimento ao tratamento clínico psicológico e psiquiátrico moderno.

A extraordinária popularidade da psicanálise poderá, talvez, ser explicada, em parte, pela sua ousada concepção da motivação humana, ao colocar o sexo, - objeto natural de interesse das pessoas e também sua principal fonte de felicidade -, como único e poderoso móvel do comportamento humano. O mundo civilizado, pouco antes chocado com a tese evolucionista de que o homem descendia dos chimpanzés, já não se surpreendia com a tese de que o sexo dominava o inconsciente e estava subjacente a todos os interesses humanos. A novidade foi recebida com divertido espanto e prazerosa excitação. Em que pese os detalhes picarescos de muitas narrativas clínicas, a abordagem do sexo sob um aspecto científico, em plena era vitoriana, representou uma sublimação (para usar um conceito da própria psicanálise) que permitiu que a sexualidade fosse, sem restrições morais, discutida em todos os ambientes, inclusive nos conventos. Essa permeabilidade subjetiva confundiu-se com profundidade científica, e a teoria foi levada a aplicação em todos os campos das relações sociais, nas artes, na educação, na religião, em análises biográficas, etc. Porém, a questão da motivação sexual foi causa de se afastarem do círculo de Freud aqueles que haviam inicialmente se entusiasmado pela psicanálise como método de análise do inconsciente, entre eles Carl Jung, Otto Rank, e Alfred Adler que decidiram por outras teses, e fundaram suas próprias correntes psicanalíticas. No seu todo, a psicanálise foi fortemente contestada por outras correntes, inclusive a da fenomenologia, a do existencialismo, e a da logoterapia de Viktor Frankl.

O pensamento de Freud está principalmente em três obras: "Interpretação dos Sonhos", a mais conhecida, que publicou, em 1900; "Psicopatologia da Vida Cotidiana", na qual apresenta os primeiros postulados da teoria psicanalítica, publicada em 1901, e "Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade", que contem a exposição básica da sua teoria, de 1905.

Em "Mal Estar na Civilização", publicado em 1930, Freud lança os conceitos de culturas neuróticas, conceitos de projeção, sublimação, regressão e Transferência. Em "Totem e Tabu (1913/14) e "O Futuro de uma Ilusão"(1927) sua posição sobre a religião. Os postulados da teoria são numerosos, e seu exame completo demandaria um espaço muito extenso, motivo porque somente os aspectos usualmente mais expostos da doutrina e do método serão examinados nesta página.

Importância do instinto sexual. Freud notou que na maioria dos pacientes que teve desde o início de sua prática clínica, os distúrbios e queixas de natureza hipocondríaca ou histérica, estavam relacionados a sentimentos reprimidos com origem em experiências sexuais perturbadoras. Assim ele formulou a hipótese de que a ansiedade que se manifestava nos sintomas era conseqüência da energia (libido) ligada à sexualidade; a energia reprimida tinha expressão nos vários sintomas que serviam como um mecanismo de defesa psicológica. Essa força, o instinto sexual, não se apresentava consciente devido à "repressão" tornada também inconsciente; Revelação da "repressão" inconsciente era obtida pelo método da livre associação (inspirado nos atos falhados ou sintomáticos, em substituição à hipnose) e interpretação dos sonhos (conteúdo manifesto e conteúdo latente). O processo sintomático e terapêutico compreendia: experiência emocional - recalque e esquecimento - neurose - análise pela livre associação - recordação - transferência - descarga emocional - cura.

Estrutura tripartite da mente. Freud buscou inspiração na cultura Grega, pois a doutrina platônica com certeza o impressionou em seu curso de Filosofia. As partes da alma de Platão correspondem ao Id, o Superego e o Ego da sua teoria das partes ou órgãos da mente (1923 - "O Ego e o Id").

Id - Freud buscou funções físicas para as partes da mente. O Id, regido pelo "princípio do prazer", tinha a função de descarregar as tensões biológicas. Corresponde à alma concupiscente, do esquema platônico: é a reserva inconsciente dos desejos e impulsos de origem genética e voltados para a preservação e propagação da vida.

O "Ego" lida com a estimulação que vem tanto da própria mente como do mundo exterior. Racionaliza em favor do Id, mas é governado pelo "princípio de realidade". É a parte racional da alma, no esquema platônico. É parte perceptiva e a inteligência que devem, no adulto normal, conduzir todo o comportamento e satisfazer simultaneamente as exigências do Id e do Superego através de compromissos entre essas duas partes, sem que a pessoa se volte excessivamente para os prazeres e sem que, ao contrário, se imponha limitações exageradas à sua espontaneidade e gozo da vida.

O Ego ou o Eu é a consciência, pequena parte da vida psíquica, subtraída aos desejos do Id e à repressão do Superego. Obedece ao principio da realidade, ou seja, á necessidade de encontrar objetos que possam satisfazer ao Id sem transgredir as exigências do Superego.
É parte perceptiva e a inteligência que deve, no adulto normal, conduzir todo o comportamento e satisfazer simultaneamente as exigências do Id e do Superego através de compromissos entre essas duas partes, sem que a pessoa se volte excessivamente para os prazeres e sem que, ao contrário, se imponha limitações exageradas à sua espontaneidade e gozo da vida.

O Ego é pressionado pelos desejos insaciáveis do Id, a severidade repressiva do Superego e os perigos do mundo exterior. Se submete-se ao Id, torna-se imoral e destrutivo; se submete-se ao Superego, enlouquece de desespero, pois viverá numa insatisfação insuportável; se não se submeter á realidade do mundo, será destruído por ele. Por esse motivo, a forma fundamental da existência para o Ego é a angústia existencial. Estamos divididos entre o principio do prazer (que não conhece limites) e o principio de realidade (que nos impõe limites externos e internos). Tem a dupla função de, ao mesmo tempo, recalcar o Id, satisfazendo o Superego, e satisfazer o Id, limitando o poderio do Superego. No indivíduo normal, essa dupla função é cumprida a contento. Nos neuróticos e psicóticos o Ego sucumbe, seja porque o Id ou o Superego sao excessivamente fortes, seja porque o Ego é excessivamente fraco.

O terceiro agente é o "Superego", que é gradualmente formado no "Ego", e se comporta como um vigilante moral. Contem os valores morais e atua como juiz moral. É a parte irascível da alma, a que correspondem os "vigilantes", na teoria platônica.

O Superego, também inconsciente, faz a censura dos impulsos que a sociedade e a cultura proíbem ao Id, impedindo o indivíduo de satisfazer plenamente seus instintos e desejos. É o órgão da repressão, particularmente a repressão sexual. Manifesta-se á consciência indiretamente, sob a forma da moral, como um conjunto de interdições e de deveres, e por meio da educação, pela produção da imagem do "Eu ideal", isto é, da pessoa moral, boa e virtuosa. O Superego ou censura desenvolve-se em um período que Freud designa como período de latência, situado entre os 6 ou 7 anos e o inicio da puberdade ou adolescência. Nesse período, forma-se nossa personalidade moral e social (1923 "O Ego e o Id").

O inconsciente, diz Freud, não é o subconsciente. Este é aquele grau da consciência como consciência passiva e consciência vivida não-reflexiva, podendo tomar-se plenamente consciente. O inconsciente, ao contrário, jamais será consciente diretamente, podendo ser captado apenas indiretamente e por meio de técnicas especiais de interpretação desenvolvidas pela psicanálise.
Atos falhos ou sintomáticos. Os chamados Atos sintomáticos são para Freud evidência da força e individualismo do inconsciente: e sua manifestação é comum nas pessoas sadias. Mostram a luta do consciente com o subconsciente (conteúdo evocável) e o inconsciente (conteúdo não evocável). São os lapsus linguae, popularmente ditos "traição da memória", ou mesmo convicções enganosas e erros que podem ter conseqüências graves.

Motivação. Para explicar o comportamento Freud desenvolve a teoria da motivação sexual (sobrevivência da espécie) e do instinto de conservação (sobrevivência individual). Mas todas as suas colocações giram em torno do sexo. A força que orienta o comportamento estaria no inconsciente e era o instinto sexual;Contribui com uma teoria das fases do desenvolvimento do indivíduo. A pessoa passa por quatro sucessivos tipos de caráter: oral, anal e genital, com regressão e fixação.

Fases do desenvolvimento sexual. Freud descobriu três fases da sexualidade humana que se diferenciam pelos órgãos que sentira prazer e pelos objetos ou seres que dão prazer. Essas fases se desenvolvera entre os primeiros meses de vida e os 5 ou 6 anos, ligadas ao desenvolvimento do Id:

(1) a fase oral, ou fase da libido oral, ou hedonismo bucal, quando o desejo e o prazer localizam-se primordialmente na boca e na ingestão de alimentos e o seio materno, a mamadeira, a chupeta, os dedos são objetos do prazer;

(2) a fase anal, ou fase da libido ou hedonismo anal, quando o desejo e o prazer localizara-se primordialmente nas exercesse e as fezes, brincar com massas e com tintas, amassar barro ou argila, comer coisas cremosas, sujar-se são os objetos do prazer;

(3) e a fase genital ou fase fálica, ou fase da libido ou hedonismo genital: quando o desejo e o prazer localizara-se primordialmente nos órgãos genitais e nas partes do corpo que excitam tais órgãos. Nessa fase, para os meninos, a mae é o objeto do desejo e do prazer; para as meninas, o pai.

Tipos de personalidade. O tipo genital é a pessoa plenamente desenvolvida e equilibrada.
Aqueles que por algum motivo se detém em seu desenvolvimento emocional, se fixam em qualquer uma das três fases transitórias (Freud. 1908), resultando tipos e subtipos de personalidade correspondentes.

O tipo oral: (1) Oral receptivo: pessoa dependente, espera que tudo lhe seja dado, sem qualquer reciprocidade; (2) Oral sadístico, não espera que alguém lhe dê voluntariamente qualquer coisa. Decide-se a empregar a força e a astúcia para conseguir o que deseja. Explorador e agressivo.
Anal sadístico: impulsivamente avaro, sua segurança reside no isolamento. Ordenadas e metódicas, parcimoniosas e obstinadas.

Perversão. Porém, assim como a loucura é a impossibilidade do Ego para realizar sua dupla função, também a sublimação pode não ser alcançada e, era seu lugar, surgir uma perversão social ou coletiva, urna loucura social ou coletiva. O nazismo é um exemplo de perversão, era vez de sublimação. A propaganda, que induz em nós falsos desejos sexuais pela multiplicação das imagens de prazer, é outro exemplo de perversão ou de incapacidade para a sublimação.

Complexos de Édipo. No centro do "Id", determinando toda a vida psíquica, encontra-se o que Freud denominou de complexo de Édipo, isto é, o desejo incestuoso pela mãe, e uma rivalidade com o pai. É esse o desejo fundamental que organiza a totalidade da vida psíquica e determina o sentido de nossas vidas. Freud introduziu o conceito no seu Interpretação dos Sonos (1899). O termo deriva do herói grego Édipo, que, sem saber, matou seu pai e se casou com sua mãe.


Freud atribui o complexo de Édipo as crianças de idade entre 3 e 6 anos. Ele disse que o estágio geralmente terminava quando a criança se identificava com o parente do mesmo sexo e reprimia seus instintos sexuais. Se o relacionamento prévio com os pais fossem relativamente amáveis e não traumáticos, e se a atitude parental não fosse excessivamente proibitiva nem excessivamente estimulante, o estagio seria ultrapassado harmoniosamente. Em presença do trauma, no entanto, ocorre uma neurose infantil que é um importante precursor de reações similares a vida adulta. O Superego, o fator moral que domina a mente consciente do adulto também tem sua parte no processo de gerar o complexo de Édipo.

Freud considerou a reação contra o complexo de Édito o mais importante conquista social da mente humana. Psicanalistas posteriores consideram a descrição de Freud imprecisa, apesar de conter algumas verdades parciais.

Complexo de Eletra. O equivalente feminino do Complexo de Édipo é o Complexo de Eletra, cuja lenda fundamental é a de Electra e seu irmão Orestes, filhos de Agamemnon e Clytemnestra. Eletra ajudou o irmão a matar sua mãe e o amante dela, um tema da tragédia grega abordado, como pequenas variações, por Sófocles, Eurípedes e Esquilo.

Narcisismo. narcisismo, isto é, a bela imagem que possuíamos de n(5s mesmos como seres conscientes racionais e com a qual, durante Séculos, estivemos encantados.

Conta O mito que O jovem Narciso, belíssimo, nunca tinha visto sua própria imagem. Um dia, passeando por um bosque, encontrou um lago. Aproximou-se e viu nas águas um jovem de extraordinária beleza e pelo qual apaixonou-se perdidamente. Desejava que o noutro saísse das águas e viesse ao seu encontro, mas como o outro parecia recusar-se a sair do lago, Narciso mergulhou nas águas, foi ás profundezas á procura do outro que fugia, morrendo afogado.


Narciso morrera de amor por si mesmo, ou melhor, de amor por sua própria imagem ou pela auto-imagem. O narcisismo é o encantamento e a paixão que sentimos por nossa própria imagem ou por nós mesmos, porque não conseguimos diferenciar um do outro.

Mecanismos de defesa são processos subconscientes que permitem a mente encontrar uma solução para conflitos não resolvidos ao nível da consciência. A psicanálise supõe a existência de forças mentais que se opõem umas às outras e que batalham entre si. Freud utilizou a expressão pela primeira vez no seu "As neuroses e psicoses de defesa", de 1894.

Os mecanismos de defesa mais importante são:

Repressão, que é afastar ou recalcar da consciência um afeto, uma idéia ou apelo do instinto. Um acontecimento que por algum motivo envergonha uma pessoa pode ser completamente esquecido e se tornar não evocável.

Defesa de reação. Consiste em ostentar um procedimento e externar sentimentos opostos aos impulsos verdadeiros, quando estes são inconfessáveis. Um pai que é pouco amado, recebe do filho uma atenção por vezes exagerada para que este se convenção de que é um bom filho.
Projeção, consiste em atribuir a outro um desejo próprio, ou atribuir ao outro algo que justifique a própria ação. O estudante cria o hábito de colar nas provas dizendo para se justificar que os outros colam ainda mais que ele.

Regressão é o retorno a atitudes passadas que provaram ser seguras e gratificantes, e às quais a pessoa busca voltar para fugir de um presente angustiante. Devaneios e memórias que se tornam recorrentes, repetitivas.

Substituição. O inconsciente, em suas duas formas, está impedido de manifestar-se diretamente à consciência, mas consegue faze-lo indiretamente. A maneira mais eficaz para essa manifestação é a substituição, isto é, o inconsciente oferece a consciência um substituto aceitável por ela e por meio do qual ela pode satisfazer o Id ou o Superego. Os substitutos são imagens (isto é, representações analógicas dos objetos do desejo) e formam o imaginário psíquico, que, ao ocultar e dissimular o verdadeiro desejo, o satisfaz indiretamente por meio de objetos substitutos (a chupeta e o dedo, para o seio materno; tintas e pintura ou argila e escultura para as fezes, uma pessoa amada no lugar do pai ou da mãe). Além dos substitutos reais (chupeta, argila, pessoa amada), o imaginário inconsciente também oferece outros substitutos, os mais freqüentes sendo os sonhos, os lapsos e os atos falhos. Neles, realizamos desejos inconscientes, de natureza sexual. São a satisfação imaginária do desejo.

Alguém sonha, por exemplo, que sobe uma escada, está num naufrágio ou num incêndio. Na realidade, sonhou com uma relação sexual proibida. Alguém quer dizer uma palavra, esquece-a ou se engana, comete um lapso e diz uma outra que nos surpreende, pois nada terá a ver com aquela que se queria dizer: realizou um desejo proibido. Alguém vai andando por uma rua e, sem querer, torce o pé e quebra o objeto que estava carregando: realizou um desejo proibido.

Sublimação, consistindo em adotar um comportamento ou um interesse que possa enobrecer comportamentos instintivos de raiz Ética é renunciar às gratificações puramente instintuais por outras em conformidade com os valores sociais, como um homem pode encontrar uma válvula para seus impulsos agressivos tornando-se disputador de um prêmio, um jogador de football ou mesmo um cirurgião. Para Freud as obras de arte, as ciências, a religião, a Filosofia, as técnicas e as invenções, as instituições sociais e as ações políticas, a literatura e as obras teatrais (e se ele vivesse hoje diria que também as páginas na Internet) são sublimações, ou modos para a substituição do desejo sexual de seus autores e esta é a razão de existirem os artistas, os místicos, os pensadores, os escritores, cientistas, os líderes políticos, etc.

Esses mecanismos são aprendidos na família ou no meio social externo a que a criança e o adolescente estão expostos. Quando os mecanismos de defesa conseguem controlar as tensões, nenhum sintoma se desenvolve, apesar de que o efeito possa ser limitador das potencialidades do Ego, e empobrecedor da vida instintual. Se o mecanismo falha em eliminar as tensões e se o material reprimido retorna à consciência, o Ego é forçado a multiplicar e intensificar seu esforço defensivo e exagerar o uso dos vários mecanismos. É nestes casos que a loucura, os sintomas neuróticos, são formados. Para a psicanálise, as psicoses significam um severa falência do sistema defensivo, caracterizada também por uma preponderância de mecanismos primitivos. A diferença entre o estado neurótico e o psicótico seria, portanto, quantitativa, e não qualitativa.

Transferência. Freud afirmou que a ligação emocional que o paciente desenvolvia em relação ao analista representava a transferência do relacionamento que o paciente havia tido com seus pais e que o paciente inconscientemente projetava no analista. O impasse que existiu nessa relação infantil criava impasses na terapia, de modo que Freud considerou a solução da transferência o ponto chave para o sucesso do método terapêutico. Embora Freud demorasse a considerar a questão inversa, a da atratividade do paciente sobre o terapeuta, esse problema se manifestou tão cedo quanto ainda ao tempo das experiência de Breuer, que teria se deixado afetar sentimentalmente por sua principal paciente, Bertha Pappenheim.

Os sonhos: conteúdo manifesto e conteúdo latente. (Significados conscientes e subconscientes). A vida psíquica dá sentido e coloração afetivo-sexual a todos os objetos e a todas pessoas que nos rodeiam e entre os quais vivemos. Por isso, sem que saibamos por que desejamos e amamos certas coisas e pessoas odiamos e tememos outras. As coisas e os outros são investidos por nosso inconsciente com cargas afetivas de libido.

É por esse motivo que certas coisas, certos sons, certas cores, certos animais, certas situações nos enchem de pavor, enquanto outras nos enchem de bem-estar, sem que o possamos explicar. A origem das simpatias e antipatias, amores e ódios, medos e prazeres desde a nossa mais tenra infância, era geral nos primeiros meses e anos de nossa vida, quando se formara as relações afetivas fundamenta e o complexo de Édipo.

Essa dimensão imaginária de nossa vida psíquica - substituições, sonhos, lapsos, atos falhos, prazer e desprazer com objetos e pessoas, medo ou bem-estar com objetos ou pessoas indica que os recursos inconscientes para surgir indiretamente á consciência possuem dois níveis: o nível do conteúdo manifesto (escada, mar e incêndio, no sonho; a palavra esquecida e a pronunciada, no lapso; pé torcido ou objeto partido, no ato falho) e o nível do conteúdo latente, que é o conteúdo inconsciente real e oculto (os desejos sexuais).

Nossa vida normal se passa no plano de conteúdos manifestos e, portanto, no imaginário. Somente uma análise psíquica e psicológica desses conteúdos, por meio de técnicas especiais (trazidas pela psicanálise), nos permite decifrar o conteúdo latente que se dissimula sob o conteúdo manifesto.

A psicanálise e a psicologia de Schopenhauer, Brentano e Hartmann

Alguns críticos de Freud dizem que ele não fez muito mais que desenvolver na Psicanálise as idéias que Arthur Schopenhauer colocou em seu livro "O mundo como vontade e representação", como o poder dos complexos com origem na inibição sexual, incesto, fixação materna e complexo de Édipo., a começar pela sua teoria dos instintos, os quais correspondem perfeitamente, na psicologia de Schopenhauer, à Vontade opressora que dirige as ações do homem, e o faz de modo total, não apenas no instinto sexual (Eros) como também no instinto de morte (Tanatus) uma manifestação da mesma Vontade condutora da natureza. O pensamento de Schopenhauer contem aspectos do que Freud desenvolveria mais tarde na Psicanálise: o poder dos complexos com origem na inibição sexual, incesto, fixação materna e complexo de Édipo e inclusive o que veio a ser a teoria fundamental do método da livre associação de idéias utilizado por Freud. O que Schopenhauer escreveu sobre a loucura antecipou a teoria da repressão e a concepção da etiologia das neuroses na teoria da Psicanálise de Freud. E o mais importante, Schopenhauer articula a maior parte da teoria freudiana da sexualidade.

E o mais importante, Schopenhauer articula a maior parte da teoria freudiana da sexualidade O conceito de "Vontade" de Schopenhauer contem também os fundamentos do que viria a ser os conceitos de "inconsciente" e "Id" da doutrina freudiana. A Vontade como coisa absoluta e auto-suficiente, tem ela própria "desejos". Quando se manifesta na forma de uma criatura ela busca se perpetuar por via dos meios de reprodução dessa criatura. Por isso o sexo é básico para a Vontade perpetuar a si própria. Resulta que o impulso sexual é o mais veemente de todos os apetites, o desejo dos desejos, a concentração de toda nossa vontade.

Os críticos consideram impressionante o quanto possivelmente Brentano influenciou a Freud. Este assistiu suas aulas por pelo menos dois anos, e exatamente na época que Brentano publicou seu famoso livro de 1874, no qual seu equacionamento entre o físico e o psíquico, o psicossomático, é mais salientado. O quanto Freud retirou de Schopenhauer foi provavelmente através de Brentano, citado inúmeras vezes no referido livro, no qual Brentano também discute amplamente Karl von Hartman, filósofo alemão, chamado "o filósofo do inconsciente", autor de "A filosofia do inconsciente", de 1983, e o faz precisamente na questão dos estados mentais inconscientes. Brentano gozava de grande popularidade entre os estudantes, entre os quais estavam, além de Sigmund Freud, o psicólogo Carl Stumpf, e o filósofo Edmund Husserl.


Texto na íntegra de: Rubem Queiroz Cobra [Doutor em Geologia e bacharel em Filosofia].
Citação bibliográfica: Cobra, Rubem Q. - A Psicanálise. COBRA PAGES: www.cobra.pages. nom.br, Internet, Brasília, 2003. ("Geocities.com/cobra_pages" é "Mirror Site" de COBRA.PAGES). Disponívem em: <http://www.cobra.pages.nom.br/ecp-psicanalise.html>, acesso dia: 14 de outubro de 2008.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

DEUS: o transcendente em parte revelado



Fico olhando ao meu redor, e encantado, percebendo duas coisas essenciais: a sutileza de cada uma das coisas que carregam as mais singelas expressões de Deus e a transitoriedade da vida.

Não compactuo com as teses panteístas, [panenteístas?] não é sobre isso que eu gostaria de falar. O que eu quero é utilizar-me daquilo que os seres humanos dizem ser Deus, como são frágeis e quase que contraditórias as características sob as quais de alguma forma bricolamos para constituir a "face de Deus". A tentativa de imagetizar é o esforço para a “visualização” do que seria "o verdadeiro Deus". Acho que o denominacionalismo presente hoje caricaturiza bem isso que eu quero dizer. Triste é que Deus fica refém dos pincéis de cada uma das denominações. Cada um(a) pinta Deus nas telas da vida eclesiástica, o que influencia diretamente o cotidiano, de acordo com sua cosmologia por exemplo, contexto ... etc. São tantos os detalhes que tentam aprisionar de alguma maneira a verdadeira fisionomia de Deus ... e Deus vai ficando refém (ou pelo menos pensamos que sim) ... também do humor das pessoas, das filosofias, ideologias pessoais, e coisas assim. Um Deus muito particularizado e personalizado, adequado aos dogmas (desejos) de cada pessoa-instituição.

Em contrapartida, vejo os seres humanos constantemente se surpreendendo emuitos se furstrando. A cada dia que se passa descobrem uma outra característica de Deus, e que quase sempre rompe com a antiga “fisionomia divinizada do Deus pintado” – Deus nos dá a oportunidade, o privilégio, da surpresa. A cada dia Ele mesmo nos mostra o quanto somos pequenos diante de sua criação, diante de sua majestade.

Uns dizem: Deus não existe !! Outros dizem: agora descobrimos Deus !! E outros ainda se denominam: "caçadores de Deus”, e outros mais absolutistas disem que: “Deus é!”, como se já tivessem conquistado "o Deus caçado [dos caçadores de Deus]". Sinceramente não sei mensurar o tamanho do vazio presente em cada uma dessas afirmações. Prefiro ficar com as afirmações de fé da Bíblia: “em parte conhecemos ....”. O Deus que nos surpreende é belo, não se deixa capturar, o Jó da Bíblia aprendeu isso dialogando com Ele, com o transcendente.

Que tal se hoje parássemos para refletir sobre como são frágeis as nossas afirmações, aquelas que absolutizadas acabam por reprimir e construir estruturas tão transitórias e portanto frustrantes - geradoras de esquizofrenia. Talvez refletindo possamos nos tornar mais humanos, responsáveis pelos nossos próprios atos, mais humildes em reconhecer nossas faltas. Erramos tanto quanto qualquer um outro ser humano erra. Deveríamos idolatrar menos “a imagem” do Deus que os humanos criaram em seus processos institucionalizadores, imaginário, nisso consiste o grande pecado. Deveríamos estar abertos ao Deus que é amor e nos chama ao compromisso com a nossa humanidade, ao cuidado com a vida.

Fico pensando o quanto ainda iremos nos surpreender, e outros se frustrar. Que no fim de tudo, ou pelo menos quando ele chegar para cada um de nós (o fim), tenhamos a oportunidade de descansar em paz nos braços desse Deus: infinito e transcendente, ainda em parte revelado, que nos convida à vida eterna, à plenitude dos tempos.

Esse é o meu desejo, mas também não saberia quantificar o tamanho do vazio presente nesse texto, então, o que me resta senão viver. Uns dizem ele se vitimiza e se utiliza da dialética (criada pelo demômio) para as relativizações .. eu diria que não .. eu diria que eu penso sobre cada detalhe, eu vivo os detalhes.

O que me resta? Olhar para trás para viver bem o presente, e lançar-me ao futuro esperançoso de que dias melhores virão ... porque "O que era" (em parte) será plenamente revelado.

Abraços amigos.

domingo, 5 de outubro de 2008

Frase do Dia


Sei que tenho um espaço específico no blog para divulgação dessas "frases do dia", mas essa em especial eu gostaria de destacar:


A inteligência é quase inútil para quem não tem mais nada
(Alexis Carel).


Lembremo-nos que acumulo de informações nunca significou sabedoria.

sábado, 4 de outubro de 2008

Tributo à Vida [minha filha Amanda]


Engravidamos de você no coração,
mas não era só ele que batia forte não;
No primeiro movimento seu, nosso mundo também se moveu,
desde o ventre já és especial, jóia rara, esperada, não comprada, dada por Deus.

Derrepente o nosso mundo teve mais cor,
cedemos a um novo amor;
Era você que chegava trazendo emoções despertando alegria e inspirando canções,
desde o ventre já és especial, jóia rara, esperada, não comprada, dada por Deus.

Ansiosamente esperamos por você,
não vamos esconder esta verdade não;
É vontade de te ter guardada nos braços amparada em cada um de nossos abraços.
Desde o ventre já és especial, jóia rara, esperada, não comprada, dada por Deus.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

DEUS INCOMODA

Para uns, Deus é uma força cósmica, uma energia poderosa e inexplicável, que emana suas radiações dos confins do Universo.

Para outros, Deus criou o mundo, mas hoje está inoperante por não ter impedido que coisas ruins acontecessem, como o Holocausto, o 11 de setembro e a tsunami destruidora na Ásia.

Ainda para alguns, Deus é um ser castrador, que inventou mandamentos, regras e proibições para impedir que gozemos tudo o que há de bom na vida. Já em outro extremo, há os que vêm em Deus uma divindade tão amorosa que Ele não faz conta de nossos erros, tropeços e pecados... é enfim, um “deus bonzinho”, que lá no Antigo Testamento foi severo, mas agora se arrependeu.

Não é difícil perceber que, embora desconheçam da natureza e do caráter divino narrados nas Escrituras, as pessoas estão em busca de uma espiritualidade – qualquer uma – para fruir de suas bênçãos e benesses, mas nem sempre desejam Aquele que originaram elas. O povo tem fome de que? Certamente não é do “Deus de Abraão, Isaque e Jacó”, e nem tampouco de Jesus de Nazaré.

Em primeiro lugar, o povo busca sensações prazerosas. Por isso a avaliação que fazem de nossas reuniões de fé sempre se dá no campo estético: “gostei”, “bonita apresentação”, “bela mensagem”. Ou ainda no campo da sensação: “senti uma coisa gostosa ali”. Sem dúvida que a presença divina pode proporcionar tudo isso, mas um verdadeiro encontro com o Eterno não fica só na sensação: a vida inteira é tocada.

É duvidoso afirmar que a maioria das pessoas que procuram uma instituição religiosa ou o auxílio de um pastor, estejam de fato buscando um Deus que reine em suas vidas, que controle seu humor, dirija seus sonhos, e conceda-lhes uma virada existencial. Não! Desde que a igreja atenda alguns de seus problemas pontuais, está tudo bem, e isso por vezes independentemente de qualquer fé em Deus.

Quando vejo nas manhãs frias de domingo igrejas repletas de fiéis, braços levantados, entoando cânticos de vitória, custa-me crer que estejam de fato buscando ao Deus Trino, Santo e Soberano. Vamos comprovar? Eliminem-se as promessas de cura, de emprego, e de resolução de problemas.... e aquele local se esvaziará. Experimente-se num espaço de grande aglomeração de fé alterar o cardápio que será oferecido à multidão, e ao invés de um “encontro de milagres” promova-se ali um estudo profundo da Epístola de Tiago e uma palestra com o tema “Santidade ao Senhor”, e constataremos que todo interesse desaparecerá. Não, não é a Deus que buscam.

Na verdade, poucos querem Deus, pois Deus incomoda. Ele nunca nos dá nenhuma certeza, a não ser Suas promessas escritas num livro com mais de dois mil anos. Não há apólices, contratos ou qualquer outra segurança que seja visível ou palpável. Neste mundo moderno as pessoas não querem incertezas ou riscos.

Como Eugene Peterson observou, Deus incomoda porque esperamos que Ele resolva nossos problemas de caráter e de vícios de forma rápida e indolor. Mas Ele insiste num “programa de recuperação” lenta e gradual.

Deus incomoda porque Ele destrói nossas ilusões religiosas mais sublimes. Foi assim com o povo que seguia a Jesus porque “tinham visto os sinais que ele fazia” (Jo 6.2), mas quando o Mestre começou a mostrar a outra face do Reino essas pessoas abandonaram a fé e já não andavam com Ele. Até os próprios discípulos também foram confrontados: ”Quereis também vós retirar-vos?” (Jo 6.67). Em outras palavras: o homem que segue a Cristo por uma razão falsa ou errada está iludindo a si mesmo e enganando a Igreja, pois quem os observa presume que este iludido seja um cristão. E não é! (Lloyd-Jones).

As pessoas não se sentem confortáveis com Deus em suas vidas. Elas preferem algo menos temível, como por exemplo, serem simpatizantes da fé e freqüentadoras dos cultos. Por quê? Simples: Deus incomoda, perscruta, atinge, inquire, confronta nossos valores, provoca crise, altera nossa rotina, retira todas as nossas seguranças, substitui o reinado do ego para construir em nós o Seu reino, pede que eu me esvazie, e me “envia” ainda que eu não me ache preparado ou capaz.....

Definitivamente é perigoso envolver-se com Deus.

Pr. Daniel Rocha
dadaro@uol.com.br