quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

SEM TÍTULO .... E SEM FIGURINHA .... É SÓ UMA DICA ...

De tanto olhar, tentando entender,
fui perdendo o jeito de ouvir para entender.
Quando parei para tentar ouvir percebi o quanto era difícil - só ouvir, sem olhar!
Aí foi a visão que em mim, aos poucos, atrofiou.
E o conhecimento me faltava se eu estacionava em um desses extremos.

E eu ia vivendo e tentando entender!

Mesmo quando exercitava os olhos e os ouvidos, buscando sincronizar ao máximo suas potencialidades, algo parecia me faltar: era o cheiro que escapava aos olhos e aos ouvidos! E eu continuava sem entender!

Quando me dei conta do sabor; do toque que pega! Tudo me parecia tão distante, e tudo ficava tão confuso!

Eu sempre parava para tentar entender!

Me dei conta também do quanto era angustiante o vazio! Não queria ter amigos, pois tinha medo de me abrir à relacionamentos; não queria traçar objetivos significantes para minha vida.

E eu vivia tentando entender!

Hoje olho para tras, e entendo! Que os sentidos não funcionam se penso e vivo eles numa dimensão privativa, eu em mim mesmo!

Assim sou incompleto, sou sem vida, sempre falta!

Quando me abri às possibilidade de amizades ... e não temi correr os riscos inerentes à toda possibilidade de relacionamento que brotava feito água na rocha diante de mim ... minha vida pareceu fazer mais sentido! Porque onde duas ou mais pessoas se encontram aí existe a completude de todas as percepções mais importantes do ser ....

... cada qual na sua especialidade, desenvolvendo seus sentidos, exercitando sentido, gerando sentidos infinitos ....

Hoje eu entendo ... eu queria tentar sozinho, ter meus próprios méritos quando fosse mostrar minha sala de troféu! No meu egoísmo eu queria viver “eu para mim”! Mas foi tentando entender, sem nunca ter entendido que eu aprendi ...... sozinho eu não sou ninguém!

Aprendi que ..... se os sentidos do ser estão fundamentados numa percepção monológica de uma existência exclusiva, isso resultará sempre numa alma sem aspirações, num sujeito sem sentido, e que vai sempre tentar entender .... estagnado sem nunca entender!

Ainda não entendi tudo ... mas fica o convite: se abra à novas amizades, se relacione mais, viva mais seus sentidos ..... de forma comunitária ao invés de refugiado em si mesmo dentro de um quarto frio e sem vida!

Aposte no aprimoramento de seus relacionamentos! Quaisquer que sejam eles, só assim serão de verdade: intensos e reais!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

DA FRAQUEZA TIROU FORÇA


“...quando estou fraco, então é que sou forte” (2Co 12.10)



O perfil de uma pessoa poderosa e bem sucedida normalmente está associado à sua capacidade de vencer, convencer e impor-se, seja pela beleza, pelo talento ou pela fortuna que detém. Anualmente é publicado o ranking das 100 pessoas mais influentes do mundo. Nele estão presidentes, generais, estrelas do cinema e bilionários. Há algo em comum em todos eles: o poder que exercem e o fascínio que suscitam.

Fecha o pano e corta rápido para a Bíblia. Entramos num mundo paradoxal. Ali não é mais o forte ou o poderoso que conta, mas o pobre, o fraco, o simples. A Bíblia é um livro que contém relatos surpreendentes de lutas e desafios que contam de um lado os fracos e impotentes e de outro lado os detentores de força e poder. É o jovem Davi lutando “mano a mano” com o gigante Golias, é Elias versus 450 profetas de Baal, é o povo de Israel tentando escapar do faraó e seus carros de guerra, ou os primeiros cristãos diante das feras no Coliseu romano. Desde o seu nascimento, Jesus já nos ensinava que há algo de diferente no universo da fé.

A força nunca foi característica da fé cristã, e sim o amor. As bem-aventuranças lançadas por Jesus no sermão do monte apontam justamente para aquilo que é considerado fraqueza diante do mundo: mansos, humildes, perseguidos, promotores da paz.... estes são felizes.

Diariamente constatamos que os poderosos, os ricos, e os que pretensamente possuem domínio da situação, “não precisam” de Deus. Quem teve dinheiro para embarcar no Titanic em sua viagem inaugural, entrou ali na certeza que estava num navio que “nem Deus poderia afundá-lo”. Os auto-suficientes desdenham tudo o que se refere ao Eterno. Certamente esta sensação mudou quando milhares se viram lançados nas águas geladas do Atlântico Norte.

É bom saber-se fraco. Faz-nos solidários, despretensiosos. Ao confessarmos nossa fragilidade e vulnerabilidade, podemos ser transparentes, sem nada a esconder. Reconhecer a limitação impede a indolência e nos leva a lutar para superar as dificuldades.

Sempre me fascinou o fato de que quando Deus precisa de pessoas para realizar a Sua Obra, Sua escolha recai nos que demonstram alguma forma de deficiência. Moisés , chamado para liderar um povo, reconhecia-se tímido e com dificuldades para falar em público. Jeremias achava-se imaturo para a carreira proposta. Amós era um “caipira” sem as credenciais formais de um profeta. E Gideão se surpreende ao ser escolhido para livrar Israel: “minha família é a mais pobre de toda a tribo e eu o menor na casa de meu pai” (Jz 6.15). Lutero era um homem atormentado por conflitos interiores, Agostinho também.

Essas fraquezas resultam num senso de insuficiência e numa sede por Deus muito grande. Eles precisam de algo maior, da transcendência em suas vidas. Deus se agrada em mostrar a Sua Salvação ao mundo através da fraqueza de alguns. Ela não é empecilho, mas é o caminho que Deus se utiliza. A Sua Face, Seus desígnios e Seu Amor para com a humanidade, se valem constantemente de nossas debilidades.

Quando Paulo orou para que lhe fosse tirado o espinho na carne, que o humilhava e o debilitava, Deus negou, mas em sua fraqueza logo descobriu uma força que não era dele, e que o sustentaria dali pra frente. Ou seja, a “doença” de Paulo era o canal por onde passaria o amor de Deus. Ele cedeu para Deus.

É comum encontrar nas livrarias literatura do tipo “a arte de vencer”, ou “dez lições como ser um vencedor”, mas não há nada sobre a arte de ceder, a não ser na bíblia. A bíblia, como sempre, vai na contramão do senso comum. O evangelho não pretende me fazer vencedor aos olhos do mundo: Jesus terminou sua vida pendurado numa cruz, todos os seus discípulos – à exceção de João – foram martirizados, e o maior apóstolo dos gentios, Paulo de Tarso terminou sua carreira sozinho numa cela fria, “desamparado por todos” (2Tm 4.16).

Fico atento quando encontro na caminhada da vida, companheiros que estão no limite de suas forças, outros no limiar da sanidade, e ainda outros lidando com a doença e fragilidade física. Sim, fico atento, pois sei que são neles que o Eterno haverá de se mostrar.

Um soldado francês com amnésia por traumas de guerra, após a II Grande Guerra, estava sendo conduzido com outros pacientes para uma clínica em uma cidade no interior da França. O trem em que estavam precisava parar em um vilarejo. Como teriam de esperar, ele pediu permissão para caminhar por aquele lugar, que lhe parecia familiar. Andava um pouco e parava pensativo. Em frente a uma casa, parou, e timidamente bateu à porta. A porta se abre e um homem já idoso olhou surpreso para o jovem à sua frente e de seus lábios brota uma frase: "- Meu filho". O jovem, surpreso, respondeu: "- Meu pai....”. E correu para abraçá-lo. “Pai, agora eu sei quem eu sou!", disse ele chorando.

Deus é aquele que nos desperta de nossa “amnésia” existencial provocada pelos traumas causados pelo pecado, e nos mostra quem somos. Somente com a aceitação de nossa filiação divina é que nossos olhos se abrirão para conhecer os valores que realmente importam na vida. Jesus veio em fraqueza, humildade e mansidão. Não há outra forma legítima de viver. O resto é ilusão.


Pr. Daniel Rocha
dadaro@uol.com.br

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

PERGUNTAS HONESTAS PARA CRISTÃOS SINCEROS


Maiêutica [do Gr. maieutikós: parto] era um processo pedagógico utilizado por Sócrates (IV sec. a.C.) que consistia em uma sequência de perguntas e respostas que ele fazia aos seus interlocutores, “parindo” deles idéias complexas a partir de perguntas simples. De igual forma, Jesus, inúmeras vezes também questionou aos seus discípulos e aqueles que o rodeavam, esperando respostas e posicionamentos, e a partir delas anunciava-lhes um novo entendimento.

Mesmo o cristão mais sincero normalmente não se anima a rever conceitos que foram se estratificando na alma durante anos, e permaneceram na forma ainda “deficiente” de um neófito na fé. Talvez por isso o apóstolo Paulo se preocupava tanto em reparar continuamente “as deficiências da fé” que os primeiros cristãos apresentavam (1Ts 3.10).

Elaboramos algumas questões para confrontar convicções e paradigmas que nem sempre resistem a uma acareação mais acurada. Vejamos:


I. É razoavelmente aceito no meio evangélico que o crente enfrente certas enfermidades, como taquicardia, hipertensão ou miopia. Entretanto, não se admite que algumas debilidades venham atingir a sua mente, o que gera uma grande resistência caso tenha de fazer terapia ou tomar drogas psiquiátricas. Por que só o corpo sofreria as conseqüências de um mundo decaído, mas a mente não?

II. Muito cristão usa e abusa do bordão “foi da vontade de Deus” para explicar mortes que ocorrem pelo descaso dos governantes e pelas injustiças sociais. Somente em nosso país cerca de 102 mil crianças morrem por ano de doenças ligadas à desnutrição. Faz parte do plano divino que elas morram no Brasil, mas não na Suécia?

III. “Nenhum pardal cai no chão sem o consentimento do Pai”, diz a bíblia. Ainda assim os pardais caem no chão e morrem. Proteção divina significa salvo conduto e a certeza que nenhum mal acontecerá a quem tem fé? O que significa para você ser protegido de Deus?

IV. Por que os pecados relacionados à sexualidade causam aos cristãos reação muito maior que a vaidade, a inveja, a maledicência e a falta de amor? Você se sentiria mais à vontade ouvindo o sermão de um homem sabidamente orgulhoso ou de um adúltero que se confessa arrependido?

V. Por que alguns segmentos cristãos julgam com severidade os apreciadores de um bom vinho, mas se calam contra os que se empanturram de comidas gordurosas, frituras e carnes vermelhas, e tomam bebidas fabricadas com corantes, acidulantes, aromatizantes e conservantes, tudo isso reconhecidamente nocivo à saúde? Não é contraditório?

VI. Se alguns pastores modernos realizam de fato inúmeros milagres na frente das câmeras, porque eles não separam um dia por semana do seu tempo para fazer a alegria de centenas de pacientes nos corredores do Hospital das Clínicas ou então às crianças internadas no Hospital do Câncer?

VII. Se a teologia da prosperidade realmente “funciona”, porque os que promovem tais coisas não fazem um bem para a humanidade instalando seus ministérios nos piores lugares do planeta, tais como a Nigéria, o Haiti ou o Sudão? Por que ela não funciona no vale do Jequitinhonha, a região mais pobre do Brasil?

VIII. Depois de mais de duas décadas de igrejas pregando a prosperidade e atingindo milhões de pessoas nas periferias das grandes cidades, já não era tempo do IBGE ter constatado que os bolsões de miséria na periferia desapareceram, e que bairros de classe média surgiram no seu lugar?

IX. Se Jesus ama as criancinhas, colocando-as como nosso modelo e afirmando que é delas o Reino dos Céus – para desgosto dos discípulos que queriam afastá-las de Sua presença – porque hoje, na prática, as igrejas impedem a efetiva inserção delas no seio das comunidades? Colocamos mais em prática a orientação de Jesus ou a repreensão dos discípulos?

X. Jesus aceitou de bom grado o gesto que uma prostituta lhe fez, chorando muito e adorando-o, causando espanto a todos os convidados que estavam à mesa. Que tipo de pessoas ou grupos, que se derramassem hoje perante Cristo, lhe causaria grande indignação?

XI. Por que Jesus, ao ressuscitar, não foi direto ao palácio de Herodes e de Pilatos, mostrando-se a eles, para causar assombro e admiração aos formadores de opinião da época? Dar visibilidade à fé com marchas e shows faria parte dos propósitos de Jesus hoje?

XII. Por que damos tanta importância aos empreendedores, vitoriosos, e famosos, e mal reparamos nos simples e desprovidos de atrativos, se Jesus falou que aquilo que é “elevado entre os homens é abominação diante de Deus”? Preferimos as coisas humildes ou as que exercem fascínio?

XIII. Se Jesus pede para cada um tomar a sua cruz e segui-lo, por que tanta gente vai atrás Dele pedindo facilidades na vida?

XIV. O que você acha de deixar noventa e nove ovelhas no aprisco para ir atrás de uma rebelde que se perdeu? Você concorda com essa aritmética divina ou é adepto do pragmatismo que privilegia as multidões?


As respostas a todas estas perguntas estão nas Escrituras. Confronte o que você “sabe, pensa ou acha” com a Palavra. Busque-a, leia com honestidade, esqueça tudo o que já ouviu de terceiros não confiáveis, peça orientação ao Espírito Santo e sabedoria que vem do Alto. Amém!


Pr. Daniel Rocha
dadaro@uol.com.br

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

SAUDOSISMO OU INDIGESTÃO?

Por: Rev. Antônio Luiz de Freitas

“Porque por amor de ti tenho suportado afrontas; a confusão me cobriu o rosto. Tornei-me como um estranho para os meus irmãos, e um desconhecido para os filhos de minha mãe.
Pois o zelo da tua casa me devorou, e as afrontas dos que te afrontam caíram sobre mim” (Salmo 69. 7-9).

Não é necessário, em qualquer meio relacionado ao povo evangélico em nossos dias, um acurado estudo sobre conduta ética ou moral para sermos acometidos de uma dispepsia religiosa e/ou teológica. Os próprios meios de comunicação em massa nos poupam deste trabalho, pois nos oferecem diariamente um farto cardápio. Não dá nem para reclamar da variedade das iguarias, porém, elas corroem como câncer e têm a cada dia vacinado um grande número de pessoas contra o genuíno evangelho que salva e que liberta. Torna-se cada vez mais difícil ser um “Pastor aprovado diante de Deus” nesta geração consumista que vai continuar sempre precisando de algo mais. Escândalos sobre escândalos se multiplicam e trazem à tona todo o excremento gerado pelos ventres insaciáveis dos modernos “mercadores gospel” para quem o dinheiro nunca basta e que, para consegui-lo, se utilizam de todos os meios possíveis. Eles estão por toda parte e podem ser encontrados nas versões: teológica, religiosa ou política. Alguém menos avisado poderia até lançar toda a culpa nos últimos, porém, penso que estes só refletem aquilo que acostumaram a ouvir de seus líderes, somando-se a isto a falta de escrúpulo da própria classe. Diante deste quadro funesto faltam-me palavras, mas não vou mesmo precisar de muitas; tampouco será necessário recorrer à verborréia latente do meio para exprimir toda minha decepção. Bastam-me apenas duas palavras: “Estou cansado!”. Li, há algum tempo atrás, um artigo do Rev. Ricardo Gondim com este mesmo título e é exatamente assim que me sinto: Cansado, frustrado e dispéptico! Sinto saudades do meu tempo de criança e adolescência, quando o pastor visitava nossa casa e meus pais nos ensinavam que deveríamos manter silêncio para ouvirmos tudo o que ele tinha para dizer. Era como se o próprio anjo de Deus tivesse chegado à nossa casa. Até os vizinhos que não eram crentes o honravam. A figura do pastor era respeitada e reverenciada, pois a isso fazia jus. Esta foi a maior razão do despertar em mim a vocação pelo ministério pastoral. Sinto saudade das máquinas com as quais lidei por toda minha vida, pois elas nunca me decepcionaram; nunca me injuriaram nem tramaram contra mim. Nunca tive que confrontá-las por mau testemunho, por obstinação em continuar pecando, nem por reincidência de desvio de conduta. Nunca vi nenhuma carta do SPC ameaçando alguma delas, nem soube de alguma que tenha adulterado, caluniado às outras, boicotado a programação da empresa, mas me entristeço ao deparar-me com estas coisas dentro da Igreja, “Corpo de Cristo”. Diferentemente das pessoas, elas poderiam até estar sujas, mas não rejeitavam quem poderia limpa-las nem se voltavam contra quem se dispunha fazê-lo. Um único procedimento era suficiente para a manutenção de todas as que eram do mesmo modelo. Acho que é exatamente aí que reside um dos pontos cruciais de todo este contexto: Os crentes de nossa geração não estão sendo mais gerados do mesmo Modelo; Jesus. Antes, se gabam de ser “um dos doze do Ap. X, Y ou Z. Não estou preocupado em que ordem me colocam na escala em relação ao bispo de minha região – pois ele, apesar de toda autoridade da qual se encontra investido e do respeito que lhe devo é, assim como eu, tão carente e dependente da graça e da misericórdia de Deus - mas se de fato meu nome está registrado no “Livro da Vida”.

Desde o início desta semana nosso país tem assistido exaustivamente pelos telejornais a notícia de um fato que foi apenas mais um dos muitos que já ocorreram e dos que continuarão acontecendo até a volta do Senhor Jesus. Políticos da chamada “Bancada Evangélica” apanhados no mais nefando ato de corrupção recebendo propina. E o que mais me chocou foi a ousadia de orar agradecendo (a Deus?) pela vida daquele que fazia chegar o suborno até eles, pedindo que aquele dinheiro desse a eles a vitória sobre seus inimigos políticos, evocando sobre eles o Sangue de Jesus. O que devemos esperar destes a quem delegamos a tarefa de nos representar quando este é o exacerbado testemunho que apresentam? Se os “evangélicos”, de quem no mínimo deveríamos esperar o respeito aos atributos inerentes ao que nos identifica como tal, agem desta forma o que devemos esperar dos outros?
Tenho evitado, sempre que posso, me identificar como evangélico. Nunca me identifico como pastor ao preencher algum cadastro porque corro o risco de não tê-lo aprovado. Prefiro deixar que as pessoas descubram o que sou por elas mesmas; não por aquilo que digo ser, mas pelo que de fato faço. Sinto vergonha de ser comparado a eles! Temos, nas palavras do Senhor Jesus, quando disse a seus discípulos que eles eram o sal da terra e a luz do mundo, uma grande lição: A luz e o sal não emitem nenhum som, mas é impossível não notar sua presença. Creio que nunca houve em tempo nenhum tanta sujeira manifesta no meio do chamado “Povo de Deus”. Que tristeza! Uma verdadeira lástima!
Estes fatos são apenas a práxis do discurso gospel alienado e triunfalista que está sendo pregado nas “igrejas modernas”, destituído da cruz de Cristo, do autoconhecimento de pecado e do arrependimento, do novo nascimento e da santidade bíblica.
Não é este o contexto do “Posso todas as coisas naquele que fortalece” (Cf. Fp 4. 13) que escreveu o “antigo” apóstolo Paulo; antes, é totalmente o oposto do pregam os “modernos” para justificar seus abomináveis intentos. Sua afirmação apenas expressa sua disposição em continuar servindo ao Senhor mesmo nas circunstâncias adversas que o acometeram. Diante destas coisas fico imaginando Satanás diante do trono de Deus apontando seu dedo imundo para a terra perguntando: “Foi por aqueles que Você entregou seu único Filho para morrer naquela cruz...?” (Cf. Ap 12. 10).

Gosto de meditar nas palavras da terceira estrofe do Hino 203 HE: “Desperta, Igreja! E vem o teu dever cumprir! A todos faze a Cristo conhecer; A tua mão estende com paciente amor; Não deixes pecador nenhum se vá perder”. Ao mesmo tempo fico preocupado ao ver o povo cantando sem ao menos pensar no que está expressando: “Satanás debaixo do meu pé” quando, na verdade, podemos vê-lo claramente nos ombros e na mente das pessoas; “Deus sabe que pode contar comigo” enquanto é quase necessário orar para que Deus levante outras jumentas que falem, a exemplo da de Balaão; As pessoas cantam a plenos pulmões: “Abro mão dos meus sonhos e das minhas vontades...”, enquanto vemos a rebeldia, o egoísmo, o orgulho e a vaidade se sobressaindo; “Eu não preciso ser reconhecido por ninguém...”, mas na verdade isto é tudo o que eu quero!

Hoje, no culto doméstico, assentado com minha família à mesa na hora do almoço, enquanto falávamos de frases notáveis esculpidas nas lápides de alguns finados, disse aos meus filhos que seria uma grande honra para qualquer mortal ter em seu túmulo a expressão bíblica compreendida entre os versículos 6 e 8 do prólogo de João: “Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz”. Oxalá possa eu conquistar esta bênção, embora reconheça que no momento esteja mais para Jeremias que para João.
Encerro minha catarse tomando emprestadas as palavras do profeta Isaias: “O Senhor chamou-me desde o ventre, desde as entranhas de minha mãe fez menção do meu nome e fez a minha boca qual espada aguda; na sombra da sua mão me escondeu; fez-me qual uma flecha polida, e me encobriu na sua aljava; e me disse: Tu és meu servo; és Israel, por quem hei de ser glorificado. Mas eu disse: Debalde tenho trabalhado, inútil e vãmente gastei as minhas forças; todavia o meu direito está perante o Senhor, e o meu galardão perante o meu Deus” (Is 49. 1-4).
Resguardadas as devidas proporções, é exatamente assim que me sinto! Oro para que o Senhor tenha misericórdia de nós.
Um grande abraço a todos os que, sinceramente, amam e aguardam a volta de Nosso Senhor e Salvador Jesus. MARANATHA!!!
Do menor de todos os servos do Senhor, pela sua maravilhosa graça e sua grande misericórdia para comigo e para sua honra e glória, sou para servir,

Pr. Antônio Luiz de Freitas
Igreja Metodista em Santa CruzVolta Redonda, 03 de dezembro de 2009

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

JESUS FICOU PRA TRÁS




“Terminados os dias da festa, ao regressarem, permaneceu o menino Jesus em Jerusalém,
sem que seus pais o soubessem... três dias depois, o acharam no templo” (Lc 2.43-46)

- “José, você viu o nosso filho?”, perguntou a mãe aflita.

- “Ora, pensei que ele estivesse com você, Maria. Por isso nem notei a ausência dele”.

Já passara um dia de viagem quando os pais perceberam que o filho de 12 anos não estava entre eles. Voltavam em caravana da Festa da Páscoa em Jerusalém, em meio aos amigos e parentes, e estavam tão absortos na alegria das festividades que Jesus ficou pra trás, e nem se deram conta.

Não tenho dúvida que essa mesma perda continua ocorrendo ainda hoje. Muita gente boa já pregou com lágrimas nos olhos e o coração em chamas; muitas bandas começaram desconhecidas, mas davam uma audição para o Eterno; muito ministério que não tinha “nem prata nem ouro” compensava a sua pobreza com o amor e a simplicidade. O tempo passou para eles, os movimentos cresceram, mas agora é perceptível – ao menos para os que possuem discernimento – que agora há outros interesses e motivações. Jesus acabou ficando pra trás.

Hoje você ouve horas de cânticos ou pregações e percebe que Aquele que é Digno de Toda Honra, foi esquecido, e no seu lugar entrou a vitória, o poder, o sucesso, a saúde, a oferta, o sacrifício, a unção, o sopro, o shofar, e tudo o mais que desvia a atenção do que realmente importa. Não é mais a busca de um relacionamento com o Eterno, mas a satisfação dos desejos do eu. Não é mais a conversão a um Pai Amoroso que anseia caminhar conosco, mas a adesão a um grupo que propagandeie sucesso em sua vida.


O garoto das fotos acima é Marjoe Gortner**, um menino-evangelista que começou sua carreira de “pregador” aos 4 anos. Na adolescência fazia cruzadas que arrecadava milhões de dólares e milhares de “conversões”. Mas aos 28 teve a coragem de admitir que não acreditava em nada que pregava, e resolveu desistir daquela carreira de fama. Como ato final, realizou um documentário de sua ultima campanha. Ele foi filmado falando em línguas, pedindo doações, fazendo apelos e “derrubando” pessoas com o “poder divino”. Ao final ele aparece nos bastidores rindo muito, contando o dinheiro e explicando para a câmera os truques que utilizou.

Assistimos hoje, igualmente, o desfile de homens que outrora tinham uma caminhada de fé, mas no decorrer do tempo deixaram Jesus pra trás. São almas que secaram e se tornaram figuras caricatas, em “pastores que a si mesmos se apascentam; nuvens sem água impelidas pelos ventos, estrelas errantes... aduladores dos outros, por motivos interesseiros” (Judas v.12-16).

Precisa ser muito crédulo para crer que os shows que assistimos são de fato para a “glória de Deus”, precisa de muita boa vontade para admitir que os mármores de templos suntuosos, as luzes, os holofotes, a maquiagem pesada, e o glamour, são para exaltação do Nome Dele.

A mais famosa banda gospel da atualidade acabou de assinar contrato com a gravadora Som Livre do conglomerado Globo. Será que essa poderosa empresa esotérico-espiritista de repente resolveu divulgar o Nome de Jesus e sua Palavra? Raciocine em que tipo de canção essa gravadora investirá: a que agrada ao Eterno, ou a que desperta o consumo de milhões de ouvidos? Gravará a letra que alimenta com a verdade ou a de conteúdo adocicado? Ora, o negócio dela não é Jesus: é o lucro, é o dinheiro, é Mamom! Jesus ficou pra trás.

A veneração das multidões a tudo que brilha não passa por nenhum filtro crítico porque as massas não se valem de critérios bíblicos. Cantar bonito, ter uma bíblia na mão e dizer alguns surrados chavões já é considerado suficiente.

Credulidade é um mal que sempre afetou a alma de nossa gente. Credulidade é pecado, porque aplaude a tudo e até mesmo o que Deus rejeita. Por isso a bíblia afirma “laço é para o homem dizer precipitadamente: é santo” (Pv 20.25.) Passamos cinco séculos venerando homens que foram elevados à condição de ídolos, e agora nós, evangélicos, temos os nossos também.

Quem não perdeu Jesus de vista vive para agradá-lo, busca intimidade, visa a santidade. Quem não perdeu Jesus de vista aprendeu que não busca uma vida de futilidades, mas de fidelidade. Não é o quanto você ganha que conta, mas o quanto você é fiel.

Somente depois de três dias que Maria encontrou Jesus. Foi uma longa e infrutífera busca por ele, até que tivessem a súbita idéia (que devia ser a primeira): - “Ele está no templo!”.

Quem perdeu Jesus pelo caminho deve refletir, “onde”, “quando” e “como” começou a perdê-lo. É somente voltando ao princípio, aos rudimentos, onde recebemos com avidez as primeiras letras do Evangelho, e onde a suave brisa do Espírito um dia encheu nossa alma, sim, é voltando ali com humildade e desejo de reencontrar o primeiro Amor, é que haveremos de Tê-lo para sempre conosco. Amém.

Pr. Daniel Rocha
dadaro@uol.com.br

P.S. **Assista ao vídeo de Marjoe, e compare com o que você vê diariamente na TV:
http://www.youtube.com/watch?v=KxfThlCcfHI