Pode ter certeza: eu posso me
arrepender por dar uma segunda, terceira, quarta chance à alguém que talvez
você acredite que não mereça. Eu imagino, é possível que essa pessoa nunca mude
por não se abrir aos princípios de Deus - pois só Deus muda as pessoas. Mas eu
prefiro correr o risco de ser apunhalado pelas costas mais uma vez, e outra vez
traído; pois nunca devemos temer correr riscos, especialmente quando é em favor
de uma pessoa diferente de mim mesmo. Seria muito mais frustrante ainda para
mim, e eu me arrependeria de verdade, se eu olhasse para trás e percebesse essa
pessoa perdida e caída, por eu não ter dado a ela cada uma das oportunidades à
ela dispensada. Concluindo: Pessoas vão se enrolar em suas próprias tramas e cair,
não por me traírem, e sim por não aproveitarem as oportunidades que eu dei a
cada uma delas de se levantarem e se mostrarem seres humanos honrados (Pr. Antônio
Junior).
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Pensamentos: Sobre uma teologia que não cabe no Evangelho; que não aponta para Jesus o Cristo!
Por Rev. Antônio Luiz de
Freitas Junior
Pastor da Igreja Metodista no Alto Independência
Pastor da Igreja Metodista no Alto Independência
Petrópolis,01 de setembro de 2012
Estou cansado do “cristianismo
enlatado” de alguns americanos e europeus divulgado e reproduzido hoje em/por
nossas Igrejas. Mas os importados como verdades absolutas são os que mais me
incomodam enquanto pastor; alguma coisa “de lá” de fato são críticas
edificantes quanto ao atual modelo de ser Igreja, outras me enoja. A impressão
que tenho é que queremos além do idioma, tênis e roupas caras, hipervalorizar
também a teologia de um contexto que não é nem de longe parecido com o contexto
das Igrejas no Brasil. Enaltecendo um e amortizando o outro. Na verdade, estou
cansado de parte do cristianismo divulgado no rádio, na T.V., Internet; etc. Esses
que o povo vai aplaudindo e usando como verdade absoluta e afiada, setas, como indireta
contra seus líderes, seus pastores. Pior ainda é quando os pastores valem-se desse
material para exortar ou apontar situações no seu rebanho. Brasileiros, cristãos,
utilizando-se desses “enlatados [cheio de conservas]” contra seu próprio corpo
[sua própria Igreja].
Um evangelho com “e” minúsculo
que só é de “Boas Novas” para quem “já está salvo”, ou se “consagrando”; que ao
meu ver: é favorecedor da permanência de hipócritas e fariseus no Templo do Altíssimo
– nós mesmos. Para os enfermos, viciados e ladrões, assassinos, prostitutas, etc
(perdidos – verdadeiros alvos de Jesus), em nada acrescenta; antes os empurra
mais rápido ainda ao “abismo de fogo”. Fábrica de crentes seduzidos pela instituição,
mas não gera discípulos apaixonados por Jesus! Nos esquecemos que nas palavras
do próprio Jesus: “Os sãos
não precisam de médico, e sim os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia
quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores [ao
arrependimento]” (Mt 9.12-13;
Mc 2.17; Lc 5.31).
De fato não devemos acolher e incentivar o erro das pessoas, mas é impossível
acolher uma pessoa sem acolher com ela também os seus erros – no início de qualquer
caminhada abraçamos o todo de cada pessoa. Amemos as pessoas, e preguemos o
Evangelho de Cristo, contra o pecado e favoráveis à santidade, que dos erros
delas cuida Deus. Acorda Igreja, estamos confundindo salvação, e santidade, com
o ser Igreja. Coisas ligadas uma à outra, mas distintas entre si! “Igreja”
nunca foi projetada por Deus para ser lugar dos super-santos, e sim dos que
estão em processo de santificação. Se jogamos fora do nosso espaço de
convivência os “fracos”, os pecadores, que sentido teria ser Igreja? Um clube moderno
de pessoas salvas - melhoradas?
Esse evangelho de “por para fora o
inimigo - pessoas” - não é em nada parecido com o Evangelho que Jesus ensinou. É
sim um pseudo-evangelho nascido do gorfo de “nerds”, de “playboysinhos e
patricinhas de Jesus”, ou de “maduros” que pelo menos são bons oradores,
sentados em seus escritórios bancados pelo Papai. Falam sobre “(1) um tipo de evangelismo
ideal”, sobre “a santidade”, sobre “a separação da Igreja com relação ao mundo”,
sobre “casamento”, sobre suas preocupações de que “o mundo está invadindo a Igreja”,
sobre a necessidade de a “Igreja contagiar o mundo”. Fico imaginando esses “evangelistas”
míopes anunciando à Cristo ressuscitado em favelas por exemplo; como seria?
Panfletinhos, Cestas básicas, Alto Falantes? Pregariam contra seus bailes,
contra seus hábitos, ou suas roupas? Seus contextos? Quais seriam seus meios? [Risos]
Chega ser hilário! E se fosse para a “nata da sociedade?” Como seria? Rebuscando
a linguagem? “Livrinhos mais elaborados”, Coffe Breaks? [Risos].
Estratégias ... estratégias ... e
mais estratégias ... Chego à temer por essa disputinha de contextos; porque o
que está por detrás dessa discussão não é de fato Cristo ressuscitado,
perdoador de pecados, amante de sua Criação; nem muito menos o tema da verdadeira
santidade; e sim crítica de modelos; e pior,
tem a ver com a máxima: eu sou bom e santo, você é mau e profano! Modelos tem a
ver com contextos; o problema é que alguns se esquecem que Deus não unge modelos,
Ele reconcilia, busca, unge pessoas!
Nesse sentido, sua teologia, sua
aspiração tem que ser necessariamente, antes de qualquer coisa, apaixonada por alcançar
e contagiar pessoas. Devemos nos reapaixonar por isso! Algo que só acontece quando
caminhamos com elas no contexto delas. Não devemos negociar princípios, isso é
fato e eu mesmo ministro sobre isso; mas Cristo está voltando, e nessa atura do
campeonato você vem falar sobre qual estratégia serve e qual não serve? Sobre qualidade
e quantidade? Sobre qual Igreja é mais santa? Frases do tipo: “Porque eu não
faço aqui, ou porque eu não gosto, ou porque não dá certo para mim, ou o papai e
a mamãe me ensinou que não devo; a estratégia de vocês não é somente errada,
ela é do diabo”. Quer dizer que o que outro faz [diferente de você] – é o
pecado!. Isso limita em muito a ação de Deus na sua própria vida. Leiam o Ap. Paulo
aos Coríntios e aos Colossenses. Esse sim foi exímio evangelista e plantador de
Igrejas.
(1Co 9.19-23) Porque, sendo livre de todos,
fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. Procedi, para com os judeus,
como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob o regime da lei,
como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da lei, embora
não esteja eu debaixo da lei. Aos
sem lei, como se eu mesmo o fosse, não estando sem lei para com Deus, mas
debaixo da lei de Cristo, para ganhar os que vivem fora do regime da lei. Fiz-me fraco para com os
fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim
de, por todos os modos, salvar alguns. Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar
cooperador com ele.
(Col 2.16-23) Ninguém, pois, vos julgue por
causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido
sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo. Ninguém se faça árbitro contra
vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões,
enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal, e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem
vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de
Deus. Se morrestes
com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo,
vos sujeitais a ordenanças: não
manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e
doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm
aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor
ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade.
Reafirmo que princípios nunca
devem ser negociados, e que a mídia deve ser apreciada como mecanismo de evangelização
[eu mesmo me utilizo com certo afinco dessas ferramentas]; no entanto, voltemos
à Bíblia! Raízes Igreja, raízes povo de Deus. Mas especialmente voltemos à
Cristo e aos dois maiores mandamentos deixados por Ele mesmo: “amar à Deus
sobre todas as coisas e ao próximo como eu amo a mim mesmo” (Mc 12.33).
Chega de discussões e eventos sem
paixão e consequentemente sem frutos; chega de ser complacente com a esterilidade
da terra, e naturalmente cúmplices de fariseus que se usam do discurso sedutor e
acusações bem elaboradas como esconderijo de sua falta de frutos, fraquezas, e ausência
de paixão; chega de crítica por crítica; chega de meninices. Porque para seguir
à Cristo o “eu e com ele meus próprios conceitos” têm necessariamente que morrer;
veja:
(Gl 2.20) – “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e
esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me
amou e a si mesmo se entregou por mim”.
E eu? Subindo na cruz
– ou melhor, carregando a minha;
Shalom.
Shalom.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
O Deus forte e a terra exausta
Texto Base: Sl 63.1-4
Por Pastor Antônio
Luiz de Freitas Junior
Petrópolis, 30 de Agosto de 2012
Nesse capítulo, do “Livro dos
Salmos”, a experiência do homem com um Deus real e presente transmite-nos
realidades impactantes; deveria servir como princípio espiritual de caminhada
para cada um de nós (Cf.: Gl 5.25).
Primeiro o salmista declara (v.1) “Ó Deus, tu és o meu Deus forte”. Satanás e seus demônios são incansáveis para
disseminar e implantar na Igreja de Cristo, a visão de um Deus raquítico e
debilitado, que sofre de inanição; um Deus distante do seu povo! Esse não é o
Deus Forte cuja bandeira levantou o salmista. Ao participarmos das aflições citadas
por Cristo (Jo 16.33), se não ajustarmos nossa visão e foco, passamos a adorar um
“deus diminuído”, acreditando que Ele não responde à nossa adoração; tão distante
que não me ouve, tão fraco que nada pode. Cultivar uma visão diminuidora acerca
de Deus - Essa pode ser a batalha da sua mente (Cf.: Tg. 4.1); e isso acaba por
te motivar a buscar em “coisas” e não no Deus da vida a resposta para sua
história.
Lute contra essa atrofia espiritual: Enxergue Deus
no tamanho que Ele é! Se o seu Deus é grande e forte, creia que grandes coisas
Ele fará! A nossa experiência diária com um Deus que é forte modifica nossa
perspectiva de vida e até mesmo nossa visão de mundo. Somos filhos/as desse
Deus, também herdeiros d’Ele e com Ele, então nossos sonhos serão expectativas
reais de excelência.
Por fim; ainda no primeiro versículo.
Surge uma revelação do salmista, como um estrondo nos nossos ouvidos, membros
da Igreja do século XXI; observe as palavras: “como terra árida, exausta e sem
água”. Há alguns princípios espirituais que culmina no “não fruto”. Não
é só a esterilidade, há outro tão desafiador quanto esse primeiro: o princípio da
“exaustão da terra”. Notem que a luta do salmista é contra esse último.
A terra se esgota, quando você se
esgota; quando não há uma correta administração do tempo, de energia vital e de
recursos. O mal do século: o ganhar desenfreado para acumular é o lema! O oposto
do discipulado ensinado por Jesus. Você não cuida das propriedades minerais da
terra para que haja bom fruto; nem contabiliza a possibilidade de colheita;
tudo é arrancado de tudo? Atenção, pois esse é o parto moderno dos homens e mulheres
“esgotados/as”! Pessoas que estão preocupadas somente com a colheita, como princípio
de funcionalidade, utilização e produção; permite que também lhes seja tirado o
máximo de energia até que se esgotem todos os recursos. Não podemos nos
esquecer de um processo completo até que haja colheita (Cf.: Sl. 126.6). Se não
houve planejamento para a terra e para o plantio; se não há estudo da semente, do
fruto e da colheita; para esses/as não haverá uma próxima sega.
Concluindo. Talvez você nunca
tenha sido espiritualmente estéril, mas sua terra está exaurida de recursos
para a frutificação. Para lutar contra essa exaustão e escassez de recursos o
salmista busca incessantemente o Deus que é manancial de águas (Cf.: Jr. 2.13);
n’Ele espera e deposita suas
expectativas(Cf.: Is 40.31). É aqui que o Deus forte vem e renova nele o
cântico nos lábios. Entregue-se como o salmista, alma e corpo fundidos na busca
pelos rios mais profundos do Espírito (v.2).
Pense nisso, o Senhor quer aprofundar suas raízes (Sl. 1.3), trabalhar novas
propriedades em sua terra e a saúde da árvore; é assim que experimentamos com
os olhos abertos a força e a glória de Deus no fruto do nosso trabalho (Cf.:
Is. 53.11).
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Surto Moderno!
Por Pr. Antônio Luiz de Freitas Junior
Petrópolis, 29 de Junho
de 2012
"Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer. Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloé, que há contendas entre vós" (1Co 1.10-11).
Por esses dias andei pensando sobre a capacidade de fazer
perguntas. Confrontei com dados sobre a capacidade de edificar coisas. Percebi que
desde pequenos, na ansiedade de descobrir, somos já impulsionados a perguntar.
A Amanda, minha filha de 3 anos, confesso, sabe fazer perguntas tão bem
elaboradas quanto embaraçosas para quem deve responder; muitas delas sobre
questões cruciais da vida – nada de bobagens; poucas na verdade [Risos].
Entendi então que sem perguntas não há descobertas, ok! Mas
entendi também, e aqui coloco a tônica, que num determinado momento é
fundamental você começar à dar respostas; só assim serás capaz de edificar algo
concreto não sobre “areias”, mas sobre a rocha – isso a Amanda ainda não saberia
fazer sem ajuda. Um indivíduo movido à perguntas, cuja vida é um eterno ponto
de interrogação, é uma pessoa vazia, e por isso amarga e frustrada. Suas
realizações são concretas, mas estão fincadas sobre bases que se apoiam em
areia.
Que me perdoe a boa filosofia, nada contra – Gosto! Até
porque sei que filosofar não é só fazer perguntas. Que me perdoem os que estão
em eterna construção, “em busca de sabedoria”, nada contra – não alcancei tudo
também, sou eterno aluno do Mestre; e sei que fazer perguntas não é a única
maneira de alcançar a sabedoria. Mas agora, tomo a liberdade de dirigir-me aos cristãos
da comunhão da Igreja [pessoas]. Principalmente os que estão na Igreja [pessoas]
na expectativa de ver a face do Pai.
Vamos partir da premissa: Pessoas normais fazem perguntas;
pessoas que fazem a diferença constroem coisas concretas sobre bases
permanentes.
Vai chegar uma hora, na qual você precisará também dar
respostas. Não responder à questionários bem elaborados numa sala de
universidade, ou nas suas crises dentro do seu quarto. Eu já vivi e sobrevivi à
isso [Risos] – questões sem respostas que nos intertem por um bocado de tempo;
nos anestesiam insinuando que vamos alcançar algo profundo demais fazendo boas perguntas.
Ai surge o que eu resolvi chamar de “surto
moderno” - O problema é que muitas vezes o orgulho que temos de sabermos fazer
boas perguntas nos cega com relação à necessidade real que temos de pregar o
Evangelho e fazer discípulos: à tempo e fora de tempo.
E que o Senhor nos ajude!
Amém.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
O cristão e a música secular: breve aprofundamento para estudo
Dentre muitos pontos de vista,
(1) Um ponto de vista pastoral (...)
(1) Um ponto de vista pastoral (...)
Petrópolis, 22 de
outubro de 2011
Considerações iniciais:
fundamentais
Não podemos “usar” a Bíblia “aleatoriamente”, conforme
nossos ânimos; simplesmente para comprovarmos “teorias”, ou dar mais
legitimidade ao nosso discurso. Enquanto Palavra Inspirada por Deus, a Bíblia precisa
falar a nós antes de tudo; se antecipar inclusive aos nossos “achismos”. Devemos
cuidar do nosso ímpeto de coisificá-la e instrumentalizá-la, uma vez que não
podemos fazê-la refém dos nossos maus hábitos.
Quando nos aproximamos da “Palavra de Deus”, precisamos
permitir que o texto inspirado, por si só, nos oriente quanto aos dias de hoje;
e nos oriente sobre qual é a boa,
perfeita e agradável vontade de Deus (leia Rm 12.2). Que o texto exige
interpretação da nossa parte: isso é fato. Buscamos um sentido hermenêutico, no
texto e para o texto, de acordo com nossa realidade e conseqüentemente nossas
experiências e expectativas quanto ao que está por vir da parte de Deus. Nossa
“bagagem” nos aproxima do texto bíblico e o texto bíblico à nós; no entanto,
não podemos perder de vista, que embora instados à interpretar, cada texto tem
um contexto; uma intenção clara e objetiva.
Nesse sentido, discussões que estão fora de um determinado
texto, ou textos que estão fora de determinadas discussões, quando “ligados”
(associados) forçosamente por nós a fim de “verdadeirizarmos” nossas
experiências pessoais, pura e simplesmente, só geram mais dúvidas. Nunca se
poderá concluir objetivamente nada, uma vez que a interpretação vai variar de
acordo com a experiência de cada indivíduo – fica, portanto, subjetivada. É
aqui que vence quem tem mais argumentos, ou maior poder de persuasão; quem já
leu mais livros, quem tem mais experiência e facilidade de falar em público;
etc!
Mas e a essencialidade bíblica? Ficou perdia em meio à
discussão, embaraçada no labirinto de argumentações pessoais das partes que se
digladiam em busca de firmar sua posição pessoal.
Um breve parêntese: é “disso”, um tipo comportamental, que
surge os atuais cultos ao personalismo; das celebridades que disputam com Deus
um lugar no palco, no trono ... tiramos o texto do seu contexto para impormos
nossa pessoalidade como verdade absoluta e universal, nasce o pretexto.
Primeiro. A discussão sobre “o cristão e a música secular”
requer muito cuidado, exatamente para não cairmos no referido erro; não podemos
“torturar o texto bíblico” e fazê-lo assumir aquilo que ele não diz.
Sobre uma fé que
nasce sob as bases do individualismo e subjetivismo
Muitos/as chegam a perder a coerência cristã na vida prática;
uma vez que a ênfase no indivíduo e conseqüentemente uma interpretação subjetiva
e particularizada das escrituras, deixa-nos vulneráveis à distorções; verdadeiros desvios, quanto à experiência do
Evangelho de Jesus Cristo. Soma-se à isso, uma fé pouco dinâmica e “eu-centrada”,
e o ânimo dobre passa a ser uma epidemia moderna (leiam Tg 4.8). Comportamento, que na
composição psíquica do indivíduo, pode vir a ser, no mínimo, favorecedor de
“bipolaridade”, ou “esquizofrenia”.
Vejam como é cada vez mais comum, que sob um mesmo assunto
ou tema, a pessoa, a cada minuto tenha um posicionamento diferenciado; não
porque amadureceu e/ou evoluiu em idéias, mas porque não consegue estabelecer
com coerência um diálogo saudável e objetivo acerca de algo. Muitos não se dão
ao trabalho: pensar! A celebridade, o referencial de sucesso, dita, e a platéia
aplaude separando o dinheiro para simplesmente aderir à tendência.
Para muitos, longe de mim generalizar, da dita idade
moderna, essa esquizofrenia cultural, sócio-econômica, política, religiosa e espiritual,
já é uma realidade. São desnutridas com relação à Verdade que alimenta e sacia
a sede por vida plena (Cf.: Jo 10.10 e Ap 21.6); desprovidas de um mínimo de espasmo
que as faça querer ser profundas e
competentes.
Nossa sociedade parece fabricar pessoas superficiais, que não
adquirem terreno sólido para edificar nada; e notem que os maiores princípios e
valores de sobrevivência, aqueles fundamentais, foram relativizados. Sujeitos
com condições limitadas de discernir o que lhes é bom, ruim, desejado,
necessidade, essencial, básico, trivial; etc. (Cf.: Pv 1.32 e Jn 4.11/ Vale a
pena estudar também o contexto de Lc 12.56).
É por isso que cada “suplemento” bíblico deve ser “ingerido”
a seu tempo, e no seu contexto – só assim proverá nutrição ao corpo: físico e
espiritual.
Outra questão
importante
O cuidado para não reduzirmos o tema a quaisquer dualismos
possível
O uso constante de “dualismos” na vida cristã, “ou-isso-ou-aquilo”, pode ser prejudicial e
inibidor de reflexão. Dualismos praticamente nos privam de experimentar os
frutos advindos de uma discussão mais ampla com relação a determinado tema;
fica cada vez mais complexo estabelecer diálogo sem os devidos aprofundamentos.
Se por um lado facilita na tomada de decisão, uma vez que são duas as opções disponíveis,
ao mesmo tempo dificulta a reflexão com relação à uma escolha, já que as
possibilidades são limitadas em 2 (dois): sim ou não.
Os textos bíblicos registrados em Mateus 5.37, e Tiago 5.12,
muitas vezes utilizados fora dos respectivos contextos, acabam atropelando os
processos que são importantes na nossa vida: maturação e desenvolvimento;
processos de Deus. E acabamos prosseguindo, incompletos, sofrendo os
“bloqueios” de um “sim” ou de um “não” que vieram à nós e/ou através de nós fora
de tempo; como que um pacote lacrado.
Certos dualismos aparecem sim na Bíblia, embora em temas,
muitas vezes, isolados. Isso é possível! Mais cedo ou mais tarde, teremos que
escolher entre “um” e/ou “outro”. No entanto, a própria Bíblia nos permite a
ampliação de possibilidades, e nos incentiva a refletir: favorece o nosso poder
de escolha na tomada de decisão, e aumenta nossas possibilidades de acerto (alguns
exemplos, dentre vários: Pv 19.2; Lc 14.25-32).
Nesse sentido (...)
A pergunta: “é
pecado: sim ou não?”, é um dualismo. Pode nos fazer incorrer, por exemplo,
no erro de Pedro e dos Apóstolos (leiam Atos 10.9 - 11.18). Muitas vezes acreditamos
estar na direção de Deus, mas aí Ele se manifesta e nos constrange à refletir
sobre nossas atitudes e à mudar pelo
menos nosso trajeto – essa é a questão: assim percebemos quando abençoamos o
que Ele amaldiçoa e o risco de amaldiçoarmos o que Ele abençoa (leiam Is
55.8-9).
Deus nos dotou com a capacidade de estabelecer diálogo e com
notável potencial para reflexão; no entanto a pergunta [é pecado: sim ou não?]
não nos deixa outra escolha, se não, responder “sim” ou “não”. Em questão de
segundos tudo estará pronto nos limites da afirmação aprovativa, sim; ou
reprovativa, não. No entanto, nem tudo se resume à isso; e enquanto isso,
muitas perguntas vão ficando sem as devidas respostas; concorda?
Complexo, não é verdade? Lembrem-se dos/as que perdem anos de
suas vidas acreditando fazer o bem e/ou o certo; derrepente são confrontados e convidados
à uma mudança radical, a se converter ao Verdadeiro Caminho (Jo 14.6 e Gl 1.9).
Pessoas que percebem, que mesmo felizes e galgando sucesso, não estavam na rota
de Deus; no trajeto que nos conduz ao centro da vontade do nosso Pai Celeste.
Lembram-se de Saulo quando perseguia os cristãos acreditando
fazer a vontade de Deus? Conforme narrativa de Atos 9 (nove), após uma
experiência profunda e verdadeira com Deus no caminho [o Saulo perseguidor precisou
ir ao chão para que um novo homem, missionário, fosse levantado], ele é chamado
à assumir outra postura; caso quisesse de fato fazer a vontade de Deus.
Mas então, como discutir temas essenciais como esses sem
incorrermos nos dois erros comuns aos cristãos? Ambos gravíssimos, primeiro: o de
nos “abrir, enquanto Igreja, ao secularismo e aderirmos ao mundanismo
desenfreado perdendo o poder de fazer a diferença (leiam Ez 22.26 e Ml 3.18; Mt
5.13)”; segundo, o contrário, nos “fecharmos nos nossos guetos e tribos, sem um
mínimo de coerência cristã nos relacionamentos interpessoais em termos de
postura frente a elementos profundos e da vida secular”.
Fico mexido com a
afirmativa de Paulo, e na minha concepção ela tem valor inestimável frente
à questões impostas aos cristãos na dita “idade pós-moderna”; observem :
Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas,
mas nem todas edificam. Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de
outrem (1Co 10.23-24).
Vejam que fantástica a estratégia de Paulo, um grande
plantador e consolidador de Igrejas. Nesse sentido bíblico, a pergunta
coerente, seria: ouvir música secular convêm e/ou edifica? É aqui que a
discussão se expande de maneira saudável, longe da mordaça do “sim” e/ou do
“não”.
O cristão e a música secular: é uma questão de conveniência e de
edificação, e não de pecado
Trabalhar no âmbito do que convém e do que edifica é
trabalhar diretamente a comunhão entre partes diferentes; é onde o plural se
manifesta. Ao passo que discutir sobre o que é pecado ou não o é, nos
transporta naturalmente à realidade onde as discussões ficam restritas à foros
íntimos – de manifestação singular, e portanto em muitos casos unilateral. Entra
agora a responsabilidade humana diante das outras pessoas; isso é o Evangelho
de Boas Novas deixado por Jesus (Leiam 1Co 10.23-33).
O discurso paulino muda o eixo da discussão; faz-nos repensar
nossa caminhada enquanto pessoas chamadas à fazer a diferença; convida-nos a
mudar o nosso foco, a fazer de Cristo nossa aspiração (Fp 3.12-14).
Percebam que ele ataca algumas bases do secularismo atual que
intentam contra a Igreja de Cristo: o egocentrismo (subjetivismo); o que
desmascara o culto à personalidade; e a redução de temas importantes à
dualismos frágeis. A resposta não é mais “sim” ou “não”, antes: convém?
edifica? E o critério para minha tomada de decisão não sou “eu mesmo”; não é o
que eu penso e/ou desejo, e muito menos o que eu
classifico como “bom”; o
critério agora é “o outro” (o diferente de mim).
O outro é o parâmetro para minha resposta e postura frente à
vida.
Leiamos os seguintes
textos bíblicos: 1Co 10.15; Tt 2.6; 1Pe 4.7; Gl 5.25 e Filipenses 1.22; Tg
4.4; 1Co 6.19; Gl 2.20 e Fil 1.21; Rm 11.36; Mt 12.33; Tg 3.12; (monte um grupo
de estudo e discussão onde todos/as leiam esses textos propostos; cada um/a ode
sinalizar o que entendeu que o texto ajuda na reflexão sobre o tema: o cristão
e a música secular).
Aprofundamentos: Sobre
a relação entre cristão e música secular
Não estamos discutindo o perigo de sofrer “influências
mundanistas”; seria mais uma vez minimizador de reflexão. Concordo que coisas
desprovidas da graça de Deus podem ser encontradas também dentro da Igreja (não
vou aprofundar essa discussão aqui pois fugiríamos do tema e o espaço não é
suficiente); e que coisas de valor podem ser achadas também fora dela! Mas a questão
não é essa; a discussão é: com quais valores quero me comprometer? E sob quais
alicerces, enquanto empreendedor do Reino, me lanço à edificação de casas e
lares? (leiam Mt 7.24-27).
Alicerces originais e profundos, ou os plágios e aqueles superficiais?
Onde busco meus referenciais para experimentar a vida abundante? De qual fonte
me aproximo para saciar minha sede? Valores sedimentados no Reino de Deus; ou
valores infinitamente variados, muitos subversivos nascidos em berço de
revoltas, os relativizados que na essência nada têm à ver com determinada lógica
e sequência de Deus para minha vida?
O alicerce de uma casa determina a altura à que posso levar
a estrutura! Se quero Deus, preciso buscar as coisas que trazem em si valores eternos,
não é isso o que a Bíblia nos sinaliza como parâmetro? (Cf.: Mt 6.21 e 2Co 4.18).
Olhar diretamente
para a fonte ou buscar em meio à enxurrada de porcarias algo que me pareça ter
valor?
Certamente preciso ir à fonte! (leiam Tg 3.12).
Nossa fonte é Jesus, sempre. A base da nossa inspiração ... Não
nos esqueçamos que o nosso Deus é Senhor de coisas originais.
Muitos dizem ter critérios bem claros para selecionar a
música secular que vão ouvir! Aquelas que falam de amor; de carinho; de belos
valores. Outros dizem que ouvem porque o grupo de convivência e identificação o
faz; mesmo sendo um escândalo para sua família ou irmãos/ãs do contexto
religioso, continua a praticar para não se sentir “um peixe fora do aquário”. Não
podemos perder de vista, que tudo isso pode ser um plágio barato do original do
Deus criador. Um discurso frágil e enganoso, bem elaborado, acrescido de
elementos atraentes, mas que muitas vezes não passam de iscas no anzol!
Responda você mesmo/a: Quantas vezes entramos em desavença
com nossos pais, pastores, amigos/as, namorados/as, por temermos fazer a
diferença no nosso espaço de convivência? E escandalizamos aqueles/as que
buscam em nós um referencial para suas vidas vazias. A verdade é que precisamos
nos comprometer com os valores do Evangelho de Jesus Cristo; à ponto de Cristo
aparecer em cada um de nossos atos (Cf.: Gl 2.20; leiam 2Co 3.2).
[Meditem em 2Co 10]
Concordo, que os parâmetros humanos são insuficientes para classificarmos
o que é bom ou ruim! Mas Deus em Jesus, o Cristo, nos orientou muito bem sobre quais
devem ser nossos parâmetros e crivos; alguns deles, dentre muitos, Paulo deixa
relatado em Fp 4.8 e Gl 5.16-26 (leiam).
Não podemos perder de vista que o ser humano é
essencialmente dotado de atributos espirituais, e que traz em sua composição o
DNA de Deus [somos criação d’Ele]; é portanto um ser religioso. Nesse caso, a
busca espiritual, o louvor e a adoração, a oração, a contemplação, a caridade, dentre
outros; são elementos inerentes à nossa natureza, e isso independente da nossa
escolha denominacional. Ao abandonarmos ou ignorarmos essa realidade, e quando
começamos à negociar esses valores, entramos numa crise existencial profunda; especialmente
porque passamos a não discernir, na luta entre carne e espírito, o que é
inerente a um e outro (Cf.: Gl 5.16-26): é onde “as naturezas” se misturam e se
confundem, e de fato, nutrir fé, esperança e amor [pilares da nossa existência]
perde todo sentido (1Co 13.13). A vida perde o sentido.
Entramos em crise e depressão [o mal do século],
principalmente quando deixamos de ser referencial de vida para nós mesmos e
para o próximo; mas quando perdemos do cerne da existência humana, a vontade de
nutrir os pilares da existência, a vida não só fica restringida à um corpo
mortal [temporal e limitado], mas se encurta num amedrontador labirinto do eu
mesmo.
Uma questão de lógica:
simples, mas longe de ser simplista (...)
Se eu deixo de ouvir tais músicas como atitude, alguns podem
não entender; mas tendem, ou pelo menos devem, respeitar minha decisão; aliás é
uma opção clara de abster-me em favor de outros/as![não quero ser fator de escândalo
e muito menos pedra de tropeço para ninguém (Mt 18.7 e 2Co 6.3)]. No entanto, se
eu ouço, posso sim escandalizar àqueles/as que fazem a opção de não ouvir;
independente de seus motivos.
Há certas coisas, que é mais saudável e coerente de minha
parte que eu me abstenha! Não só julgando se quero ou não quero, mas sim se
será bom para os/as que estão ao meu redor. Outra grande característica da
essência humana, em termos de potencial à que fomos dotados quando na criação,
é a necessidade de busca de coletividade para interação e conseqüente
desenvolvimento. No entanto, esses laços e relacionamentos, precisam ser
preservados de maneira tal que “o corpo” cresça e se desenvolva de maneira
saudável.
Algumas situações fazem dessa relação interpessoal um
desafio; uma convivência pouco saudável: o álcool, o tabaco; a fofoca, a
mentira; o palavrão, o “consumismo”, a apropriação desordenada; dentre outros (...).
É possível que sejam coisas que nunca vão matar; mas e quanto aos outros, uma
vez que temos a rodearnos tão grande nuvem de testemunhas? (Leiam Hb 12.1).
Pessoas às quais precisamos testemunhar o amor de Cristo (Cf.: At 1.8)? Qual
tem sido nossa atitude para com o próximo? De compromisso? De zelo ou
desmazelo?
A música secular é um desses elementos que pode intensificar
muito mais os níveis de limitação num relacionamento, descartando toda, ou
parcelas, da potencialidade de interação.
A conclusão foi-se
deixando evidenciar na própria dinâmica de desenvolvimento do texto; no
entanto, os próximos pequenos parágrafos, podem ser visto como a síntese do exposto
até então
Essa discussão é profundamente complexa, e o tema um
desafio, mas não podemos deixar de trabalhá-lo. Não deve ser discutido restritamente
sob parâmetros morais e/ou éticos, e muito menos em termos de “pecado”. A
questão sobre “o cristão e a música secular” precisa ser discutida sob o crivo
do Evangelho; no sentido do que eu faço com a minha vida, e como eu interajo,
uma vez que as pessoas estão olhando para mim em busca de um referencial de ânimo
[do latim animu = alma, espírito,
mente].
Nesse sentido, as perguntas: Convém? Edifica? São fundamentais, pois preciso
cuidar para que minha vocação e interação não venha a ser motivo de escândalo e
pedra de tropeço à ninguém (Mt 16.23 e 1Pe 2.8).
Precisamos permanecer ligados à videira, frutificando (leiam
Jo 15).
Pr. Antônio Luiz de Freitas Junior
Pastor responsável pela
Congregação da Igreja Metodista no Alto Independência
Igreja Metodista Central em Petrópolis/RJ
Igreja Metodista Central em Petrópolis/RJ
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