terça-feira, 30 de agosto de 2011

ESTAMOS CARENTES DE COISAS ESSENCIALMENTE BOAS

“Estamos carentes de coisas, essencialmente, boas!” – Ressoa do púlpito minha primeira frase do sermão de domingo à noite; diante dos olhares atentos, e agora espantados, da congregação, que imaginava estar servida de tantas coisas boas pela sociedade moderna que o fato de ouvir o contrário é tido como loucura aos seus ouvidos. Afinal, basta ligar a TV para ser inundado de propostas mais que boas, excelentes e imperdíveis, que insistem para nos dar a sensação de que tudo que adquirirmos é bom, enquanto tudo que temos pode, e deve ser substituído.


Noutro dia, eu me metia a dar conselhos nutricionais a um amigo que gostava muito de beber refrigerantes, porém lutava contra a obesidade e, por decorrência desta, de pressão alta. Disse a ele, na minha ignorância inocente, que uma boa solução seria, então, beber refrigerantes diet, pois os mesmos não possuem açúcar.

Ainda não lhes falei, mas minha esposa é nutricionista e pesquisadora da área da saúde humana. Então, cheguei até ela e contei a contribuição que eu havia dado para a vida de meu amigo. Fiquei surpreso com a resposta de minha esposa que disse que o refrigerante diet realmente não possui açúcar, entretanto possui quase o dobro de sódio e isto seria terrível para a pressão arterial de meu amigo.

Com este caso aprendi duas grandes lições. A primeira foi a de não me meter a falar sobre aquilo que não estou preparado. A segunda foi que estamos carentes de coisas essencialmente boas!

Nem mesmo os nossos vegetais são mais confiáveis. A terra não está falhando, porém o homem, em sua necessidade de produzir tanto a mais, multiplica os agrotóxicos ao ponto de ao comermos um tomate não sabermos se suas boas vitaminas ainda resistem frente aos venenos que são depositados sobre os mesmos.

A tecnologia é boa, mas por causa dela muitas pessoas perderam seus empregos e ficaram impossibilitadas de sustentarem suas famílias. As indústrias são tão boas que nos permitem vivermos diversos benefícios e confortos, em troca disso poluem nosso ar, contaminam nosso solo e não sabemos se os avanços que nos proporcionaram equivalem aos prejuízos causados para nossa própria saúde.

Hoje vemos um fenômeno tão triste, que tem se tornado cada vez mais comum, de homens e mulheres que trabalham sua vida inteira, ganham muito ou pouco dinheiro, e ao se aposentarem gastam tudo que ganharam com tratamentos médicos, com remédios, para curar as doenças adquiridas durante toda a vida em seus próprios locais de trabalho.

Estamos carentes de coisas que nos sarem completamente e não de remédios que curem uma doença e adoeçam outra parte do corpo. Precisamos de valores que façam um bem perene à nossa alma e não destes que nos satisfazem momentaneamente e nos envergonham eternamente.

Necessitamos de atitudes que façam a vida evoluir por inteiro. Chega de tecnologia que avança as comunicações, o transporte, a medicina, mas retrocede, ao mesmo tempo, a moral, a ética, a saúde e a dignidade humana. Chega também de ações que são boas apenas para alguns seres humanos e crescem em função da miséria de outros seres humanos.

Como alguém que segue o caminho de formação de um teólogo, quero apresentar um valor e propor um modo de vida essencialmente bom. E para isto recorro à minha regra de fé, a qual considero como manual de instrução de todo ser humano: a Bíblia.

A Bíblia, o manual da vida, assim como o manual de instrução de tantos eletrodomésticos, muitas vezes é deixado de lado e recorre-se a ele apenas quando há algum problema de funcionamento. Pois bem, a mim parece-me ser este o momento. Algo está errado, recorramos ao nosso manual, deixando claro que se já estivéssemos sob suas recomendações, muitos problemas já poderiam ter sido evitados.

O Salmo 133 nos fala de um princípio bom em nível profundo, em sua essência. Viver em união com os irmãos é essencialmente bom. E esta é uma proposta de vida que vai de encontro à nossa atual formação ideológica. Cada vez mais individual e sectário, o homem e a mulher moderna precisam se esforçar para ter uma vida de união com outra pessoa.

Já percebeu como os seres humanos tem estado cada vez mais isolados uns dos outros? A comunicação criada para aproximar as pessoas tem possibilitado a ilusão de que estamos sempre pertos uns dos outros, embora a distância real seja, na verdade, enorme. Sempre dizemos que a qualquer momento podemos pegar um avião ou um ônibus e irmos nos encontrar com nossos amigos e familiares. Porém, nosso ativismo e nossa agenda, sempre apertada nunca nos permite tirar um tempo para sentirmos o toque daqueles (que um dia foram) realmente próximos.

Vivemos em busca de ser bem-sucedido. Mas que sucesso é este que quando alcançado muitos se vêem completamente sozinhos. O problema está no fato de pensarmos que ser bem-sucedido está ligado apenas à área financeira. E ao buscarmos esse sucesso capitalista precisamos abrir mão de muitos valores, sem os quais não somos plenamente felizes.

Ouvi uma frase que dizia que “filho bem-sucedido é uma faca de dois gumes”, ao mesmo tempo que se está feliz por seu sucesso você se vê sem ele, pois neste mundo globalizado, onde o longe finge que é perto, muitas vezes eles vão para bem longe para alcançar o sucesso e os pais se separam dos filhos para serem bem-sucedidos.

Mas este preço precisa ser pago? Isto é realmente bom? O preço do sucesso é este? Preciso abrir mão da companhia de meus amigos e familiares para ser bem-sucedido? Sou a favor do equilíbrio, quero crescer em minha profissão, mas equilibrado, sem abrir mão dos valores éticos e morais que valorizam a vida e a comunhão com meus irmãos.

Outra proposta essencialmente boa está na carta de S. Paulo aos Romanos 12.2. Neste texto o apóstolo nos fala da vontade de Deus que é boa, perfeita e agradável. E que para podermos experimentá-la precisamos nos transformar pela renovação da nossa mente e sem ganhar a forma do mundo. Forma esta que é capitalista, individualista e todo relativo. O único absoluto da sociedade moderna é que tudo é relativo. Mas não posso tomar esta forma do mundo. Preciso, por vezes, nadar contra a correnteza deste rio que cresce cada vez mais e luta por afogar todos que não estão indo contra a sua forma.

Eu quero aquilo que é realmente bom. Eu quero a vontade de Deus para minha vida, vivendo em comunhão com meus irmãos! Que aquele que morreu na cruz, mas ressuscitou ao terceiro dia, Jesus, nos dê força e entendimento da sua vontade que é perfeita, agradável e boa para minha e para tua vida!

Hugo Gonçalves de Freitas
Sem. da Igreja Metodista -
Faculdade de Teologia da Igreja Metodista de São Paulo (UMESP)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Semente da Vida

Texto para reflexão - Mateus 13.1-8
Sobre a Parábola do Semeador

Naquele mesmo dia, saindo Jesus de casa, assentou-se à beira-mar; e grandes multidões se reuniram perto dele, de modo que entrou num barco e se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia. E de muitas coisas lhes falou por parábolas e dizia: Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram. Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se. Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram. Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um. Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça.

Neste texto tão rico de detalhes, já perdi a conta dos ensinamentos que acrescentei à minha caminhada cristã ao meditar nestas sábias palavras de Jesus. Mostrando mais uma vez a vitalidade da Palavra de Deus, vemos a proposta de geração de Vida que o texto nos faz.


Imaginemos que Jesus é o Senhor da seara e que nós, seus discípulos, somos seus colaboradores, na expansão do reino de Deus. A semente é o evangelho – do grego euangelion quer dizer nova notícia – que semeamos nos corações daqueles que não conhecem a boa notícia da salvação, de graça, em Jesus Cristo.

O texto de Mateus 13.1-8 mostra-nos que a semente bem sucedida foi aquela que germinou e gerou frutos, os quais representam a continuidade e a vida daquela pequena semente. Assim, evangelho bem sucedido é aquele que gera vida e se prolonga na vida de outras pessoas.

Percebe-se que a semente foi a mesma lançada em cada tipo de solo, que Jesus diz ser o coração das pessoas, todavia cada semente obteve uma recepção diferente em cada solo específico.

Vivemos dias em que se prega que o evangelho bem sucedido é aquele que enche as igrejas. Porém as ações de muitas pessoas que lotam os templos são como daqueles que recebendo a semente permitiram que as aves do céu a comessem e a semente não gerou vida neles. Jesus diz no verso 19, que o maligno vem e arranca a semente, arranca a possibilidade de nova Vida deste que a recebeu.

Caminhamos ainda sobre um terreno onde há muita alegria dentro do mundo gospel. O evangelho traz alegria, sem dúvida. Mas o evangelho de Jesus não dá alegria com o fim em si mesma, a alegria de Cristo é resultante da Vida nova que o evangelho nos proporciona. Assim é a pessoa descrita nos versículos 20 e 21 que cultiva mal a semente e assim ela não consegue criar uma raiz forte que lhe seja capaz de dar Vida que vai além da alegria.

Há ainda homens e mulheres que recebem o evangelho, mas estão de tal maneira envolvidos com seu objetivo de cultivarem muitos frutos deste mundo, que se esquecem de cultivar a semente que gera Vida e que, quando germinada como prioridade em nossos corações, acrescenta todos as outras virtudes. Como Jesus nos ensina em Mateus 6.33: “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.

Mas há também em nosso meio aqueles que recebem a semente da Vida do evangelho e, com muito cuidado, enriquecem o solo, espantam as aves que querem comê-la, regam para que suas raízes sejam profundas e então vêem a vida, os frutos, brotarem em uma proporção sempre muito maior àquela pequena semente original.

Evangelho é Vida que gera Vida nova, Vida plena e abundante no coração daqueles que estão dispostos a trabalhar pela manutenção da semente no solo de sua existência. Vida que vai além da alegria e das emoções e abrange toda nossa força, todo nosso entendimento e todo nosso coração.

Jesus Cristo, o Senhor da seara, está sempre perto, pronto a nos ajudar neste desafio e a nos oferecer novas sementes de Vida para semearmos nos corações do mundo. Que estejamos dispostos a trabalhar nesta boa obra, cultivando o solo de nosso próprio ser para honra e glória do Senhor da seara e salvação de nossa alma.

Hugo Gonçalves de Freitas
Aluno do 1° Ano da Faculdade de Teologia -
 Igreja Metodista

sábado, 21 de maio de 2011

Não andeis ansiosos (...)

Texto base: Mateus 6.25-34
Existem maneiras distintas de definir “a ansiedade” e/ou seus níveis de influência em determinada pessoa. Atualmente, a questão vem sendo muito estudada e debatida por estudiosos, por ser um dos maiores males da nossa época. Concorda-se que a ansiedade envolve e afeta o ser humano como um todo: cérebro, comprometendo os estímulos; influencia nossas emoções, sentimentos e sensações; nosso corpo físico (somatização). A ansiedade implica também diretamente na vida espiritual da pessoa; todos/as temos um corpo espiritual (Cf.: 1Co 15.44). Precisamos cuidar dele (Cf.: 2Co 4.16 e 1Pe 3.4).

Fico maravilhado ao ver que Jesus, em seu ministério, precisou tratar a ansiedade de seus discípulos e seguidores – a Bíblia registra o momento em que Ele o faz. Em suas palavras Jesus nos adverte que a vida de uma pessoa ansiosa pode ser afetada (Cf.: Lc 9.57-62 e Lc 10.4); ao ponto de bloquear e impedir de fluir em nós a vida plena e abundante que Ele pode e quer nos dar (Jo 10.10b).

A pessoa ansiosa, além de “amarga”, é impulsiva e descontrolada; pois cultiva medo e insegurança no coração por expectativas intensas sobre o futuro. Acaba escrava do sentimento de vazio por não poder antever o amanhã; é amante do poder de controlar tudo e todos à sua volta pensando poder se “precaver” com relação ao dia seguinte. Uma pessoa ansiosa toma decisões quase sempre precipitadas e prejudiciais; é serva e escrava do dinheiro. Notem que esse é o tema da discussão de Jesus antes de Ele tratar o problema da ansiedade em si (Mt 6.24). Esses são os degraus de uma escada que só desce; que te conduz para o porão da vida: necessidade de ter poder – para exercer controle – que induz o apego ao dinheiro – e gera maior ansiedade.

O Apóstolo Paulo (Cf.: Fp 3.12-16) nos adverte sobre a necessidade de andarmos segundo aquilo que já alcançamos (v.16); guardando o sentimento, a paixão, de prosseguir sim, mas em direção à Cristo que já está bem diante de nós (v.13). Qualquer desvio com relação a esse caminho de Boas Novas (Cf.: Is 40.9 e Jo 14.6-7) precisamos parar e rever nossa postura na caminhada (Gl 1.6-9). E buscar o equilíbrio que Pedro obteve em seu ministério já depois de amadurecido, uma experiência profunda com um Deus que cuida (Cf.: 1Pe 5.7).

No texto base, v. 27, Jesus nos orienta sobre a banalidade da ansiedade; não acrescenta nada em nossas vidas. Precisamos sim, crer que temos um Pai zeloso (Dt 4.24 e Jl 2.18) e que cuida de nós (Sl 40.17). Confiar no Deus misericordioso e provedor (Sl 103.8), que nos traz como acréscimo: bênçãos incontáveis (v.33).

É tempo de nos aquietar! Entregues à presença do Senhor nosso Deus, crendo que somos mais do que vencedores sobre todas as coisas que poderiam gerar afastamento e vazios (Rm 8.37). Só após rompermos com as cadeias da ansiedade seremos abençoados/as; suficientemente livres para viver o mais de Deus; o melhor do Reino. Amém!

Que o Senhor Deus continue nos abençoando! Do amigo e pastor, Pr. Antônio Luiz de Freitas Junior

O Nosso exemplo é Cristo: Funcionalidades do grupo de discipulado/ parte 1

Texto Base: Mc 3.13-15


Favoravelmente ao Reino de Deus, Jesus, sendo Ele mesmo Deus, partilhava seus ensinamentos de maneira tal que as pessoas pudessem entendê-los em toda sua profundidade. Dos que seguiam o ministério de Jesus, alguns eram meros expectadores ou ouvintes (Cf.: Mt 21.8-9 e Mc 9.25), outros se tornavam seguidores fiéis e apaixonados - verdadeiros discípulos (Cf.: Mt 9.36-37); e como percebemos no texto bíblico que é referência para o nosso estudo, foi dos discípulos que Jesus escolheu os doze que seriam a base do ministério apostólico (Cf.: Mt 10.1-2). Conforme a própria Bíblia nos relata a tradição cristã do ministério apostólico permaneceu mesmo após a morte de Jesus (ver.: At 1.25-26; 14.14 e Rm 1.1-5). Ser discípulo é ser aprendiz, aluno comprometido com o mestre; e apostolo é o título que o discípulo recebe quando é comissionado e enviado como mensageiro do mestre – nesse caso, mensageiro de Deus. A missão bíblica de um apóstolo era anunciar o evangelho e lançar as bases da Igreja (Cf.: At 4.33 e Ef 2.20).

Jesus não trabalha com a lógica dos preferenciais para fazer a escolha daqueles que seriam “os apóstolos”; mesmo porque Ele não faz acepção de pessoas (Cf.: At 10.34; Rm 2.11 e Ef 6.9). Embora a Bíblia nos declare que Jesus escolheu os que Ele quis para o apostolado, o intuito de Jesus não era montar uma “tropa de elite”, nem mesmo indicar “um grupo dos bons”, ou de “preferidos” (ver.: Mt 20.20-28; Mc 9.33-35; 10.35-45). Medite nisso: em nenhuma circunstância bíblica teríamos condições de fazer a afirmação de que Deus tem os/as seus/suas preferidos/as. A lógica do Reino de Deus e conseqüentemente a de Jesus sempre foi tratar a pessoa no seu todo, discipular, preparando-as para a atitude mais poderosa do Reino: servir o outro; o diferente de mim mesmo (Mc 9.35, 10.44).

Lembremo-nos, que para falar à multidões que o seguia por onde quer que Ele fosse (Cf.: Mc 3.8), e sem microfone, o mestre da comunicação precisou usar de estratégias naturais para ser ouvido e compreendido. Sabemos que Jesus usava o vento favorável e sua posição relativa às fendas nas montanhas (aproveitamento do eco e prolongamento do som) para transmitir seus ensinamentos aos que estavam com Ele (ver.: Mt 5.1 e Mc 4.33). No entanto, há uma estratégia específica, e que talvez seja uma das mais importantes que Ele nos deixou como exemplo: suas atividades em grupos com número reduzido de pessoas. Podemos perceber isso na escolha dos doze, mas também em outras situações: com dois (Cf.: Lc 24.13), três (Cf.: Mc 9.2), setenta (Cf.: Lc 10); e assim sucessivamente.

Além das estratégias de comunicação que a Bíblia nos relata, essas atividades que Ele praticava em/com grupos pequenos é fundamental para a melhor compreensão e assimilação da mensagem inovadora; a mensagem das Boas Novas era confrontante para a época de governo que estava sob a égide do Império Romano. Esse espaço valorizado por Jesus, posteriormente, com a destruição do Templo, não foi somente uma estratégia, e sim fundamental para a permanência e disseminação do cristianismo - a Igreja Primitiva utilizou o espaço das casas para a pregação da mensagem de Jesus Cristo.

• Com relação à esses espaços, considere os seguintes fatores:

1. Valorização da unidade e melhor aprofundamento de relacionamento inter-pessoal (Cf.: At 12.12; 1Co 16.19);

2. A possibilidade de compreensão dos ensinamentos fica ainda mais facilitada (Cf.: Mc 9.28; At 5.42);

3. Melhor espaço de discussão para os temas propostos: polêmicos ou não (Mc 9.28);

4. Há uma abertura muito rica para a criação de vínculos mais familiares (At 16.34);

5. Por ser esse um espaço diferenciado: Algumas pessoas com dificuldade de ir ao templo e unir-se à Igreja, por inúmeros motivos, e algumas até por não saber à fundo o que é um culto, agora podem participar (C.f.: At 11);

6. Existe um mistério de Deus que envolve as casas onde aconteciam os cultos no N.T. Há uma bênção do Senhor ordenada nos ensinamentos da casa; para as ministrações nos lares (C.f.: Mt 2.11, 7.24, 10.13; At 2.2; Hb 3.4);

• Qual é nosso objetivo com os grupos pequeno enquanto Igreja Metodista?

Além de seguirmos o modelo de Cristo, considerando e abraçando fortemente todos os pontos acima citados, estamos também buscando nessa visão de grupos de discipulados, um meio saudável e natural (sem imposições) para consolidar aqueles/as que já conhecem à Cristo; também abrir um espaço de pregação da Palavra de Deus, de forma tal que aqueles/as que ainda não conhecem à Jesus ouçam o Evangelho das Boas Novas do Cristo e O aceitem como único e eterno salvador de suas vidas – nossa maior missão enquanto cristãos (Cf.: 2Tm 4.2).

Num segundo momento, precisamos gerar no coração dessas pessoas que freqüentam o grupo de discipulado, o desejo de estarem reunidos com a Igreja (Igreja não é o templo e sim a família maior reunida para cultuar ao Senhor Deus). Muitos acreditam que isso é uma estratégia para acréscimo numérico na instituição, mas não é assim que discutimos o desejo despertado nessas pessoas para que estejam reunidas com a Igreja. Considere que:

1. É na família maior (Igreja – entre irmãos/ãs) que somos confrontados em processo de convivência com o todo – um processo muito mais rico e complexo. E isso é muito importante, especialmente considerando que num determinado momento fica bastante cômodo participar de uma reunião de discipulado – ao ponto de muitas coisas permanecerem ainda ocultas e portanto sem tratamento – é possível que somente no contato com o todo exista maior abertura da parte dessa pessoa para que haja tratamento completo da parte de Deus;

2. Não que “grupos pequenos” não sejam “a Igreja”, mas o são “em parte”. Lembremo-nos que quando Jesus voltar Ele vai arrebatar “a Igreja do todo e mais ainda”; vai arrebatar um povo inteiro! Isso nos estimula a ensinar, enquanto Discipuladores, que é fundamental estarmos agregados à uma família de fé;

3. Muitas pessoas hoje têm dificuldades de estabelecer compromisso fixo. Estar ajustado aos compromissos da Igreja faz com que as pessoas percebam o compromisso como uma fidelidade necessária para alcançarem o mais de Deus (Mt 25.21);

4. Muitas pessoas hoje têm dificuldades de se submeter à autoridades; inclusive a pastoral. Mas isso é necessário para a ovelha. Muitos se escondem atrás de argumentos como: - “não gostei do culto”, “não gosto dessa Igreja”, “não levo jeito para isso”, “isso é coisa de instituição”; mas na verdade estão se escondendo do fato de não saberem obedecer; não se sentem bem se submetendo a uma autoridade, seja ela pastoral, ou de qualquer outro nível de liderança. Isso é maligno e gera “poda do tempo vital do homem/mulher” (Cf.: 2 Co 10.6; Rm 13.1-7 e Hb 12.9). Trazê-la ao templo para freqüentar a Igreja jogaria por terra tais argumentos de satanás.

5. Possibilita, que todos/as quanto queiram imitar à Cristo, sejam Discipuladores/as de pessoas. Sejam líderes, homens e mulheres, responsáveis por dar suporte em amor ao outro; verdadeiros cuidadores/as (Cf.: Ef 4.2).

• Consequências imediatas dessas atividades na estrutura da Igreja como um todo:

1. Plano de sólido de caminhada dentro da estrutura da Igreja: não só para os membros mais antigos, mas também para os recém convertidos – uma vez que o foco está na no cuidado e na ministração da Palavra;

2. Melhor aproveitamento e assimilação da Palavra;

3. Aprofundamento nos conhecimentos de textos bíblicos, e seus contextos;

4. Melhor aproveitamento da presença pastoral;

5. Valorização da figura pastoral;

6. Valorização da pessoa do pastor;

7. Valorização do líder;

8. Todos/as podem vir a ser líderes valorizados/as – Reflitam sobre o “sacerdócio universal de todos os crentes” (do Reformador Martinho Lutero);

9. Melhor desempenho pastoral como um todo;

10. Um povo sarado que multiplica esse estado de saúde e contagia com a paz do Senhor Jesus;

11. Uma Igreja consolidada;

12. Crescimento no nível qualitativo e quantitativo da Igreja;

13. Expansão do Reino de Deus.

Pense nisso e permita que o Senhor Deus, por meio do Espírito Santo, trabalhe essas questões em você, primeiro no seu coração e mente; só assim terás a paixão necessária para passar essa mesma visão àqueles/as que o Senhor tem confiado à você para o exercício do carinho e do cuidado.

Que o Senhor continue te abençoando, à cada dia mais.
Do seu amigo e pastor: Pr. Antônio Luiz de Freitas Junior.

terça-feira, 17 de maio de 2011

RASGUE A SUA AGENDA

"Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos,
nem os vossos caminhos os meus caminhos,
diz o SENHOR" (Isaías 55.8)

No início de cada ano corremos às papelarias em busca de uma nova agenda. Não dá pra viver sem uma. Nela anotamos nossos compromissos, o que é “urgente”, o que não podemos esquecer, e para quem telefonar. Consta dela também os nomes das pessoas que são importantes para nós – e quem deixou de ser, no ano seguinte não fará mais parte dela.

Agenda é pessoal e íntima porque diz respeito a nós, e a ninguém mais. A partir dela é até possível conhecer um pouco de seus donos: seus projetos, seus gostos pessoais, e o que tem importância para eles.

Permita-me falar um pouco sobre a sua agenda, mas não daquela “caderneta” de anotações e recados, mas de sua agenda de compromissos com a vida e com Deus.

Vemos cada vez mais cristãos comprometidos com uma agenda repleta de motivações distantes das coisas do Reino, visando apenas suas realizações e bem-estar pessoal. Embora isso aparentemente não seja condenável aos olhos da maioria das pessoas, sob a perspectiva divina, entretanto, esse interesse revela-se parcial, unilateral, e até mesmo egoísta. Se a sua agenda não contempla mais ninguém além de si mesmo e sua prole ela em nada o diferencia do restante da humanidade que não está “nem aí” com Deus: “se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os gentios também o mesmo?” (Mt 5.46).

Então, muitos, para dar uma aparência de legitimidade à sua agenda pessoal, tentarão inserir Deus nela, para dizer que Ele está no “negócio”. Se você é desses que pensam dessa forma, sinto lhe dizer, mas não é assim: Deus tem a agenda Dele e quer que você faça parte dela – e não o contrário.

Alguns que imaginam conhecer um pouco a bíblia irão afirmar que estou enganado, pois o Eterno está sempre disposto a atender aos nossos desejos mais sinceros. E para isso se amparam na seguinte promessa divina: “Agrada-te do Senhor e ele satisfará os desejos do teu coração” (Salmo 37.4).

Talvez não haja verso mais mal interpretado das Escrituras. Ele parece dar vazão a toda sorte de sonhos, aspirações, e até caprichos pessoais. Na verdade, quem se agrada do Senhor possui um coração diferente, um coração dominado por Cristo, e naturalmente os seus desejos foram regenerados, transformados e serão aqueles que o Espírito colocou ali. Alguém tocado pelos interesses do Pai, com certeza não tem um coração voltado para um Rolex, nem os olhos desejosos duma reluzente pickup 4X4 off-road, nem pedirá para acertar sozinho na MegaSena.

Deus tem uma agenda para os seus filhos, e quem deseja andar com Ele, precisa aceitar os seus termos. A possibilidade de Deus andar junto com o homem, só pode se tornar real se “houver entre eles acordo” (Amós 3.3). Obviamente o mundo não deseja participar dessa aliança porque não pretende submeter-se aos interesses do Pai. Por isso Ele procura no mundo aqueles que queiram.

Embora seja Todo-Poderoso, Deus nada impõe, mas faz um convite para que participemos de sua agenda: “Vinde, pois e arrazoemos, diz o Senhor” (Is 1.18), ou seja, “venha, vamos conversar, tenho algo interessante a lhe propor.... aprenda a cuidar dos Meus interesses no mundo... olhe ao seu redor com os meus olhos... enxergue as pessoas da maneira que Eu as vejo.... entregue-me sua agenda, permita-me participar efetivamente de sua vida....”.

Tenho de confessar que os erros dos quais mais me arrependo foram aqueles por eu ter seguido a minha própria agenda, o “meu” tempo, os “meus” propósitos, e não exatamente os de Deus. Felizmente Ele foi paciencioso e permitiu que eu mantivesse uma agenda própria de santidade, até que eu descobri que isso não pode dar certo. Somente então Ele me ensinou: “Filho, os meus propósitos não são os seus, o meu tempo pode parecer mais demorado que você gostaria, e a maneira que Eu trabalho difere totalmente da sua”.

Creio que a maior prova de amor e confiança que podemos demonstrar para com Deus é permitir que ele rasgue a nossa agenda. Rasgar a agenda significa caminhar para um saudável desprendimento: não mais eu, mas Ele. Não mais minhas prioridades, mas as do Pai. Não mais meu benefício próprio, mas do Reino. Não mais meus métodos, nem minhas “armas carnais”, mas aquelas poderosas em Deus para destruir fortalezas e anular sofismas (2Co 10.4).

Sinceramente, você seria capaz disso? Permitiria que Ele riscasse de sua agenda tudo aquilo que não nasceu Dele e nem foi submetido a Ele? Não continue adiando isso por muito tempo, pois tão logo você decidir entregar a sua agenda a Deus, vai perceber claramente que a Agenda Dele é infinitamente melhor.


Pr. Daniel Rocha
dadaro@uol.com.br