quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

NÃO HÁ LUGAR PARA ELE

Jesus bateu levemente à porta, mas havia tanta gente orando em êxtase, e ao mesmo tempo, que ninguém escutou.

Jesus bateu à porta, mas naquele exato momento ocorria uma acalorada discussão entre liberais e conservadores sobre a melhor forma de adoração a Deus, e eles nem perceberam.

Jesus chamou suavemente do lado de fora, mas naquele dia a congregação festejava alegremente a presença de convidados famosos.... e ninguém se deu conta.

Jesus insistiu mais uma vez. Mas os gritos do jovem pregador ecoavam tão altos e com tal veemência, que a platéia, hipnotizada, nem se mexeu.

O que fazia Jesus do lado de fora? Simples: ele foi expulso.

Alegorizamos as situações acima a partir do perfil da igreja de Laodicéia, aquela que recebeu a última carta, de uma série de sete, no livro do Apocalipse. Não por acaso, é a igreja que mais se parece com os nossos tempos: ela é rica, seu templo bem construído, e seus membros vivem bem. Os cultos são tocantes, a afluência é grande, a pregação bem ao gosto do povo, e suas canções enchem o ar.... Mas há um problema: Jesus, Aquele pelo qual é a razão de sua existência, está do lado de fora.

Não havia lugar para Jesus na hospedaria, não havia lugar para Ele na igreja de Laodicéia, não há lugar para Ele no mundo. Nós o expulsamos do templo, e o expulsamos da vida. Ele passa ao largo. Fazer menções constantes ao Seu Nome não indicam intimidade, submissão ou identificação com Ele. Ao contrário, Jesus é o desconhecido mais famoso de nosso tempo.

A grande pergunta é: Que relevância tem Jesus para nós diante das inúmeras situações que enfrentamos no dia-a-dia? Qual o peso que Jesus tem diante das decisões que tomamos diuturnamente?

A vida no mundo pós-moderno é um moedor de carnes que mutila o ser: exigências intermináveis, prazos a serem cumpridos, metas a serem alcançadas. E interiormente enfrentamos poderosos impulsos destrutivos: somos por natureza idólatras, maldosos e egoístas. Por nós mesmos, não temos como agir com lucidez e bom senso.

Buscamos, então, refúgio, na religião. Porém, a religiosidade tem se mostrado incapaz de restaurar a paz interior e dar equilíbrio ao nosso ser: hoje é quase imperceptível alguma distinção entre o homem religioso e o não-religioso. A constatação é óbvia: as igrejas estão cada vez mais cheias de pessoas vazias. Tornamo-nos desafeiçoados, perdemos nossa humanidade e os valores do Reino. Fazer diferença no mundo, amar aos pecadores e aos desprezados não é o prato principal do cardápio servido aos fiéis. O motivo? Se Cristo não está dentro, não há preocupação com quem está fora.

Expulsamos Jesus. Ele não é mais o Senhor que dirige a mente e os propósitos do coração, pois isso é dar muita importância ao “invisível” que habita os Céus.... melhor eu mesmo resolver.

Expulsamos Jesus do nosso louvor. As letras das músicas não são mais sobre o que Ele faz, ou Sua Obra, pois Ele não é o centro – o centro sou eu: meus desejos, meus planos, minhas necessidades, e o que estou sentindo....

Expulsamos Jesus de nossas pregações. Não falamos mais Dele e sua cruz, seu sofrimento, sua humildade.... Na verdade, falamos, mas de passagem, quase que envergonhadamente. Os personagens do Antigo Testamento falam mais eloqüentemente para quem precisa da imagem de heróis que vencem batalhas.

Expulsamos Jesus da vida e restringimos a lembrança de Sua pessoa às datas especiais, como o Natal ou a Semana Santa.

Jesus foi expulso até da literatura que pretende ser cristã. O que enche as prateleiras das livrarias, e vende muito, é o gênero pseudocristão, que é um tipo de auto-ajuda com uma roupagem “quase” cristã, onde Jesus é apenas um bom homem que deixou bonitas palavras de amor.

Ou colocamos Jesus de volta no centro de nossas vidas, ou nossa existência será marcada pelo vazio, pela superficialidade e por uma espiritualidade sem Deus. O que Ele mais deseja é entrar e compartilhar conosco de cada momento vivido, de cada momento festivo, e também estar ao nosso lado quando enfrentarmos as dores, que cedo ou tarde virão. Eu diria que ele já está há algum tempo batendo docemente à sua porta.... você percebeu?

Pr Daniel Rocha
dadaro@uol.com.br

Um comentário:

Vítor Carvalho Ferolla disse...

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