sábado, 4 de outubro de 2008

Tributo à Vida [minha filha Amanda]


Engravidamos de você no coração,
mas não era só ele que batia forte não;
No primeiro movimento seu, nosso mundo também se moveu,
desde o ventre já és especial, jóia rara, esperada, não comprada, dada por Deus.

Derrepente o nosso mundo teve mais cor,
cedemos a um novo amor;
Era você que chegava trazendo emoções despertando alegria e inspirando canções,
desde o ventre já és especial, jóia rara, esperada, não comprada, dada por Deus.

Ansiosamente esperamos por você,
não vamos esconder esta verdade não;
É vontade de te ter guardada nos braços amparada em cada um de nossos abraços.
Desde o ventre já és especial, jóia rara, esperada, não comprada, dada por Deus.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

DEUS INCOMODA

Para uns, Deus é uma força cósmica, uma energia poderosa e inexplicável, que emana suas radiações dos confins do Universo.

Para outros, Deus criou o mundo, mas hoje está inoperante por não ter impedido que coisas ruins acontecessem, como o Holocausto, o 11 de setembro e a tsunami destruidora na Ásia.

Ainda para alguns, Deus é um ser castrador, que inventou mandamentos, regras e proibições para impedir que gozemos tudo o que há de bom na vida. Já em outro extremo, há os que vêm em Deus uma divindade tão amorosa que Ele não faz conta de nossos erros, tropeços e pecados... é enfim, um “deus bonzinho”, que lá no Antigo Testamento foi severo, mas agora se arrependeu.

Não é difícil perceber que, embora desconheçam da natureza e do caráter divino narrados nas Escrituras, as pessoas estão em busca de uma espiritualidade – qualquer uma – para fruir de suas bênçãos e benesses, mas nem sempre desejam Aquele que originaram elas. O povo tem fome de que? Certamente não é do “Deus de Abraão, Isaque e Jacó”, e nem tampouco de Jesus de Nazaré.

Em primeiro lugar, o povo busca sensações prazerosas. Por isso a avaliação que fazem de nossas reuniões de fé sempre se dá no campo estético: “gostei”, “bonita apresentação”, “bela mensagem”. Ou ainda no campo da sensação: “senti uma coisa gostosa ali”. Sem dúvida que a presença divina pode proporcionar tudo isso, mas um verdadeiro encontro com o Eterno não fica só na sensação: a vida inteira é tocada.

É duvidoso afirmar que a maioria das pessoas que procuram uma instituição religiosa ou o auxílio de um pastor, estejam de fato buscando um Deus que reine em suas vidas, que controle seu humor, dirija seus sonhos, e conceda-lhes uma virada existencial. Não! Desde que a igreja atenda alguns de seus problemas pontuais, está tudo bem, e isso por vezes independentemente de qualquer fé em Deus.

Quando vejo nas manhãs frias de domingo igrejas repletas de fiéis, braços levantados, entoando cânticos de vitória, custa-me crer que estejam de fato buscando ao Deus Trino, Santo e Soberano. Vamos comprovar? Eliminem-se as promessas de cura, de emprego, e de resolução de problemas.... e aquele local se esvaziará. Experimente-se num espaço de grande aglomeração de fé alterar o cardápio que será oferecido à multidão, e ao invés de um “encontro de milagres” promova-se ali um estudo profundo da Epístola de Tiago e uma palestra com o tema “Santidade ao Senhor”, e constataremos que todo interesse desaparecerá. Não, não é a Deus que buscam.

Na verdade, poucos querem Deus, pois Deus incomoda. Ele nunca nos dá nenhuma certeza, a não ser Suas promessas escritas num livro com mais de dois mil anos. Não há apólices, contratos ou qualquer outra segurança que seja visível ou palpável. Neste mundo moderno as pessoas não querem incertezas ou riscos.

Como Eugene Peterson observou, Deus incomoda porque esperamos que Ele resolva nossos problemas de caráter e de vícios de forma rápida e indolor. Mas Ele insiste num “programa de recuperação” lenta e gradual.

Deus incomoda porque Ele destrói nossas ilusões religiosas mais sublimes. Foi assim com o povo que seguia a Jesus porque “tinham visto os sinais que ele fazia” (Jo 6.2), mas quando o Mestre começou a mostrar a outra face do Reino essas pessoas abandonaram a fé e já não andavam com Ele. Até os próprios discípulos também foram confrontados: ”Quereis também vós retirar-vos?” (Jo 6.67). Em outras palavras: o homem que segue a Cristo por uma razão falsa ou errada está iludindo a si mesmo e enganando a Igreja, pois quem os observa presume que este iludido seja um cristão. E não é! (Lloyd-Jones).

As pessoas não se sentem confortáveis com Deus em suas vidas. Elas preferem algo menos temível, como por exemplo, serem simpatizantes da fé e freqüentadoras dos cultos. Por quê? Simples: Deus incomoda, perscruta, atinge, inquire, confronta nossos valores, provoca crise, altera nossa rotina, retira todas as nossas seguranças, substitui o reinado do ego para construir em nós o Seu reino, pede que eu me esvazie, e me “envia” ainda que eu não me ache preparado ou capaz.....

Definitivamente é perigoso envolver-se com Deus.

Pr. Daniel Rocha
dadaro@uol.com.br

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O jeito de contar uma história faz toda diferença

Diz o refrão da música: “Palavra não foi feita para dividir ninguém. Palavra é a ponte onde o amor vai e vem.” Cabe, então, a pergunta: a palavra na Igreja tem dividido ou servido de ponte para o amor?.Saber receber (ouvir/ler) e usar (falar/escrever) a palavra é fundamental para qualquer um que queira seguir a Cristo. No entanto, lidar com a palavra não é fácil. Por exemplo, quantas correntes religiosas existem hoje dentro do Cristianismo, dentro da Igreja Metodista ou dentro da igreja local? Os motivos para tantas divisões podem ser diversos, mas com certeza um em especial nos chama a atenção: usamos a palavra de formas diferentes.
A história do Menino que nasceu em Belém todos conhecem. O problema é como cada um conta essa história e as conseqüências dos diferentes relatos.O poder das histórias que contamos e a maneira como as contamos não podem ser menosprezados. É preciso ter responsabilidade e compromisso ético no uso da palavra. De maneira geral, as várias religiões que conhecemos são, em parte, frutos de relatos que se contam sobre Deus. De forma um tanto paradoxal, cada uma ao seu jeito tenta dar conta de explicar o mistério da ação divina que se manifesta a todos -- a Graça Previniente, como diria John Wesley. No entanto, se Deus é único, as diferentes correntes são, ao que tudo indica, uma grande confusão humana.
Poderíamos ser ingênuos e dizer: “Ah, mas a história de Jesus está na Bíblia, basta e deixar as especulações filosóficas de lado.” Tal atitude não resolve o problema. Eu li, você leu, identificamos o mesmo conteúdo e ainda assim podemos ter visões discordantes sobre vários pontos. É fácil perceber que aplicamos os ensinamentos bíblicos de formas diferentes, ou alguém tem dúvidas de que as igrejas Luterana, Católica, Metodista, Universal e tantas outras, inclusive fora da tradição cristã, falam do mesmo Jesus, personagem histórico revelado nos Evangelhos? Isso para não entrar na questão das várias correntes dentro do próprio Metodismo: conservadores, carismáticos, progressistas e por aí vai.
Numa tentativa desesperada de resolver o problema, poderíamos ainda utilizar o seguinte argumento: “Mas eu sinto no meu coração que esta é a versão correta.” Tampouco essa seria a solução, pois o outro também poderia imaginar ter a interpretação mais adequada. E agora? Cada um deve abrir a sua igreja?
Não. O apóstolo Paulo nos alertou que, por enquanto, “vemos em águas turvas”. Em outras palavras, há espaço para dúvidas, para o mistério da ação de Deus. Enquanto houver essa brecha continuaremos contando histórias que por vezes se encontram e por vezes entram em conflito. De alguma maneira, a solução para esse problema passa pela humildade no uso e no recebimento da palavra. Mesmo com idéias discordantes, podemos nos amar, já nos ensinava John Wesley.
Nesse caso, nossa união se revela na busca pela compreensão dos mistérios divinos, pela fé em Deus e pelo amor que manifestamos, ou seja, na Aliança que estabelecemos. O uso da palavra (receber ou levar) representa apenas o momento quando nossas histórias se encontram. No ir e vir desses relatos, o objetivo não é vencer o outro, mas procurar a comunhão de idéias e deixar se surpreender pela presença de Deus na vida do outro. Precisamos, porém, estar conscientes de que muitas vezes não somos capazes de reconhecer Deus nas ações do próximo dada a nossa formação cultural. Esse limite imposto pela cultura pode ser um grande empecilho para a compreensão da ação do Espírito do Santo na vida dos outros.
A Bíblia apresenta inúmeros exemplos dessa cegueira social: Raab, a prostituta usada por Deus na entrada do povo dos judeus na Terra Prometida (Js 2); a parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25); o oficial romano que fez Jesus exclamar “Nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé” (Lc7.9) e outros. O movimento do Espírito Santo sempre surpreendeu os crentes.Fica, então, a pergunta: será que estamos abertos para a surpresa da ação divina? E como ter essa abertura sem se deixar levar por qualquer história? Essa não é uma tarefa fácil. Exige humildade para ouvir, mas também coragem para falar.
Assim como a experiência do próximo pode revelar de maneira surpreendente a presença de Deus, nossa experiência com Cristo também pode ser decisiva na vida de outras pessoas. Trata-se de um exercício difícil para aqueles que se sentem os "donos da verdade"; fácil para os que são capazes de amar o próximo.É por estas e outras razões que talvez a música com que abrimos esta breve reflexão insista em seu refrão que a palavra é “a ponte onde o Amor vai e vem”.
Escrito assim mesmo, Amor com letra maiúscula. Nas histórias que contamos Deus se revela. No entanto, precisamos estabelecer o diálogo e não usar a palavra para dividir e fazer do relato de nossas experiências uma tentativa de silenciar o próximo que devemos amar.
Por Fábio Josgrilberg.
Fabio B. Josgrilberg é editor do Portal Fundição, membro de Igreja Metodista de Rudge Ramos (SP), jornalista, doutor em Ciências da Comunicação (USP), membro da World Association for Christian Communication (WACC). Site pessoal: Metaphorai.Fonte/diponível em: <http://fundicao.jor.br/modules/news/article.php?storyid=17>. Acesso dia 24 de setembro de 2008.

Projeto-Vida


A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos.
[John Lennon]
Precisamos aprender a viver os intervalos: cada um pequeno espaço de tempo. Precisamos aprender a viver intensamente as fases de nossa vida. Porque observar e aprofundar os detalhes faz toda a diferença. Principalmente quando se pensa em viver de forma abundante o que deveria ser um insignificante segundo berrado no relógio.
Viva!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Porque amo a vida

Amo a vida porque as cores me fascinam, os gênios me intrigam, as poetisas me seduzem, os santos me quebrantam, os justos me desafiam, os solidários me estimulam.

Amo a vida porque os sabores me esfomeiam, os silêncios me atraem, os mistérios me intrigam, os horizontes me instigam.

Amo a vida porque as mulheres me encantam, os altruístas me humilham, os sábios me instruem, os artistas me animam. Amo a vida porque não espero o previsível, não aceito a manipulação dos espertos e não convivo com o domínio dos poderosos. Acolho o insólito e enfrento o traumático para não fugir da realidade da dor. Se evito as atrocidades é para nunca afeiçoar-me com o mal.

Amo a vida porque sofro com angústias que não são minhas e abrigo felicidades alheias. Sou paradoxal, salto como a corça e me entoco como a lebre, rujo como o leão e danço como o colibri. Aprendi que posso orvalhar o papel com as lágrimas da poesia e encharcar a camisa com o suor dos ideais.

Amo a vida porque tento entupir o ralo por onde podem descer os poucos dias de minha vida banal. Dissimulo, não quero ver-me consumido com ódios que exigem tanta atenção. Caço as memórias para não deixá-las se esfumaçarem. Comparo-me com os amigos que envelheceram - Meu Deus, eles se desgastaram mais do que eu! Disponho-me a pagar o preço da longevidade. Não invejo o monumento ao soldado desconhecido que recebeu uma coroa de flores do imperador. Não desejo a sorte dos Camelots, John Kennedy, Che Guevara, James Dean, Lady Diana - todos morreram cedo.

Amo a vida porque engasgo com o semblante do noivo no instante em que a porta da igreja se abre para a amada. Emociono-me com o café que incensa a manhã pueril. Ouço a canção da menina desafinada como de uma soprano erudita. Leio o bilhete do presidiário como um tratado filosófico. Acolho as razões da avó como verdades absolutas.

Amo a vida porque perdi a pressa. Desisti das onipotências, abri mão da perfeição e comecei a perceber que Alguém me ama sem que precise provar nada.
Soli Deo Gloria.
Ricardo Gondim.